Há anos em que o clima desafia. Em outros, são os custos de produção, as oscilações do mercado, as taxas de juros, a disponibilidade de crédito ou as mudanças regulatórias que colocam à prova a capacidade de decisão do produtor rural, da indústria e dos envolvidos no Agro.

A verdade é que o agronegócio sempre conviveu com a incerteza. O que muda é a intensidade dos desafios. E, neste ano com o super el niño está ainda mais complexo. O Agro está em um momento muito desafiador. Todos nós sabemos. O tempo, o clima, o negócio, as pessoas estão vivendo algo muito particular. Sabemos que o Agro é cíclico, mas nem sempre estamos realmente preparados para a mudança. Isto porque a adoção de mudanças é um processo emocional.

Mudanças nunca acontecem apenas nos processos. Elas acontecem, principalmente, nas pessoas.

A equipe pode sentir insegurança. A família pode questionar decisões. Os sucessores podem ter visões diferentes. Os colaboradores podem interpretar a mudança como ameaça, e não como oportunidade. Isso é natural. E é justamente nesse momento que surgem as maiores resistências.

A Curva de Mudança pode ajudar e ser muito útil neste momento que estamos vivendo no Agro. Trata-se de um modelo que divide a experiência emocional de um indivíduo durante a mudança.

A Curva de Mudança é um modelo que descreve os estágios psicológicos pelos quais as pessoas passam quando experimentam mudanças significativas. Ele se baseia no modelo de Kübler-Ross. É apresentada em cinco estágios, sendo em ordem: negação, raiva, barganha, depressão e aceitação. Olhar com atenção a cada estágio desse pode ser o diferencial de maior engajamento e consequentemente maior resultado.

Como psicóloga e profissional que há mais de duas décadas acompanha líderes e organizações em processos de transformação, aprendi que as pessoas raramente resistem à mudança em si. Elas resistem ao medo da perda, à falta de clareza e à incerteza sobre o futuro.

No agronegócio, essa realidade ganha uma dimensão ainda maior. Afinal, muitas decisões precisam ser tomadas rapidamente, enquanto fatores externos fogem completamente ao controle exemplo o clima, taxa do dólar, etc.

Mas o ponto chave que vejo aqui é que sim controlamos a forma como reagimos a cada um desses desafios. E é aí que começa uma boa gestão da mudança. Então para apoiar você, líder, vai aqui 5 dicas de atitudes em tempos difíceis e de mudança: 

  • Comunique antes de executar. Pessoas entendem melhor as mudanças quando compreendem seus motivos. 
  • Escute quem está no campo. Muitas soluções surgem de quem vive a operação diariamente.
  • Prepare as pessoas, não apenas os processos. A mudança só acontece quando há engajamento. 
  • Invista em inteligência emocional. Decisões tomadas apenas sob pressão tendem a gerar mais desgaste. 

Lidere pelo exemplo. Em momentos de incerteza, a equipe observa menos o discurso e muito mais o comportamento do líder. As mudanças continuarão acontecendo. Os mercados continuarão oscilando. Os desafios continuarão exigindo coragem. Se tem algo é que é certo é que o mundo continuará incerto. Cabe a cada um de nós saber lidar com esse cenário.

Portanto, a próxima safra será resultado das escolhas feitas hoje. Não apenas das decisões sobre plantio, investimentos ou tecnologia, mas, principalmente, da forma como lidamos com as mudanças necessárias para sustentabilidade dos negócios e pessoas.