A região de Mendoza, na Argentina, enfrenta um grande vilão: a falta de água. Por lá, chove cerca de 200 mm anuais — um volume muito menor do que o registrado, por exemplo, na Serra Gaúcha, no Brasil, onde a pluviosidade, segundo estudos, passa de 1.400 mm.

Para a agricultura, essa escassez hídrica é um desafio crítico, pois afeta a germinação das sementes, a absorção de nutrientes e a uniformidade das plantas por hectare.

Na minha visita a Catapano Wines, pude ver de perto uma solução simples para mitigar esse problema. Com 4 hectares e uma produção de 25 mil garrafas por ano, a propriedade adotou um processo de irrigação por gotejamento, abastecido por uma lagoa de 5 metros de profundidade localizada dentro da vinícola.

Rodrigo Capella em visita a Catapano Wines

Essa estratégia possibilita maior eficiência no uso do recurso hídrico, uma vez que, com base em dados referentes ao desenvolvimento do cultivo, o produtor toma as melhores decisões sobre quando irrigar e a quantidade de água a ser utilizada.

A iniciativa já rendeu frutos para a Catapano. A propriedade exporta seus vinhos, que têm como protagonista a casta Malbec, para Estados Unidos e Canadá. Acredito que é questão de tempo até eles chegarem ao Brasil.

Após conhecer a propriedade, confesso que fiquei pensando nela durante alguns dias. Muitas vezes, buscamos soluções inovadoras ou nos atemos a ideias mirabolantes para resolver um problema.

Mas a solução, quase sempre, está mais perto do que a gente imagina, há alguns passos de distância, como foi o caso da lagoa da Catapano.