O monitoramento automatizado de pragas usa equipamentos instalados na lavoura para registrar a presença de insetos e reunir dados que podem ser consultados pelo produtor ou pela equipe técnica.
Em entrevista concedida durante a Agrishow 2018, Andrei Grespan, cofundador e CEO da IAgro – Inteligência no Agronegócio, explicou o funcionamento da solução apresentada pela empresa para automatizar parte desse acompanhamento no campo.
O que é o monitoramento automatizado de pragas?
O monitoramento automatizado segue uma lógica semelhante à das armadilhas usadas para acompanhar determinados insetos na lavoura. A diferença está na coleta e no envio automático das informações registradas pelo equipamento.
Na solução Sentinela™, apresentada pela IAgro durante a Agrishow 2018, as armadilhas eram responsáveis por três etapas:
- atrair os insetos-alvo;
- quantificar as capturas;
- qualificar os insetos capturados.
Com esse processo, parte do acompanhamento deixava de depender exclusivamente da visita de um profissional à armadilha para fazer a contagem e registrar as informações.
Como funciona o monitoramento automatizado de pragas?
Os equipamentos ficam instalados nas áreas monitoradas e registram as capturas ao longo do período definido para acompanhamento.
No modelo apresentado pela IAgro em 2018, os dispositivos trabalhavam de forma autônoma e enviavam os dados coletados no campo para uma plataforma digital.
Coleta automática de dados
Em armadilhas convencionais, a verificação exige a ida de um profissional ao local para observar e contabilizar os insetos capturados.
No sistema mostrado pela empresa durante a feira, parte desse processo é automatizada. Os equipamentos fazem o registro das capturas e preparavam as informações para envio à plataforma.
Isso reduz a dependência da contagem manual como única forma de acompanhar as armadilhas distribuídas pela propriedade.
Transmissão da lavoura para a plataforma
Após a coleta, os dados são transmitidos dos equipamentos instalados na fazenda para um ambiente online.
Segundo Grespan, esse envio ocorre automaticamente, sem a necessidade de retirar manualmente as informações de cada armadilha.
A proposta é permitir que os dados registrados no campo possam ser consultados a partir de um sistema centralizado.
Como o produtor acessa os dados?
Em sistemas de monitoramento automatizado, as informações coletadas podem ser reunidas em plataformas digitais para consulta e acompanhamento.
No caso apresentado pela IAgro na Agrishow 2018, os registros enviados pelos equipamentos ficam disponíveis em um ambiente web protegido.
Segundo Grespan, o produtor pode consultar os dados coletados nas áreas monitoradas e acessar informações armazenadas de safras anteriores.
Informações das áreas monitoradas
A plataforma apresenta os registros obtidos pelos equipamentos distribuídos pela propriedade.
Com isso, o produtor pode acompanhar os dados das áreas monitoradas sem depender apenas da conferência presencial de cada armadilha.
Histórico de safras
O sistema também armazena informações de períodos anteriores.
De acordo com a explicação dada durante a Agrishow 2018, esse histórico permite consultar registros de outras safras e comparar dados obtidos em momentos distintos.
Como funciona o sistema de alerta?
Outra função apresentada pela IAgro era o sistema de alarme.
Segundo Grespan, a plataforma informa o produtor quando os equipamentos identificam um aumento inesperado na pressão de pragas.
O alerta serve como um aviso para que o responsável pela área analise a ocorrência e avalie a situação encontrada no campo.
Dessa forma, o produtor recebe uma indicação de mudança nos registros sem precisar esperar pela próxima visita às armadilhas.
Quais usos foram apresentados pela IAgro?
Durante a entrevista realizada na Agrishow 2018, Grespan citou diferentes possibilidades de uso dos dados reunidos pela plataforma.
Entre elas estão o acompanhamento das áreas, a comparação de registros e o apoio às decisões relacionadas ao manejo.
Acompanhamento das áreas da propriedade
Com os equipamentos instalados na lavoura e os dados reunidos na plataforma, é possível consultar informações de diferentes pontos da fazenda.
A proposta do sistema é facilitar o acompanhamento das armadilhas e reduzir a necessidade de usar somente a contagem manual para obter esses registros.
Comparação entre áreas e manejos
Grespan também explicou que os dados podem ser usados para comparar:
- diferentes manejos adotados na propriedade;
- diferentes áreas da fazenda;
- diferentes regiões produtoras;
- defensivos utilizados.
Essas informações permitem observar diferenças entre registros obtidos em locais ou períodos distintos.
Apoio às decisões de manejo
Os dados coletados pelo sistema podem ser usados como uma das fontes de informação para acompanhar o comportamento das pragas nas áreas monitoradas.
O produtor tem acesso aos registros das capturas, ao histórico armazenado e aos alertas emitidos pela plataforma.
Essas informações ajudam a identificar alterações nos dados coletados e serviam de apoio para a avaliação das medidas adotadas na propriedade.
Qual é a diferença em relação ao monitoramento manual?
A principal diferença está na forma como os dados são coletados e disponibilizados.
No acompanhamento convencional, um profissional precisa ir até a armadilha, verificar as capturas e registrar as informações.
No monitoramento automatizado, parte desse processo é feita pelos próprios equipamentos, que registram os dados e podem transmiti-los para uma plataforma digital.
Na tecnologia apresentada pela IAgro durante a Agrishow 2018, esse processo permite reunir informações de diferentes áreas, consultar registros de safras anteriores e receber alertas quando houvesse alteração na pressão de pragas.
A automação, nesse caso, reduz a dependência da contagem manual e facilitava o acesso aos dados coletados no campo.