A discussão sobre produtividade em soja e milho vai além da escala e passa a se concentrar em eficiência. Em um cenário de clima irregular, insumos pressionados por fatores geopolíticos e maior exigência sobre margens, a tecnologia assume papel central na tomada de decisão no campo.

Nesse contexto, soluções que aumentam previsibilidade, reduzem risco e melhoram o uso de insumos ganham espaço — da semente às operações em larga escala.

A pergunta que orienta produtores e empresas na feira é: quais tecnologias, de fato, conseguem entregar produtividade com eficiência econômica? A resposta começa no manejo e se estende por toda a cadeia produtiva.

Qualidade da semente define custo e produtividade antes do plantio 

O primeiro filtro da decisão do produtor está antes mesmo do plantio. Qualidade da semente, genética atualizada, biotecnologia embarcada e tratamento industrial deixaram de ser diferenciais e passaram a ser requisitos mínimos.

“O que realmente diferencia é a consistência dessa entrega no campo, com alto vigor, germinação comprovada e segurança desde o plantio”, explica Lara Viola Trouva Binsfeld, gerente de Marketing e Comunicação da Sementes Jotabasso.

No que diz respeito à economia para o produtor, na prática, a tecnologia em sementes tanto reduz custos quanto aumenta a produtividade. “Uma semente de alta qualidade reduz riscos, melhora o estabelecimento da lavoura e evita retrabalho, o que impacta diretamente no custo. Ao mesmo tempo, entrega mais uniformidade e maior potencial produtivo”, afirma a gerente.

Na Agrishow 2026, a empresa apresentou cultivares de soja e sorgo adaptados de norte a sul do país, e utiliza o estande para uma ativação focada em sustentabilidade, mostrando suas certificações e abrindo diálogo com produtores interessados em certificar suas próprias áreas. “A tecnologia aplicada à semente é pensada para gerar um resultado consistente, com sustentabilidade e segurança, ajudando o produtor a produzir mais por hectare”, diz.

Tecnologia embarcada nas máquinas reduz custo e aumenta rendimento por hectare 

No maquinário pesado, piloto automático, monitor de colheita e telemetria se tornaram padrão básico de fábrica nas máquinas voltadas a grãos. O diferencial, hoje, segundo Rafael Antonio Costa, diretor Comercial da Fendt, é o que essa base tecnológica entrega em rendimento operacional dentro de janelas de plantio cada vez mais estreitas.

O ganho prático aparece na conta de hectares por dia: piloto automático, sistemas de plantio de precisão e monitoramento em tempo real permitem plantar mais área, com qualidade superior, no mesmo intervalo. “Com a intensificação das safras, chegando a duas ou até três em algumas regiões, o tempo para realizar as operações é cada vez mais curto. Ser mais eficiente, ganhar qualidade e velocidade nas operações permite ao produtor produzir mais, em um intervalo menor e com menor custo”, afirma.

Mas o que a Fendt trouxe à Agrishow 2026 ataca dois dos principais custos da produção de soja e milho: combustível e fertilizante. “Hoje, uma máquina da Fendt consome cerca de 40% menos diesel em comparação com equipamentos equivalentes de outras marcas. Além disso, conta com um sistema de motorização que reduz em até 90% a emissão de poluentes, aliando menor consumo a um desempenho mais sustentável”, explica.

Para o diretor, essas soluções chegam no momento certo: se, de um lado, há equipamentos com maior eficiência energética para reduzir o gasto com diesel, de outro, tecnologias de aplicação inteligente ajudam a usar melhor os fertilizantes.

Drones aumentam precisão e reduzem desperdício na aplicação 

Se semente e maquinário pesado formam a base da produção, o drone agrícola representa a camada mais recente dessa evolução. Em pouco mais de seis a oito anos no Brasil — com avanço acelerado a partir de 2023 —, o equipamento saiu do estágio experimental e passou a integrar a rotina do produtor. 

Segundo Rodrigo Marques, coordenador de Aplicação da Agro MT Drones (empresa de revenda autorizada da Xmobots), a vantagem do drone está no volume de aplicação. Enquanto o pulverizador tradicional usa cerca de 100 litros de água por hectare, o drone opera com aproximadamente 10, sem alterar a dose do produto. Na prática, isso reduz o volume total de água e permite aplicações mais precisas. Em uma área de 360 hectares, um produtor que utilizava 25 mil litros por aplicação passou a trabalhar com volume semelhante, mas distribuído de forma mais localizada. 

A aposta da Xmobots para a Agrishow 2026 é a combinação entre os sistemas SPAD e DAASFY, que pode reduzir em até R$ 136 mil o custo operacional por safra, com menos combustível, menos tempo de operação e mais previsibilidade financeira para o produtor.

O salto de eficiência aparece com o uso de tecnologias como mapeamento aéreo multiespectral (com índices NDVI) e taxa variável. “Em uma área de 100 hectares, o produtor tem problema de corda-de-viola em apenas 8 a 10 hectares. Na aplicação tradicional, ele aplica na área toda ou assume a perda. Com o drone, pode aplicar somente onde há problema”, explica Rodrigo Marques, coordenador de .

Na Agrishow 2026, a tecnologia esteve no centro das decisões do produtor, atravessando todas as etapas da produção de soja e milho. O que se vê é um avanço consistente na eficiência, com menos desperdício de insumos, redução de erros e rotinas mais otimizadas no campo.