A decisão de investir em máquinas e tecnologias no campo vai muito além da escolha pelo equipamento mais moderno. Para o produtor rural, produtividade está diretamente ligada ao dimensionamento correto da operação, ao tipo de cultura, à área cultivada, à logística da fazenda e, principalmente, ao retorno que aquela tecnologia pode gerar no dia a dia.

Na Agrishow, esse debate ganha ainda mais força entre produtores que visitam a feira em busca de soluções capazes de aumentar rendimento, reduzir perdas e melhorar a eficiência operacional. Seja na colheita, pulverização, adubação ou plantio, o desafio está em entender qual equipamento realmente atende às necessidades de cada propriedade.

Segundo João Victor de Oliveira, coordenador de produto da Jacto, não existe uma resposta única sobre qual é a melhor máquina, porque cada operação exige uma análise específica. “Quando falamos de produtividade, precisamos entender o que isso significa para cada produtor. Pode ser rendimento operacional, capacidade de hectares trabalhados por dia, qualidade de aplicação ou redução de perdas. Cada agricultor tem uma prioridade diferente”, explica.

Um exemplo é o mercado de colhedoras de café, que vem registrando expansão impulsionada pelo aquecimento do setor e pela maior capacidade de investimento do produtor. Nesse cenário, a mecanização permite aumentar significativamente o volume colhido em menos tempo, além de abrir espaço para expansão da lavoura.

“Uma colhedora, seja menor ou até uma automotriz, que já possui seu próprio sistema de tração, aumenta muito o rendimento da operação. Isso permite ao produtor pensar em mais produtividade e até em ampliar sua área mecanizada”, afirma.

Na pulverização, a lógica é semelhante. A escolha entre equipamentos tratorizados, pulverizadores autopropelidos ou até drones de aplicação depende de fatores como tamanho da propriedade, distância entre talhões, estrutura já existente na fazenda e objetivo da operação. Em muitos casos, a melhor decisão não está no maior investimento, mas na solução mais adequada para a realidade da fazenda.

Tecnologia na medida certa: produtividade com estratégia

Se a escolha da máquina ideal depende da realidade de cada fazenda, o mesmo vale para a tecnologia embarcada nesses equipamentos. Para Fernando Caprio, diretor-presidente e CEO da Baldan, o principal critério de decisão do produtor em 2026 continua sendo a produtividade, aliada à eficiência operacional e ao retorno financeiro.

Segundo ele, não existe uma solução única para o campo brasileiro, já que cultura, topografia, clima e porte da operação mudam completamente as necessidades de cada produtor. Por isso, o desafio está em entregar tecnologia na medida certa, sem excessos que encarecem o investimento e comprometam o retorno econômico.

“No fim, o produtor busca competitividade de custo para enfrentar momentos de preços internacionais baixos e insumos altos. A produtividade continua sendo a grande resposta”, afirma.

No plantio, por exemplo, as janelas estão cada vez mais curtas, o que exige mais velocidade e precisão. Caprio cita como exemplo uma plantadeira desenvolvida para reduzir a demanda energética sobre o trator, permitindo maior velocidade de operação ou a possibilidade de trabalhar com mais linhas, de acordo com a estratégia da fazenda.

Mais do que investir na máquina mais tecnológica, o produtor busca hoje a solução que realmente entrega resultado e faz sentido para a sua realidade no campo.

A Agrishow acontece em Ribeirão Preto, até 1 de maio. Garanta seu ingresso online e com desconto no site oficial da feira.