Quando Michele Guizini começou a falar sobre agro nas redes sociais, o ambiente digital ainda era pouco explorado pelo setor. Era 2012, o Instagram dava seus primeiros passos no Brasil e a comunicação agropecuária nas plataformas sociais estava longe da força que alcançaria nos anos seguintes.

“Começou de forma despretensiosa”, relembra Michele. Na época, ela havia comprado um celular com tecnologia Android, baixado o Instagram e passado a compartilhar fragmentos de sua rotina. Pouco depois, em 2014, ao ingressar na faculdade de Agronomia, passou a mostrar também o cotidiano universitário, os livros, as experiências acadêmicas e sua relação com o campo.

A presença espontânea foi ganhando audiência. Segundo ela, o crescimento veio sem planejamento artificial ou tentativa de criar uma personagem. “Nunca foi forçado. Foi sempre essa Michele que está conversando aqui com você, de uma forma muito natural”, afirma.

Atualmente, Guizini tem mais de 220 mil seguidores no Instagram e faz parte do time dos Embaixadores da Agrishow. Durante sua presença no Louge dos Embaixadores, a criadora de conteúdo falou sobre sua trajetória como uma das pioneiras do agro nas redes sociais, a evolução da comunicação do setor, o avanço das novas tecnologias e a importância da presença feminina no agronegócio.

Comunicação simples para aproximar o agro da sociedade

Ao longo dos anos, Michele consolidou uma atuação voltada a traduzir temas técnicos do agronegócio para públicos mais amplos. Para ela, comunicar o agro exige estudo constante, domínio sobre as transformações do setor e capacidade de tornar a informação acessível.

A influenciadora lembra que a produção de conteúdo no agro vai além de gravar vídeos ou publicar nas redes sociais. Por trás da comunicação, há pesquisa, formação e atualização permanente. “Todo dia tem inovação para o agro, todo dia tem uma formulação de produto diferente, um princípio ativo novo no mercado, uma tecnologia para maquinário. A gente nunca pode parar no tempo”, destaca

Essa preocupação também orienta a forma como ela enxerga o papel da comunicação agropecuária. Mais do que dialogar apenas com quem já vive o campo, Michele defende que o setor precisa ampliar a conversa com quem está fora da porteira.

“O que a gente precisa comunicar é para quem está da porteira para fora, para que as pessoas consigam ver o valor que realmente o agro tem para o Brasil, para o PIB, para as pessoas e para o mundo”, afirma.

Agrishow como palco das inovações do agro

Em 2026, Michele chega ao quarto ano consecutivo como embaixadora da Agrishow. O convite, segundo ela, representa a continuidade de uma parceria construída com identificação, presença e responsabilidade.

Para a criadora de conteúdo, a feira ocupa um papel estratégico na aproximação entre produtores, empresas, tecnologias e novas tendências do setor. “A Agrishow é o palco dessas inovações”, resume.

Ela destaca que o evento permite ao produtor rural conhecer de perto soluções que podem impactar diretamente a atividade no campo, de novos produtos e formulações a máquinas, tecnologias embarcadas e ferramentas de gestão. “Todas as pessoas que vivem o agro, que nasceram no berço do agro e procuram inovação precisam conhecer a Agrishow pelo menos uma vez na vida”, afirma Michele.

Na avaliação da embaixadora, estar na feira também significa estar atento ao movimento do mercado. Para ela, o produtor que visita a Agrishow acompanha de perto as principais transformações tecnológicas e comerciais do agronegócio.

Automação e inteligência artificial no radar do produtor

Entre as tendências que devem ganhar cada vez mais espaço no campo, Michele aponta duas frentes centrais: automação de maquinários agrícolas e inteligência artificial.

Segundo ela, essas tecnologias “vieram para ficar” e passam a fazer parte de uma nova realidade operacional no agro. A inteligência artificial, em sua visão, não deve ser entendida como ameaça, mas como ferramenta de apoio à tomada de decisão, à eficiência e à competitividade.

“A inteligência artificial está aí para nos ajudar. Mas, se você não souber dominar as ferramentas, vai ficar perdido no tempo”, avalia.

A leitura dialoga com um movimento cada vez mais presente no campo: o uso de dados, conectividade, automação e sistemas inteligentes para ampliar precisão, produtividade e capacidade de resposta do produtor rural.

Presença feminina: ocupar espaços com coragem

A participação feminina no agro também é um dos temas centrais da trajetória de Michele. Em um setor historicamente marcado pela presença masculina, ela vê avanços importantes, mas acredita que ainda há um desafio ligado à autoconfiança das próprias mulheres. “Na minha opinião, não falta nada. Falta só a própria coragem da mulher tomar o espaço que é dela por direito”, afirma.

Michele reconhece que o preconceito ainda existe, mas ressalta que muitas mulheres também precisam romper barreiras internas para assumir posições de liderança, influência e decisão no setor.

Para quem está começando no agro, o conselho é direto: estudar, fazer contatos, acompanhar profissionais experientes, visitar feiras como a Agrishow e buscar oportunidades mesmo no início da carreira.

Na visão da embaixadora, conhecimento, presença e relacionamento seguem como pilares para quem deseja construir uma trajetória sólida no agronegócio. E, para ela, a Agrishow é um dos espaços onde essas conexões acontecem com mais força.