O Pavilhão do Produtor Artesanal na Agrishow traduz, na prática, o prório tema da feira: a força de nossas raízes. Neste ano, mais de 90 produtores paulistas estão no pavilhão para mostrar aos visitantes as Rotas de São Paulo, tema deste ano para o setor.

“O pavilhão dos artesanais reforça o nosso compromisso em valorizar a produção regional, a integração de experiências ligadas ao turismo rural e gastronômico paulista. E, neste ano, vemos um crescimento contínuo e uma consolidação do pavilhão como um dos espaços mais atrativos da feira”, conta Albert Simoncini, chefe de serviço da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de SP.

Distribuído em diversas rotas para o visitante conhecer, como queijo e café, além do Programa Sabor de São Paulo, o espaço se torna um local de identidade territorial, contando as histórias de famílias que vivem, diariamente, o agronegócio brasileiro.

Todos os expositores são certificados pelo Serviço de Inspeção de São Paulo (SISP), da Defesa Agropecuária, com o selo de qualidade de produto agro artesanal. João Carlos Marchesan, presidente da Agrishow, destaca que “o Pavilhão dos Artesanais representa a valorização da cultura, da tradição e da economia rural de São Paulo. É uma oportunidade de fortalecer a identidade regional e estimular o crescimento econômico do estado”.

Sabor de São Paulo: da família para o agronegócio

A partir de uma tradição familiar, em Novo Horizonte, no interior de São Paulo, a Farofas Cunha’s carrega no próprio nome o sobrenome que sustenta essa origem. A farofa, inicialmente preparada pela mãe de Ryan Cunha, proprietário do negócio, para o consumo cotidiano da família, ganhou reconhecimento entre a vizinhança até ultrapassar o ambiente doméstico e se transformar em empreendimento.

O que era receita caseira passou a ser produto, mantendo como diferencial a produção artesanal à base de soja, elemento que reforça identidade, sabor e o valor percebido pelo consumidor, cada vez mais atento à procedência dos alimentos. “Temos notado uma preferência crescente dos consumidores por produtos mais artesanais, com menos aditivos químicos e menos corantes artificiais”, ressalta Ryan.

Rota do Queijo revela qualidade de vida no campo

A transição da cidade para o campo, há 14 anos, marcou o início do negócio de Juliana Furlan, proprietária da Estância do Queijo, impulsionada pela busca por qualidade de vida. Após capacitações pelo Senar (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural), a produtora encontrou nos queijos artesanais uma vocação, e estruturou a atividade com regularização e laticínio próprio.

O diferencial está na produção artesanal, sem conservantes, com receitas de tradição familiar aliadas à inspeção e à segurança alimentar. “Já é a nossa quarta vez na feira, e percebo que as buscas aumentaram. Há visitantes que estiveram em edições anteriores, compraram e agora retornam já sabendo exatamente o que querem levar”, conta.

Tradição e sabor

De Casa Branca, a Seu Pé de Jabuticaba traz iguarias preparadas à base de jabuticaba, como farinha, salame com cascas da fruta e geleias agridoces, com alho, pimenta ou cebola. Também é possível degustar geleias, vinagre, gelatos e sorvetes. A propriedade mantém oito mil pés da fruta e abre as portas para os visitantes na época da colheita, entre setembro e outubro.

Produzidos à base de leite cru os queijos Pardinho, surpreendem pelo sabor. Premiados internacionalmente, os destaques ficam para o mandala (maturado 12 meses com notas de amêndoas), o cuestinha (cremoso e suave) e o cuestazul (azul suave). São queijos, maturados, com mofo azul e de casca lavada, produzidos a partir de leite das raças gir, jersey e girsey.

De Altinópolis, a Pietá Café oferece um delicioso café passado na hora. Os visitantes podem adquirir o produto em grão, moído ou em cápsulas. Produto elaborado há quatro gerações na fazenda Nove de Julho, a partir do café das variedades catuaí e arara. O resultado é um café de torra média para clara, com notas de sabor chocolate.  

Consumidor busca valor agregado no produto artesanal

Para o consumidor, o produto artesanal carrega valor em sua origem, na história e no cuidado envolvido em cada etapa da produção. Há um interesse crescente em entender quem produz, como produz e quais escolhas estão por trás do alimento: desde a criação do próprio gado até práticas e processos longos de maturação.

Esse conjunto revela um nível de dedicação que vai além da escala industrial e se traduz em qualidade percebida, reforçada também pela atenção a ingredientes e composição. 

“Esses detalhes mostram o cuidado que o produto artesanal carrega. Eu sinto muito amor envolvido quando vejo produtos que ficam maturando por mais de um ano. Isso é incrível, principalmente quando vem de um pequeno produtor”, conta Mayra Ribeiro, visitante da Agrishow 2026, que esteve no Pavilhão do Produtor Artesanal.

Mais do que vitrine de inovação, a Agrishow também expõe uma transformação no comportamento de consumo: cresce o interesse por produtos com origem rastreável, história e identidade. Nesse cenário, o produtor artesanal deixa de ocupar um espaço complementar e passa a representar, de forma concreta, a conexão entre o campo, o alimento e o consumidor. Visite a feira até 1 de maio!