A chegada de massas de ar polar e o risco de geadas colocam o clima entre as variáveis que exigem atenção do produtor durante os meses mais frios. Para culturas sensíveis às baixas temperaturas, antecipar esse risco pode fazer diferença na proteção da lavoura e na redução de perdas.

Nesse cenário, ferramentas agrometeorológicas, sensores, sistemas de monitoramento e técnicas de cultivo protegido vêm ampliando a capacidade de tomada de decisão antes da ocorrência do frio extremo.

A lógica é transformar dados meteorológicos em ações de manejo.

“A agricultura brasileira deixou de ser reativa para se tornar preditiva. O maior avanço da ciência agrícola nunca foi vencer a natureza, mas aprender com ela. A tecnologia mais importante é, muitas vezes, invisível: são os dados meteorológicos, o conhecimento científico e a capacidade de antecipar decisões no manejo para proteger as lavouras e manter o abastecimento”

Maquiel Vidal Nardon, coordenadora do curso de Agronomia da UNIASSELVI.

Da previsão à decisão no campo

Entre os recursos disponíveis para avaliar o risco climático estão o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC), sistemas preditivos baseados em Internet das Coisas (IoT) e modelos agrometeorológicos.

Essas ferramentas permitem acompanhar as condições que podem favorecer a ocorrência de geadas e, a partir das informações obtidas, definir medidas para reduzir os possíveis danos às culturas.

Uma delas é a irrigação antigeada. A técnica utiliza a liberação do calor latente da água como forma de proteção dos tecidos vegetais.

Outras alternativas incluem mantas térmicas, túneis e estufas, especialmente para culturas mais sensíveis ao frio. Entre os exemplos estão tomate, pimentão, morango e frutos que se encontram na fase de floração.

Assim, a tecnologia não elimina a ocorrência dos eventos climáticos, mas amplia a possibilidade de antecipação e intervenção do produtor.

Menos perdas ajudam a preservar a oferta

A prevenção de perdas também ultrapassa os limites da propriedade rural.

Quando eventos climáticos provocam grandes quebras de safra, a redução da quantidade de alimentos disponível no mercado pode gerar choques de oferta. Diminuir esses danos contribui, portanto, para preservar a disponibilidade de hortifrútis.

Isso não significa que a tecnologia aplicada contra geadas determine sozinha quanto o consumidor pagará pelos alimentos. O preço final também depende de fatores como logística, custos de insumos e demanda.

O papel da gestão do risco climático está em reduzir a possibilidade de perdas drásticas na produção e, consequentemente, contribuir para maior estabilidade da oferta.

Tecnologia também pode chegar ao pequeno produtor

O uso de informação para enfrentar eventos climáticos extremos não está restrito às grandes propriedades.

Aplicativos com alertas meteorológicos, boletins agroclimáticos e alternativas de cultivo protegido de menor custo ampliam o acesso de pequenos produtores e agricultores familiares a ferramentas que podem apoiar a preparação para períodos de frio intenso.

Nesse modelo, mais do que reagir aos danos depois de uma geada, a estratégia passa pela combinação de previsão, informação e manejo.

É a aplicação dos dados à rotina da propriedade que transforma a tecnologia em uma ferramenta para proteger a produção e tornar a gestão do risco climático mais eficiente.