“Uma assinatura pode custar uma safra inteira – ou várias.” Foi com esse alerta que a advogada Ezequiela Windberg, especialista em Direito Agrário, abriu sua palestra no espaço “Agrishow para Elas”, trazendo à tona um tema que muitos produtores preferem ignorar até que seja tarde demais: a segurança jurídica nas decisões do campo.

O Agrishow Pra Elas é um espaço 100% dedicado às mulheres dentro da Agrishow, a maior feira de agronegócio da América Latina. A iniciativa tem o patrocínio da Marko Agro e Semeadoras do Agro e tem uma programação de conteúdo durante todos os dias da feira.

Com escritórios em Luís Eduardo Magalhães (BA) e Querência (MT), e atendendo produtores de todo o Brasil, Windberg não veio apenas com teoria jurídica. Ela trouxe histórias reais de famílias que perderam patrimônios por cláusulas mal compreendidas, de mulheres que salvaram propriedades com sua intuição, e de sucessões que se transformaram em pesadelos por falta de participação feminina nas decisões estratégicas.

A mensagem foi clara: no agronegócio moderno, onde clima, mercado e preços já são variáveis incontroláveis, o risco jurídico não pode ser mais um. E são as mulheres, com sua sensibilidade estratégica e visão de longo prazo, que têm o poder de transformar contratos em pontes – não em armadilhas.

O papel da mulher na resolução de conflitos

Segundo Windberg, quando uma mulher participa da tomada de decisão, os processos raramente chegam ao extremo. “A mulher sempre tem a habilidade de trazer ao consenso, de visualizar os problemas e trazer uma solução amigável. As negociações melhoram, tem mais entendimento e a justiça familiar prevalece”, afirmou.

A advogada também destacou o papel feminino na sucessão familiar. “A chuva cai do céu, a sucessão não. O sucessor precisa ser moldado, ser lapidado, ser criado dentro da propriedade e isso é a mulher que tem essa habilidade de trazê-lo para si, para próximo, para o negócio”, citando o agrônomo e pesquisador Chico Brasil.

Governança e continuidade

A palestrante enfatizou a necessidade de governança nas propriedades rurais. “A propriedade precisa ter essa governança, decidir quem faz o quê, como faz, quem vai ser remunerado. Isso é extremamente importante”, destacou, citando Marielle Biester.

Windberg compartilhou sua própria experiência pessoal como exemplo de como a racionalidade pode prevalecer sobre questões emocionais. “Eu sou divorciada, mas o negócio estava indo muito bem e aí eu pensei: não vou separar os negócios. E hoje dá super certo, é na horizontal, cada um sabe a sua posição”, revelou.

 Ezequiela Windberg no Agrishow reforçou que a segurança jurídica no campo não é apenas uma questão técnica, mas estratégica. Com contratos bem estruturados e a participação ativa das mulheres nas decisões, o agronegócio brasileiro pode não apenas evitar prejuízos, mas garantir a continuidade e o crescimento sustentável das propriedades rurais.

“Decidir bem não é sorte, é estratégia, é consciência, é proteção e é continuidade. A gente precisa hoje para garantir o amanhã”, finalizou a especialista, deixando claro que no campo, como nos negócios, o conhecimento e a preparação são os melhores aliados para enfrentar os desafios e construir um futuro próspero.