A participação feminina no agronegócio passa por conhecimento técnico, presença em espaços de decisão e atuação direta na gestão das propriedades, empresas e instituições do setor. Essa foi a linha condutora do primeiro dia do Agrishow Pra Elas, atração da Agrishow 2026 dedicada à valorização das mulheres que atuam em diferentes elos da cadeia agropecuária.

Com patrocínio master da Marko Agro e patrocínio premium da Semeadoras do Agro, o espaço reuniu, no primeiro dia, especialistas para discutir temas ligados à competitividade do agro brasileiro, como bem-estar animal, qualidade da carne, leitura de mercado, mitigação de riscos, contratos rurais e segurança jurídica.

A programação evidenciou a presença feminina em áreas técnicas e estratégicas do setor, com palestras voltadas a produtoras rurais, profissionais do campo, estudantes, lideranças e representantes de empresas.

Qualidade da carne começa no manejo

A zootecnista Hellen Sabino, mestre em Ciência e Tecnologia de Alimentos e especialista em qualidade e segurança de alimentos, abriu a programação com uma palestra sobre a influência do bem-estar animal na qualidade da carne.

Durante a apresentação, Hellen destacou que a qualidade do produto final está diretamente relacionada às práticas adotadas antes da chegada à indústria. Manejo, transporte, biosseguridade, instalações, nutrição e sanidade influenciam o rendimento, a segurança dos alimentos e a percepção do consumidor.

A especialista também abordou a importância da informação técnica para combater percepções equivocadas sobre a produção de proteína animal. Ao tratar de bovinos, aves e suínos, reforçou que genética, controle sanitário, automação, bem-estar animal e gestão da qualidade estão entre os fatores que sustentam a competitividade da carne brasileira.

Decisões no agro exigem leitura de cenário

A gestão de riscos foi tema da palestra de Andrea Cordeiro, vice-presidente do Grupo Labhoro, conselheira estratégica, autora, articulista e docente convidada. Com quase três décadas de atuação no setor, ela analisou os desafios da tomada de decisão em um ambiente marcado por volatilidade, custos elevados, restrição de crédito e pressão sobre margens.

Segundo Andrea, o mercado agropecuário deixou de ser influenciado apenas por preço e fundamentos tradicionais. Clima, câmbio, energia, logística, crédito, geopolítica e demanda internacional passaram a compor a leitura necessária para produtores, empresas e profissionais que atuam nas cadeias de commodities.

A palestrante ressaltou que a mitigação de riscos começa por práticas básicas de gestão, como conhecer custos de produção, avaliar parceiros comerciais, acompanhar o mercado antes de negociar e proteger margens. Também chamou atenção para a importância da comunicação do agro brasileiro no mercado internacional, especialmente diante da necessidade de ampliar mercados e fortalecer a imagem do setor.

Durante a atividade, Andréa também apresentou a campanha Lenços do Agro, iniciativa que arrecada lenços para mulheres em tratamento contra o câncer. A ação integra a programação do Agrishow Pra Elas e reforça o caráter colaborativo do espaço.

Contrato rural como instrumento de gestão

O encerramento do primeiro dia ficou por conta da advogada Eziquiela Windberg, advogada especialista em Direito Agrário, que falou sobre contratos rurais e segurança jurídica.

A palestrante destacou que negociações mal documentadas podem gerar impactos sobre patrimônio, sucessão familiar, crédito e continuidade dos negócios. Por isso, defendeu que contratos rurais sejam tratados como instrumentos de gestão, com clareza sobre obrigações, prazos, garantias, riscos e consequências.

Eziquiela também relacionou o tema à participação feminina nas decisões da propriedade rural. Para ela, acompanhar reuniões, compreender contratos, registrar informações e questionar cláusulas são atitudes que ajudam a reduzir conflitos e fortalecer a governança no campo.

A advogada ressaltou ainda que a pressa na assinatura de documentos pode comprometer safras futuras e expor produtores a riscos jurídicos. A orientação profissional, segundo ela, deve fazer parte da rotina de negociação no agro.

A atração segue durante a Agrishow com debates, palestras e encontros voltados ao fortalecimento da presença feminina em uma das principais feiras de tecnologia agrícola do mundo.