A segurança das mulheres que atuam no agronegócio foi tema da programação do Agrishow Pra Elas, atração dedicada ao protagonismo feminino no setor, com patrocínio master da Marko Agro e patrocínio premium da Semeadoras do Agro.
Nesta quarta-feira, 29 de abril, a palestra “Defesa pessoal: o que a mulher do agro precisa saber” foi conduzida por Thaciana Reis, sócia fundadora da ESSENC.I.Agro, e abordou preparo, postura e atenção ao ambiente como atitudes essenciais para quem vive a rotina do campo.
Engenheira agrônoma, mestre em bem-estar animal e faixa preta de jiu-jitsu brasileiro, Thaciana levou ao público uma abordagem que conectou sua experiência no agronegócio à prática das artes marciais. A proposta foi mostrar que defesa pessoal não se resume a técnicas de luta, mas começa na forma como a mulher se posiciona, se desloca, percebe riscos e toma decisões no dia a dia.
Segurança também faz parte da rotina no campo
A reflexão dialoga diretamente com a rotina de muitas profissionais do agro, que circulam por estradas, participam de reuniões, visitam propriedades rurais, acompanham operações em campo e, muitas vezes, atuam em ambientes distantes dos centros urbanos. Segundo Thaciana, falar sobre defesa pessoal não significa alimentar o medo, mas ampliar o preparo.
A palestrante iniciou a apresentação chamando atenção para a violência contra a mulher no Brasil, inclusive fora dos grandes centros. Para ela, a ideia de que cidades menores ou áreas rurais são sempre mais tranquilas precisa ser revista, especialmente por mulheres que trabalham no setor e se deslocam com frequência.
“Sem romantismo, os números não mentem”, afirmou, ao citar dados sobre feminicídio e violência contra mulheres no país. Thaciana destacou que muitos casos envolvem pessoas próximas da vítima e reforçou a importância de manter atenção também em ambientes considerados familiares ou seguros.
Presença, postura e antecipação de riscos
A partir da lógica do jiu-jitsu, a palestra foi estruturada em cinco pilares: presença, postura, resiliência, ação e repetição. Cada ponto foi associado tanto à defesa pessoal quanto à forma como mulheres ocupam espaços no campo, nos negócios e nas relações profissionais.
No primeiro pilar, a presença, Thaciana destacou que ocupar espaço não depende de volume ou imposição, mas de segurança corporal e consciência do próprio lugar. “Presença não é volume, presença é gravidade”, afirmou. Para ela, a mulher não deve esperar que o espaço seja concedido, mas aprender a se posicionar com firmeza.
A postura foi apresentada como uma das principais formas de prevenção. Segundo a palestrante, muitos riscos podem ser reduzidos antes de qualquer confronto físico, a partir da atenção ao ambiente, da linguagem corporal e da capacidade de impor limites. “A maior defesa pessoal é a antecipação. É eu não me colocar na situação de risco”, explicou.
Thaciana também abordou a importância da voz, do olhar e da comunicação clara. Para ela, saber dizer “não”, manter o corpo firme e demonstrar segurança são atitudes que fazem parte da defesa pessoal. A palestrante ainda observou que mulheres, muitas vezes, são julgadas de forma diferente quando reagem sob pressão, o que torna ainda mais importante desenvolver preparo emocional e consciência sobre o próprio comportamento.
Do tatame ao agro: resiliência e preparo emocional
Ao falar sobre resiliência, Thaciana relacionou sua trajetória no tatame aos desafios enfrentados por mulheres no agro. Ela lembrou que a evolução no jiu-jitsu exige treino constante, exposição das próprias dificuldades e disposição para recomeçar após quedas. “Coragem não é ausência do medo. É agir apesar dele”, disse.
A palestrante também compartilhou experiências pessoais, como sua caminhada até a faixa preta, lesões enfrentadas ao longo da trajetória e a atuação no campo antes de se tornar palestrante e empreendedora. Para ela, a autoridade que exerce hoje vem da vivência prática no agro e no tatame.
Na parte prática da palestra, Thaciana demonstrou técnicas simples de defesa pessoal, como formas de escapar de puxões pelo braço, tentativas de estrangulamento em pé, controle dos braços e puxões de cabelo. As demonstrações foram feitas com voluntárias do público e reforçaram a importância de buscar treinamento em ambiente adequado.
Ao final, Thaciana defendeu que a defesa pessoal começa quando a mulher decide não ser mais pega desprevenida. Para ela, a técnica é importante, mas precisa estar acompanhada de autoconhecimento, preparo emocional, consciência corporal e repetição.
A programação do Agrishow Pra Elas segue até 1º de maio, com participação gratuita para os visitantes da feira.