O produtor rural tem feito movimentos estratégicos e calculados em relação aos seus investimentos. Com a safra de grãos estimada em 353,4 milhões de toneladas no ciclo 2025/26, a perspectiva é se preparar para essa projeção elevada e buscar novas soluções para o campo, a fim de garantir a eficiência produtiva.
Para impulsionar o agronegócio brasileiro, o Plano Safra 2025/26 disponibilizou R$ 516,2 bilhões para o crédito rural. Em contrapartida, os juros que vão de 8,5% a 14% nas linhas de crédito, somados às margens apertadas, geraram um impacto para o produtor: investir com cautela e buscar soluções que tragam retorno mais rápido.
Diante desse cenário, a 31ª edição da Agrishow traz uma perspectiva otimista para que o produtor possa investir com mais segurança.
Soluções alternativas de crédito ganham espaço na Agrishow
Para o presidente do Sindicato dos Produtores Rurais, mesmo diante do cenário atual, o agricultor busca investir e criar condições específicas para modernizar a produção e, assim, aumentar a produtividade.
“Hoje o agricultor busca cerca de 70% do Plano Safra por fora. Então, ele usa o que tem e ainda recorre a cooperativas e outras linhas de crédito disponíveis no mercado para fortalecer esse processo como um todo”, revela.
De maneira geral, o produtor busca alternativas de investimento, mas com um controle mais rigoroso dos custos. Para isso, avalia todas as possibilidades disponíveis, seja via barter, relação de troca, consórcio ou crédito privado, para encontrar a melhor forma de financiamento. Segundo Yuri Ferezin, diretor executivo da Sicoob Cocred, a cooperativa está conseguindo trazer linhas que ajudam o produtor de forma efetiva.
“Percebemos que, neste momento, estamos trabalhando com linhas de crédito mais competitivas, até antecipando parte do Plano Safra. Assim, conseguimos evoluir e atuar de forma mais efetiva no financiamento, uma vez que, na ponta do cooperado, ele entende que a relação de troca está desfavorável nesse momento”, explica.
Mudança de comportamento: mais critério e estratégia para financiar
Por outro lado, é possível analisar esse cenário de maneira mais otimista. Para Felipe Duch, Superintendente Nacional Mega Produtor Rural do Banco do Brasil, essa fase que o agronegócio atravessa representa um momento de aprendizado para produtores, mercado financeiro e indústria como um todo. Isso porque há uma busca maior por seletividade na alocação de recursos e na realização de investimentos.
“O cenário traz um momento de maior aprendizado, de busca por retorno e de fazer mais contas. E isso é positivo, no sentido de tornar o agronegócio cada vez mais profissionalizado, com foco no retorno sobre o investimento”, ressalta.
Outra percepção do superintendente é a mitigação de risco, já que produtores rurais têm buscado mais proteção, principalmente na contratação de seguros. “Diante dos eventos climáticos recentes, o produtor está mais consciente na prevenção de riscos climáticos, com a contratação de seguros rurais”, afirma.
Segundo Ademir Carota, diretor executivo da Sicoob Cocred, as decisões passaram a ocorrer de forma mais estruturada. Hoje, o produtor avalia melhor suas necessidades, compara alternativas e busca soluções que tragam ganho real de eficiência para a atividade.
“Esse movimento está diretamente ligado à adoção de tecnologias que ajudam a reduzir perdas, otimizar recursos e aumentar a previsibilidade da produção”, explica o diretor.
Busca por investimento visa rápido retorno financeiro e payback
Que o retorno financeiro e o payback sempre foram fatores de decisão de compra para o produtor não é novidade. Mas, neste cenário, o retorno precisa não apenas acontecer: ele precisa ser rápido.
De acordo com Ferezin, em um contexto de maior cautela financeira, projetos mais sustentáveis e seguros são aqueles que apresentam planejamento bem estruturado, com projeções realistas de fluxo de caixa, alinhadas ao ciclo produtivo e à capacidade de pagamento do produtor.
“O produtor rural hoje circula pela feira com um objetivo muito claro. Ele compara, questiona, busca entender aplicabilidade, retorno e impacto direto na sua operação. Aquilo que antes poderia ser visto como algo distante ou até utópico passa a ser analisado dentro de uma lógica de viabilidade, com apoio técnico e financeiro para transformar inovação em resultado concreto”, explica o diretor executivo da Sicoob Cocred.
Soluções e iniciativas de crédito e financiamento para manter investimentos
Com foco em agregar valor à eficiência financeira e de manejo, o Banco do Brasil destaca a utilização de programas do BNDES, como o Inovagro – Programa de Incentivo à Modernização e à Inovação Tecnológica na Produção Agropecuária; e o Renovagro – Programa de Financiamento a Sistemas de Produção Agropecuária Sustentáveis, entre outros.
“Estamos bastante animados com a receptividade e com a procura de muitos produtores para conversar conosco, tanto na busca por soluções de investimento quanto por iniciativas sustentáveis”, explica o superintendente Felipe Duch.
Além disso, para apoiar ainda mais o produtor, de acordo com Ademir Carota, diretor executivo da Sicoob Cocred, o compromisso da cooperativa vai além dos produtos e serviços e também se reflete em iniciativas internas. A criação do Comitê de Ativos e Passivos (ALCO) exemplifica essa atuação mais estruturada, com a presença de um economista especializado, ampliando a capacidade de análise e a consistência técnica na leitura de cenários, especialmente no agro.
O comitê acompanha continuamente o contexto macroeconômico, avaliando indicadores como taxa de juros, inflação e comportamento de mercado para orientar decisões mais assertivas.
“Esse trabalho permite alinhar melhor a gestão dos recursos, garantindo mais eficiência e competitividade nas soluções oferecidas aos cooperados”, finaliza o diretor.
Na Agrishow 2026, crédito e financiamento se consolidam como parte estratégica da produtividade no campo. Com soluções que combinam investimento, inovação e sustentabilidade, o produtor encontra caminhos mais viáveis para ampliar a eficiência operacional e tomar decisões com mais segurança.