A agricultura de precisão em 2026 já se consolidou como ferramenta prática no dia a dia do produtor rural. A digitalização deixou de ser uma tendência futura para se tornar parte estratégica da operação, apoiando decisões mais rápidas, eficientes e sustentáveis.
Hoje, a discussão gira em torno de como utilizar dados, conectividade, automação e telemetria de forma inteligente para aumentar a produtividade e reduzir riscos. O avanço dessas soluções revela um setor mais maduro, em que a gestão orientada por dados passa a ocupar um papel central no planejamento e na execução das atividades no campo.
Segundo dados da pesquisa SAE Brasil “Caminhos da Tecnologia no Agronegócio”, de 2026, o uso de ferramentas digitais já está presente em grande parte das propriedades rurais. O levantamento mostra que 91% dos produtores utilizam GPS nas operações agrícolas, 85% adotam aplicativos de gestão financeira, 76% recorrem a imagens de satélite e aplicativos de gestão agronômica e 70% utilizam práticas de agricultura de precisão.
Conectividade como fator estratégico da operação no campo
Para Cristiano Paim Buss, diretor de Pesquisa e Desenvolvimento de Engenharia de Produto, Novos Negócios e TI da Stara — empresa pioneira em agricultura de precisão há 25 anos —, o amadurecimento do setor também está diretamente ligado à necessidade de tomada de decisão em tempo real no campo.
Pensando nisso, a Stara embarcou a conectividade Starlink diretamente em alguns modelos de plantadeiras. Multinacionais concorrentes já haviam levado o sinal via satélite para a cabine de tratores e colheitadeiras, mas a aposta da fabricante gaúcha foi posicionar a banda larga onde a operação efetivamente acontece: no implemento.
“Não dá tempo de ir para um escritório, processar e devolver; a máquina está aplicando a 20 km/h no meio de uma lavoura toda manchada de erva daninha. Tem que tomar decisão na hora”, afirma. Segundo ele, a velocidade da conexão na plantadeira já chega a um gigabit.
O grande lançamento da marca neste ano é o Land Space, um ecossistema de tecnologia que integra conectividade via satélite, monitoramento de máquinas, telemetria, sincronização operacional e assistência técnica remota.
“O agricultor pedia: quero sinal pago, quero ter telemetria, quero monitoramento, e ele comprava produtos separados. Então entendemos que isso não poderia funcionar de forma isolada. Criamos um ecossistema de tecnologia”, explica.
Ele ainda complementa que a automação não substitui o produtor, mas passa a dividir tarefas com ele. Enquanto a máquina assume decisões operacionais embarcadas, como calibragens, manobras de cabeceira e aplicações localizadas, o agricultor mantém o controle sobre as decisões estratégicas da operação.
“A máquina toma decisões operacionais sozinha. A decisão estratégica, com o cockpit de dados, ainda é do agricultor”, afirma.
Drones pulverizadores: precisão, autonomia e eficiência na operação
O uso de drones é uma das soluções em que o produtor vem investindo cada vez mais, incorporando essa tecnologia à rotina no campo. Ainda segundo a pesquisa da SAE Brasil, os drones já estão presentes em 61% das propriedades analisadas, com aplicações que vão desde o monitoramento das lavouras até a pulverização localizada, além do apoio na identificação de pragas, falhas de plantio e estresse das culturas.
De acordo com Raquel Zhang, gerente regional de vendas para o mercado brasileiro da DJI Agricultura, um dos principais benefícios do uso dos modelos da marca é a capacidade de operar com eficiência em terrenos complexos. Os modelos mais atuais armazenam o trajeto realizado em voo manual e replicam automaticamente a rota nas pulverizações seguintes do mesmo talhão.
Outro ponto relevante, especialmente para culturas como café e citros, é que, segundo a DJI, os equipamentos permitem a regulagem do tamanho das gotas entre 50 e 500 micrômetros. Essa faixa, combinada à pressão do fluxo de ar do rotor, garante maior penetração no dossel de culturas mais densas.
“A operação tem dois modos: voo automatizado, em que o drone ajusta a altitude conforme a topografia mapeada, e voo manual. Em ambos, é o operador quem define a vazão de aplicação. O drone regula os bicos durante o voo conforme o parâmetro estabelecido”, explica Raquel.
Atualmente, os modelos T25P, T70P e T100 da DJI contam com detecção automática de obstáculos em voo. O drone identifica pessoas, veículos ou animais na área de decolagem e ao redor da rota, exibindo-os em AR no controle remoto e pairando automaticamente em caso de risco.
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