A água passou a ocupar o centro das decisões produtivas no campo. Em um cenário de mudanças climáticas mais intensas, chuvas irregulares e margens cada vez mais pressionadas, clima e disponibilidade hídrica se consolidam como critérios determinantes para o investimento do produtor na Agrishow 2026.

Se antes a irregularidade das chuvas era tratada como exceção, hoje ela se tornou uma variável estrutural do planejamento agrícola. Nesse contexto, a irrigação deixa de ser uma tecnologia complementar e passa a definir quem consegue garantir a safra e quem permanece exposto ao risco climático.

As soluções em irrigação na Agrishow 2026 vão de equipamentos de alta eficiência a plataformas digitais de gestão, refletindo uma mudança clara: mais do que produzir, o desafio agora é produzir com previsibilidade.

Pivô central ganha força em grandes culturas

Quando falamos de cana-de-açúcar, o cenário brasileiro está estagnado na média de 70 a 80 t/ha há anos. Porém, com a irrigação, é possível chegar a 140 a 160 t/ha, garantindo um ganho de 50% a 100% de produtividade. Essa visão é do gerente comercial da Valley, Sandro Rodrigues, que explica por que o pivô central faz sentido para culturas como cana e grãos.

“Depois de todo esse aparato de ter trabalhado todas as questões que limitam a produtividade, hoje o grande limitante da produtividade para a cana e para outras culturas é a água. A irrigação vem para suprir essa deficiência”, afirma.

Uma das alternativas apresentadas pela empresa na Agrishow 2026 é o pivô alto para cana. Sua proposta é irrigar a cultura no ciclo final, cerca de 30 dias antes da colheita, período crítico para o teor de açúcar.

Digitalização: modernização sem trocar o pivô

Na Agrishow 2026, a Valley apresenta três lançamentos focados em conectividade e redução de custo operacional: o painel ICON+, o sistema Machine Diagnostics e o redutor de rodas VG252. O destaque é o ICON+, que permite levar pivôs antigos, da Valley ou de outras marcas, para o ambiente digital sem substituir o equipamento.

A solução conta com tela touch de 7 polegadas, GPS e acesso remoto, além de integração com a plataforma AgSense 365, que reúne monitoramento, alertas, clima, sensores e controle de pivôs, bombas e tanques em uma única interface. É um lançamento voltado ao produtor que já investiu em pivô e busca ganhar inteligência de gestão sem refazer o projeto.

Gotejamento avança em eficiência hídrica

Outra solução que o produtor deve buscar na Agrishow 2026 é o gotejamento, amplamente utilizado em culturas como café, citros e hortifruti. Segundo Danilo Silva, gerente agronômico da Netafim, o sistema se destaca pela maior eficiência no uso da água, reduzindo perdas por deriva e evaporação.

“O gotejamento tem uma eficiência de aplicação de água em torno de 95%, contra 70% a 85% dos sistemas de aspersão. Independentemente da lâmina de água calculada para um projeto, usamos esse fator para cobrir as perdas potenciais”, afirma.

No caso do café, o desafio não está apenas no volume de chuva, mas no momento em que ela ocorre, especialmente em fases críticas como floração e fixação de frutos. Com o gotejamento, o produtor pode antecipar a florada para períodos mais estratégicos, evitando o desenvolvimento dos frutos em picos de calor.

“O produtor deixa de ver a irrigação como oportunidade e passa a enxergar como ferramenta de manutenção da produção. Quando o café está com preço bom, produzir mais é melhor. Quando o preço cai, produzir mais é como se mitiga custos”, afirma Danilo.

Automação transforma o manejo da irrigação

A Netafim apresenta na Agrishow 2026 o NetaFerti, um controlador desenvolvido no Brasil. A plataforma oferece acesso remoto via aplicativo, tablet ou computador e automatiza a fertirrigação, permitindo a aplicação de insumos pelo sistema de irrigação.

Em operações convencionais, o processo exige abertura e fechamento manual de válvulas e aplicação de insumos por setor. Com a ferramenta integrada a um kit de injeção, o produtor prepara uma calda diária ou semanal, e o sistema executa automaticamente a distribuição.

“O produtor pode acessar o sistema de qualquer lugar, modificar a programação e realizar a fertirrigação à distância. O principal ganho está na melhoria operacional da aplicação de insumos via irrigação”, explica.

A verdade é que não há vencedor na “disputa” entre pivô e gotejamento, mas sim o encaixe correto para cada necessidade. O pivô é mais indicado para cana, soja, milho e grandes áreas com boa disponibilidade hídrica. Já o gotejamento atende melhor culturas como café, citros, hortifruti e sistemas de alto valor por hectare.

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