Depois que uma embalagem vazia de defensivo agrícola deixa a propriedade rural e é devolvida a uma unidade de recebimento, começa um caminho que envolve inspeção, separação, transporte e destinação ambientalmente correta.
Parte dessas embalagens volta ao ciclo produtivo por meio da reciclagem. Outras, que não podem ser recicladas, seguem para formas de destinação ambientalmente adequadas.
Esse processo está no centro do Dia Nacional do Campo Limpo, celebrado em 18 de agosto e que chega, em 2026, à sua 22ª edição. Neste ano, mais de 223 ações distribuídas por 21 estados devem mobilizar agricultores, estudantes, educadores, parceiros e comunidades em mais de 100 cidades.
A iniciativa é organizada pelo Sistema Campo Limpo, programa brasileiro de logística reversa de embalagens vazias de defensivos agrícolas. O modelo é baseado na responsabilidade compartilhada entre agricultores, canais de distribuição e indústria fabricante, com suporte e fiscalização do poder público.
Da devolução à reciclagem
Após ser devolvida pelo agricultor em uma unidade de recebimento, a embalagem passa por inspeção, separação e transporte antes de receber sua destinação.
As embalagens encaminhadas para reciclagem podem retornar à própria cadeia produtiva na forma de novas embalagens ou ser transformadas em artefatos homologados para diferentes usos, como tubos para esgoto e conduítes.
As embalagens que não podem ser recicladas recebem outras formas de destinação ambientalmente adequada.
Segundo dados divulgados pelo Sistema Campo Limpo, mais de 900 mil toneladas de embalagens vazias de defensivos agrícolas já receberam destinação ambientalmente correta ao longo de mais de duas décadas de operação.
Somente em 2025, foram destinadas 75.996 toneladas, maior volume anual registrado pelo programa e resultado 11% superior ao do ano anterior.
Atualmente, 100% das embalagens devolvidas recebem destinação ambientalmente correta. Desse total, 92% seguem para reciclagem e retornam ao ciclo produtivo na forma de 38 artefatos homologados utilizados em diferentes setores da economia.
Responsabilidade compartilhada
A logística reversa das embalagens vazias de defensivos agrícolas é baseada na responsabilidade compartilhada entre diferentes integrantes da cadeia produtiva. No Sistema Campo Limpo, agricultores, canais de distribuição e indústria fabricante participam do processo, enquanto o poder público atua dando suporte e realizando a fiscalização.
Na prática, o funcionamento do sistema depende dessa atuação conjunta: o agricultor participa da devolução das embalagens, que seguem para as unidades de recebimento e, a partir daí, passam pelas etapas de inspeção, separação, transporte e destinação ambientalmente correta.
É essa integração entre os diferentes elos que permite que as embalagens sejam encaminhadas para reciclagem ou, quando isso não é possível, recebam outra forma de destinação ambientalmente adequada.
Para a produtora rural Anna Paula Nunes, de Araraquara (SP), que produz cana-de-açúcar, soja, milho, sorgo e girassol, a destinação das embalagens está associada ao compromisso ambiental da atividade agrícola.
“Para mim, o Dia Nacional do Campo Limpo representa muito mais do que uma data. É a oportunidade de mostrar que o agro cuida da terra, da água e das pessoas. A destinação correta das embalagens faz parte desse compromisso com quem produz hoje e com quem vai colher o amanhã.” comenta Anna Paula Nunes, produtora rural cana de açúcar, soja, milho, sorgo e girassol de Araraquara – SP.
O Sistema Campo Limpo está presente em todo o país e conta com 424 unidades de recebimento e mais de 242 associações de revendas e cooperativas.
A estrutura é complementada por mais de 4.500 ações de Recebimentos Itinerantes, utilizadas para ampliar o alcance do sistema junto aos pequenos produtores. Segundo a organização, quase 2 milhões de propriedades rurais são impactadas.
Criado em 2002, o Sistema Campo Limpo tem como base o princípio da responsabilidade compartilhada. A proposta é integrar os diferentes participantes da cadeia para que as embalagens devolvidas tenham uma destinação ambientalmente correta e, sempre que possível, retornem ao ciclo produtivo por meio da reciclagem.