No dia 17 de outubro, celebramos o Dia Nacional da Agricultura, uma data que convida à reflexão sobre o impacto da agricultura na economia brasileira. Mais do que uma atividade produtiva, a agricultura é uma força vital da economia, impulsionando o PIB, as exportações, a geração de empregos e a segurança alimentar do país.

Em 2026, os indicadores de produção, emprego e exportações ajudam a dimensionar a participação da agricultura na economia brasileira. Os números também mostram os desafios enfrentados pelos produtores, entre eles os custos de produção, a infraestrutura, as condições climáticas e a necessidade de manter as máquinas em funcionamento durante a safra.

A dimensão econômica do setor

De acordo com o Cepea, em parceria com a CNA, o agronegócio brasileiro registrou crescimento superior a 12% em 2025, mas apresentou retração de 2,01% no primeiro trimestre de 2026. Considerando os resultados do período e as projeções para o ano, a participação do setor no PIB nacional está estimada em 22,8% em 2026, ante 25,2% em 2025. Os indicadores consideram toda a cadeia do agronegócio, incluindo atividades anteriores e posteriores à produção agropecuária.

As exportações também ajudam a dimensionar a participação do agronegócio na economia. Em 2025, o Brasil registrou US$ 169,2 bilhões em vendas externas do setor, recorde histórico e crescimento de 3% em relação ao ano anterior, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária. Entre janeiro e setembro de 2026, as exportações já somavam US$ 133,6 bilhões, alta de 5,5% na comparação com o mesmo período de 2025, conforme dados do AgroStat. Soja, carnes e outros produtos agropecuários seguem entre os principais itens da pauta exportadora brasileira.

Esse desempenho consistente faz do setor o principal motor do superávit das exportações nacionais. Em outras palavras, o agronegócio é decisivo para o balanço comercial do Brasil, garantindo entrada de divisas e estabilidade macroeconômica mesmo em períodos de crise global.

As perspectivas para a produção agrícola também ajudam a explicar o peso do setor na economia brasileira. No primeiro levantamento da safra 2026/27, divulgado em 15 de outubro de 2026, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estimou uma produção de 367,1 milhões de toneladas de grãos, crescimento de 1,4% em relação à safra anterior.

A área cultivada deve alcançar 85,4 milhões de hectares, avanço estimado em 2,3%. Como se trata da primeira projeção do ciclo, os resultados ainda dependem do desenvolvimento das lavouras e das condições ao longo da temporada.

De acordo com Pedro Abel Vieira Júnior, pesquisador da área de estratégia da Embrapa, “a cadeia de valor do agronegócio representa cerca de 25% do PIB brasileiro. Em termos de emprego, ela responde por aproximadamente 18% dos postos formais de trabalho”. Ele alerta que, apesar da estagnação econômica geral do país — que cresceu apenas 0,5% ao ano na média dos últimos 20 anos — a produtividade agrícola avançou 3,5% ao ano, superando a média mundial. “Sem a agricultura, o desempenho econômico brasileiro seria muito mais frágil”, afirma.

Emprego, renda e desenvolvimento regional

A força da agricultura vai além das exportações: ela sustenta milhões de empregos e fomenta o desenvolvimento regional. A agropecuária gera empregos diretos nas lavouras, pastagens e agroindústrias, e indiretos nas cadeias de insumos, serviços, transporte e tecnologia.

Segundo levantamento do Cepea/CNA, o agronegócio brasileiro empregava 27,79 milhões de pessoas no primeiro trimestre de 2026, o equivalente a 25,73% da população ocupada no país. O contingente apresentou redução de 1% em relação ao mesmo período de 2025, após uma sequência de recordes de ocupação no setor.

A agricultura familiar também participa da geração de renda e da produção de alimentos em diferentes regiões brasileiras. Segundo o Censo Agropecuário de 2017, do IBGE, o segmento representava 76,8% dos estabelecimentos agropecuários do país e reunia 67% das pessoas ocupadas nesses estabelecimentos. Em área, respondia por 23% do total levantado. Os dados evidenciam a presença da agricultura familiar na estrutura produtiva brasileira, especialmente em propriedades de menor porte.

A produção voltada ao consumo interno — como leite, verduras, legumes e hortaliças — fortalece a segurança alimentar e reduz desigualdades. “O Brasil não pode abrir mão da agricultura familiar”, afirma o pesquisador, destacando que o cooperativismo tem sido fundamental para dar escala e competitividade ao setor. 

Inovação e tecnologia no agro com a agricultura

O Brasil também se destaca no cenário global pela inovação e tecnologia no agro. Tecnologias como agricultura de precisão, drones, sistemas de monitoramento remoto, sensores de solo e clima, e biotecnologia são cada vez mais comuns nas lavouras. A integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), por exemplo, já é uma referência de modelo produtivo com foco em sustentabilidade e meio ambiente.

Essas inovações não apenas aumentam a produtividade — elas reduzem perdas, otimizam recursos naturais e elevam a competitividade da produção nacional. A inovação e tecnologia no agro também ocorre através da atuação de instituições como a Embrapa, que lidera projetos de pesquisa e atua como articuladora entre governo, empresas e produtores.

No contexto da agricultura e da agricultura familiar, Pedro Abel Vieira Júnior cita o mercado de carnes como um bom exemplo para replicar aprendizados: “ Temos oportunidades e potencial para aumentar o impacto da agricultura na economia brasileira. Assim como aconteceu no mercado de carnes nos últimos anos, na agricultura, devemos buscar formas de agregar valor e também de fomentar as exportações agrícolas. Temos  enorme potencial na horticultura, por exemplo, que pode multiplicar produtividade e valor agregado”, diz. 

Além disso, o pesquisador defende o papel da gestão como pilar estratégico de desenvolvimento para a agricultura. “Confiança, coordenação e boa governança são indispensáveis para alavancar os ganhos do setor. Precisamos criar e manter mecanismos regulatórios claros e transparentes, programas de crescimento que visem o longo prazo e a diversificação de culturas, além de mais investimento em pesquisas. Não basta inovação e tecnologia no agro, é preciso boa articulação entre todos os atores das cadeias agroindustriais”.

Tecnologia no campo: como transformar dados em melhores decisões na fazenda

Como dados, agricultura de precisão, IA e gestão podem ajudar a reduzir perdas, controlar custos e melhorar decisões na propriedade.

Baixe o e-book!

Máquinas agrícolas e manutenção preventiva: o custo das paradas durante a safra

Além das tecnologias de monitoramento e agricultura de precisão, o desempenho das máquinas interfere diretamente no planejamento da produção. Tratores, colheitadeiras e outros equipamentos precisam operar dentro das janelas disponíveis para plantio, manejo e colheita. Uma falha mecânica nesse período pode atrasar operações e gerar despesas não previstas.

Segundo Arley Silva, gerente de Engenharia e Sucesso do Cliente da Promax Bardahl, jornadas prolongadas, terrenos irregulares, poeira, altas cargas de trabalho e variações de temperatura podem acelerar o desgaste dos componentes.

“Essas condições exigem atenção constante à manutenção preventiva. A perda de eficiência pode acontecer de forma gradual e, em períodos importantes da safra, uma máquina parada pode comprometer toda a operação”, explica.

Entre os cuidados apontados no material técnico da empresa estão a conservação do diesel, o acompanhamento da lubrificação do motor e a inspeção de filtros, mangueiras e componentes sujeitos a desgaste.

A manutenção deve respeitar os intervalos e as especificações dos fabricantes. Revisões programadas ajudam a identificar problemas antes que provoquem paradas durante os períodos de maior demanda. Para quem deseja organizar essa rotina, a Agrishow Digital já reúne orientações sobre manutenção de tratores agrícolas e cuidados com os sistemas de combustível e lubrificação.

Agricultura, sustentabilidade e meio ambiente

Com o protagonismo internacional, cresce também a responsabilidade ambiental do agronegócio brasileiro. O setor convive com pressões por cadeias agroindustriais mais sustentáveis, livres de desmatamento e de rastreabilidade assegurada. As exigências vêm tanto de consumidores quanto de mercados regulados, como União Europeia e China.

O especialista da Embrapa reconhece que o Brasil já possui sistemas sustentáveis consolidados — como o ILPF e programas de agricultura de baixo carbono. No entanto, a expansão desses modelos depende de confiança e governança, também para atrair mais investimentos privados. Segundo Pedro Abel Vieira Júnior, a transição energética é uma oportunidade única, mas exige “mais confiança na institucionalidade e segurança regulatória”.

Ele explica que o Brasil pode se posicionar como protagonista na transição energética global ao agregar valor às suas cadeias agroindustriais. A produção de biocombustíveis, como o etanol de milho, o avanço das proteínas alternativas e a integração entre sistemas vegetal e animal reforçam o potencial do país em oferecer soluções sustentáveis. 

Infraestrutura, crédito e obstáculos estruturais

Apesar dos avanços, ainda há gargalos relevantes para que o impacto da agricultura na economia brasileira seja plenamente aproveitado. A infraestrutura logística — especialmente estradas, ferrovias e portos — continua sendo um dos principais desafios para o escoamento da produção. A carência de estruturas de armazenagem agrava o problema, obrigando produtores a vender rapidamente e reduzindo seu poder de negociação e competitividade.

Outro ponto é o custo do crédito, que continua alto mesmo em programas oficiais. A falta de seguros rurais acessíveis também representa um risco, especialmente diante de eventos climáticos extremos.

Além disso, o pesquisador da Embrapa aponta a necessidade de maior articulação entre políticas públicas. “O Brasil precisa de programas coordenados que envolvam toda a cadeia produtiva, desde a produção primária até a comercialização e a agregação de valor”, destaca. A concentração da produção em poucas commodities também representa vulnerabilidades — tanto econômicas quanto geopolíticas.

Visão de futuro: diversificação, tecnologia e valor agregado

O futuro do agronegócio brasileiro está diretamente ligado à gestão do setor, além de sua capacidade de diversificação e inovação. A fruticultura, por exemplo, é apontada como um segmento promissor, com grande potencial de crescimento nos mercados internacionais — mas que ainda carece de mais apoio para abrir novos destinos comerciais.

Outras frentes estratégicas incluem o desenvolvimento de proteínas alternativas, biocombustíveis como o etanol de milho e o uso integrado de insumos vegetais e animais para maximizar o aproveitamento das cadeias. “O Brasil precisa olhar com visão de longo prazo, como a China faz com seu plano nacional de segurança alimentar”, reforça o especialista.

Ele destaca ainda que a Embrapa deve ser fortalecida como pólo de articulação e inovação — não apenas como geradora de tecnologia, mas como espaço de coordenação entre Estado, setor privado e produtores.

Um setor que move o Brasil

O impacto da agricultura na economia brasileira é amplo, profundo e estratégico. Ele se revela nos dados do PIB, nas exportações agrícolas, na geração de empregos no campo e na cidade, e no desenvolvimento regional. Mas vai além: o agro movimenta ciência, inovação, inclusão produtiva e segurança alimentar.

Em um mundo em constante transformação, o Brasil tem a chance de liderar a próxima geração de cadeias produtivas — mais tecnológicas, sustentáveis e conectadas. Para isso, precisa garantir previsibilidade, articulação institucional e programas que contemplem a complexidade e a potência desse setor.