Armazenar grãos em silos na própria fazenda permite ao produtor administrar melhor a comercialização da safra, reduzindo a necessidade de vender toda a produção no período de maior oferta, conhecido como boca de safra. Porém, a decisão exige planejamento, avaliação de custos e cuidados com a conservação dos grãos.
A necessidade de armazenagem segue em discussão no agronegócio brasileiro. O Anuário Agrologístico 2026 da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) reúne informações sobre a capacidade de armazenagem e a logística de escoamento da produção agrícola no país.
Para quem pretende investir em uma estrutura própria, é preciso conhecer os tipos de silos, entender seu funcionamento e avaliar fatores como capacidade, temperatura, umidade, segurança e custos de operação.
Conheça os principais silos de armazenagem
No campo, existem vários tipos de silos com suas respectivas funções e divisões. A primeira divisão dos silos é quanto ao material utilizado para a sua construção. Há silos metálicos, de concreto, de alvenaria e de madeira. Há também um tipo de silo denominado silo-bolsa, geralmente utilizado de forma emergencial para o armazenamento de grãos.
A docente dos cursos de Agronomia e Zootecnia da Unoeste (SP), Fabiana Lima Abrantes, indica também que os silos são divididos quanto à sua aplicação. Ela explica as diferenças básicas neste sentido:
- Silo armazenador: recebe o produto limpo após secagem em secador e recebe aeração quando necessário para uniformizar a umidade e resfriar a massa de grãos;
- Silo secador: recebe ar natural ou aquecido para secagem dos grãos. “Este processo é lento e a umidade não deve ser elevada, já que pode ocorrer o aquecimento da massa e fermentação, o que afeta sua qualidade”, explica Fabiana;
- Silo de espera (também chamado de silo pulmão): são silos de apoio durante o recebimento dos grãos, pois armazenam os grãos limpos, porém úmidos, por poucas horas até o momento dos grãos irem para o secador e atingir a umidade desejada para o armazenamento. “Esse tipo de silo deve possuir sistema de ventilação de ar natural para evitar o aquecimento da massa de grãos devido a umidade elevada”, lembra a docente;
- Silo de expedição: são silos suspensos que recebem os grãos dos silos armazenadores, através de transportadores e os grãos são liberados, por gravidade, sobre o veículo transportador (caminhão ou vagão ferroviário).
Funcionamento do silo: Importância da temperatura e umidade
Para o correto funcionamento do silo, tanto a temperatura quanto a umidade são fundamentais, exercendo grande influência na qualidade dos grãos. Neste sentido, Fabiana indica que a umidade e a temperatura elevada são variáveis que afetam a qualidade do grão, promovendo o aquecimento da massa e até a sua deterioração.
A segurança também exige atenção à poeira gerada durante o transporte e o manuseio dos grãos. Quando dispersa no ar em determinadas concentrações, essa poeira pode formar atmosferas explosivas na presença de fontes de ignição. Além disso, a professora indica que, se a umidade dos grãos ficar muito baixa, haverá maior facilidade de ocorrência de danos mecânicos, como grãos quebrados ou trincados, o que diminui o valor do produto.
Assim, tanto a umidade quanto a temperatura devem ser controladas, variando em função da espécie e composição química dos grãos. Fabiana indica que o teor de umidade de armazenamento fica, em média, próximo de 13%. Esse valor, porém, deve ser avaliado conforme o tipo de grão, as condições ambientais e o período previsto de estocagem. A Embrapa, por exemplo, apresenta a recomendação de umidade próxima de 13% para o armazenamento seguro do arroz.
Quero começar a armazenar em silos – Qual escolher?
Há silos de tamanhos, tecnologias e preços diferentes. Em razão disso, as variáveis que o produtor deve considerar ao escolher o silo que melhor se adéque às suas necessidades são muitas.
Entre as ações que podemos considerar na escolha, podemos citar:
- Grão que será armazenado;
- Quantidade estimada de grãos (para indicar a capacidade do silo);
- Frete (para comparar com o armazenamento com silos de terceiros);
- Capital para o investimento
- Pessoal capacitado, dentre outras coisas;
A professora indica que independente do modelo adotado para a unidade armazenadora, esta deverá apresentar as condições básicas para preservação da qualidade do produto, além de ser economicamente viável.
“O funcionamento do silo poderá ser simples, porém deverá seguir os princípios básicos da armazenagem, ou seja, deverá beneficiar (limpar), secar e armazenar os grãos de forma eficiente“.
Quais custos considerar antes de investir em um silo?
O custo de instalação de um silo depende da capacidade de armazenamento, do modelo escolhido e dos equipamentos necessários para o funcionamento da unidade. O produtor deve considerar despesas com obras civis, instalações elétricas, sistemas de transporte de grãos, limpeza e secagem.
Esses gastos fazem parte do investimento inicial, conhecido como CAPEX. Já os custos operacionais (OPEX) incluem energia elétrica, mão de obra, manutenção, controle de pragas e monitoramento das condições de armazenagem.
Para avaliar a viabilidade do investimento, é recomendável comparar o custo da estrutura própria com as despesas de armazenagem terceirizada e transporte. A análise também deve considerar o volume produzido, o tempo de estocagem e os riscos envolvidos na comercialização futura.
O produtor pode consultar o artigo da Agrishow Digital sobre como calcular o ROI de silos de armazenagem para entender melhor a avaliação financeira.
Principais cuidados para o bom funcionamento do silo
Para evitar surpresas desagradáveis, alguns cuidados precisam ser ponderados pelo gestor da propriedade, principalmente aqueles relacionados ao funcionamento do silo e à prevenção de acidentes que porventura podem ocorrer. Quanto ao funcionamento do silo, a professora indica dois cuidados essenciais. Aeração e controle de pragas.
A aeração é uma ferramenta muito útil no armazenamento para manutenção e conservação do produto armazenado, diminuindo a sua umidade e temperatura. “Porém, se manejada de maneira errada, pode promover umedecimento da massa ou secagem excessiva, afetando negativamente a qualidade e conservação”, explica.
Além disso, o controle de pragas no armazenamento (como gorgulho, roedores e traças) que se desenvolvem em grãos com baixa umidade, podem comprometer a qualidade dos grãos, favorecendo a penetração de fungos. Neste sentido, ter um controle efetivo de pragas é medida fundamental para o bom funcionamento do silo.
Em relação aos riscos de acidentes, a professora indica que há riscos de explosões, problemas respiratórios e oculares, quedas e sufocamento. A prevenção desses acidentes exige procedimentos de segurança, avaliação dos riscos e treinamento dos trabalhadores. A Norma Regulamentadora nº 33 (NR-33), que trata da segurança em espaços confinados, estabelece requisitos para entrada, permanência e trabalho nesses ambientes.
Entre as medidas previstas estão a autorização formal de entrada, a avaliação das condições atmosféricas, a presença de vigia, os procedimentos de emergência e resgate e o uso de equipamentos de proteção adequados aos riscos identificados. As atividades também devem observar outras normas aplicáveis, conforme as características da unidade e dos serviços realizados.
Por fim, para o bom funcionamento do silo e para a maior segurança do operador, o uso de equipamentos de proteção individual e equipamentos de proteção coletiva é fundamental.