Escassez hídrica, calor extremo e altos custos de produção. Alguns dos problemas encontrados em Mendoza, na Argentina, são similares aos verificados em lavouras brasileiras.

Mas um deles atinge as propriedades argentinas com intensidade muito maior: o granizo. Formadas no interior de nuvens, as pedras de gelo despencam em direção às plantações.

Estudos apontam que no Cinturão do Café, no Brasil, o tamanho dessas pedras se compara ao de uma bolinha de gude, com 2 cm.

Já em Mendoza, o granizo se assemelha a ovos de galinha, alcançando cerca de 6 cm. E aí está o problema: quanto maior o tamanho da pedra, maior tende a ser o prejuízo.

A incidência do fenômeno nas lavouras argentinas causa sérios problemas, como desfolhamento, quebra de caules e até a perda total da safra. Isso gera uma preocupação constante nos produtores locais.

Percebi isso claramente quando visitei a propriedade Centenario, em Mendoza.

Com 350 hectares — sendo 280 destinados às olivas —, o local produz 400 mil litros de azeite por ano. Quando cheguei a Centenario, perguntei qual era o maior desafio da região. A resposta foi enfática: o granizo.

Rodrigo Capella, durante visita à propriedade Centenario, na Argentina.

Mitigar esse cenário não é fácil e exige rígidos protocolos. Na Centenario, eles costumam recorrer às redes de proteção.

Em alguns casos, pode ser viável; em outros, não.

Enquanto as parreiras medem cerca de dois metros de altura, o que facilita o uso das telas, as oliveiras podem ser cinco vezes maiores.

Proteger árvores desse porte custa caro.

No fim das contas, a proteção se torna uma decisão focada em gestão. E gerir um negócio agrícola não é apenas fazer contas; é também administrar o peso emocional de produzir sob o céu aberto.