A primeira visita de Bruno e Jonathan Tomateiro à Agrishow também marcou a estreia dos irmãos no time de embaixadores da feira. Naturais de São José da Varginha, município de cerca de 4 mil habitantes em Minas Gerais, eles estiveram no Lounge dos Embaixadores e conversaram com a Agrishow Digital sobre tomaticultura, produção de conteúdo, inovação no campo e os desafios de uma cultura que exige manejo constante, qualidade e capacidade de adaptação.

A relação dos irmãos com o campo começou muito antes da presença nas redes sociais. Eles representam a terceira geração de uma família dedicada à tomaticultura. A atividade teve início com o avô, passou pelo pai e hoje segue com Bruno e Jonathan na produção de tomates, ao lado da empresa familiar Fofão do Tomate.

A decisão de mostrar essa rotina ao público nasceu de uma situação comum para quem produz alimentos, mas muitas vezes invisível para quem consome. Em uma ida ao supermercado, Jonathan ouviu consumidoras reclamando do preço do tomate, vendido a R$ 9,99 o quilo. A partir dali, percebeu a distância entre o valor pago na gôndola e a compreensão sobre os custos, os riscos e as etapas envolvidas na produção.

A produção de conteúdo começou no TikTok e, depois, ganhou força também no Instagram. Com o crescimento das páginas, os irmãos passaram a dialogar com dois públicos distintos: produtores em busca de informações sobre manejo e produtividade, e consumidores interessados em entender melhor o caminho do tomate até a mesa. Hoje, os perfis somam mais de 150 mil seguidores.

Do supermercado às redes sociais

Segundo os irmãos, o objetivo inicial era simples: mostrar a dificuldade de produzir tomate. Mas o conteúdo rapidamente ganhou uma função educativa. Produtores passaram a tirar dúvidas sobre técnicas, produtos e formas de manejo. Ao mesmo tempo, consumidores começaram a enxergar com mais clareza o trabalho por trás da produção.

“A informação chegou onde tinha que chegar, que era no produtor, para ele aumentar a produtividade e fazer um produto com mais qualidade para pôr na mesa do brasileiro”, afirmam.

Para o público urbano, o impacto também foi perceptível. De acordo com os irmãos, muitas pessoas passaram a rever a percepção sobre o preço do tomate depois de acompanhar a rotina da lavoura. O que antes era visto apenas como um produto caro na prateleira passou a ser entendido como resultado de uma cadeia que envolve clima, mão de obra, insumos, manejo e riscos constantes.

Decisão rápida e manejo constante

A tomaticultura é uma das culturas mais exigentes do hortifruti. O ciclo demanda acompanhamento próximo, alta atenção ao manejo e decisões rápidas ao longo de toda a produção. Para Bruno e Jonathan, essa complexidade reforça a importância de combinar experiência de campo, troca entre produtores e abertura para novas tecnologias.

A operação da família também ultrapassa o mercado local. Parte da produção é enviada para diferentes regiões do Brasil e também para países próximos da América do Sul, por meio de intermediários responsáveis pela exportação. No caso das vendas externas, os tomates precisam seguir em caminhões refrigerados, com ponto de maturação adequado para suportar a viagem e chegar ao destino em boas condições.

Os irmãos citam mercados como Paraguai e Guiana Francesa como oportunidades para o tomate brasileiro. No caso da Guiana Francesa, por exemplo, eles destacam que a produção local é limitada e que o abastecimento depende de outros países. “Só se exportava soja, milho, café, carne, mas o tomate também dá para ser exportado para o país daqui do lado”, destacam.

Tecnologia também transforma o hortifruti

Quando se fala em inovação no agro, é comum associar o tema a grandes máquinas e extensas áreas de grãos. No entanto, para os irmãos Tomateiro, o hortifruti também passa por uma transformação importante.

Na tomaticultura, eles apontam a irrigação como uma das tecnologias que mais impactaram a produtividade nos últimos anos. Antes, segundo relatam, o processo era mais manual. Hoje, sistemas mais estruturados permitem maior controle sobre a água e melhores condições para o desenvolvimento da lavoura.

Outra tendência em avanço é o uso de drones para pulverização. A tecnologia, ainda mais consolidada em culturas como soja e milho, começa a ganhar espaço também no tomate. Os irmãos já realizaram um dia de campo com demonstração de drone e adquiriram um equipamento para aplicação nas lavouras.

“O drone vai ser uma tecnologia que ainda não é muito forte no tomate, mas vai ajudar o produtor. Hoje, a pulverização para aplicação de foliar e defensivo tira muito tempo”, explicam.

Além de reduzir a dependência de mão de obra, uma das principais dores do setor, a mecanização pode contribuir para maior padronização nas aplicações. Para os irmãos, esse tipo de solução ajuda a reduzir custos operacionais e a buscar mais qualidade na produção.

HF tem espaço na principal feira agrícola da América Latina

Em sua primeira participação como embaixadores da Agrishow, Bruno e Jonathan destacam a importância de ver o hortifruti representado em uma das maiores vitrines do agronegócio. Para eles, a feira permite que produtores acompanhem tendências, tecnologias e soluções que também podem chegar às culturas intensivas, como o tomate. “O produtor que não se atentar à tecnologia vai ficar para trás, porque tudo está mudando”, eles comentam.

A presença do HF na Agrishow também reforça a relevância de uma cadeia que abastece diretamente a mesa do consumidor. Diferentemente de culturas que passam por processamento industrial, o tomate tem ciclo curto entre colheita, comercialização e consumo.

Trabalho e persistência no campo

Ao falar com pequenos produtores que desejam crescer, os irmãos retomam a própria trajetória. Antes de estruturarem a produção atual, contam que começaram como meeiros, trabalhando em áreas de outros produtores. Em 2019, decidiram iniciar a própria produção, enfrentando dificuldades e riscos.

Para eles, não existe crescimento sem persistência, dedicação e trabalho bem feito. A mensagem final dos irmãos reforça uma visão prática da vida no campo: produtividade e resultado são consequência de trabalho constante, manejo correto e resiliência diante dos desafios.