Diversidade é uma palavra potente. Muito explorada, muito falada e ainda pouco praticada na mesma intensidade. Arrisco dizer que só se compreende verdadeiramente o que é diversidade quando se vivenciam, na prática, os benefícios que ela gera em contextos reais, especialmente diante de desafios complexos. É exatamente sobre isso que quero refletir com você hoje.
Ambientes com menor probabilidade de inovação e de resolução de problemas complexos são, em geral, aqueles formados por times pouco diversos. Pode parecer óbvio, mas é necessário afirmar: grupos compostos por pessoas muito semelhantes tendem a chegar a resultados semelhantes. Quando surge uma situação nova no campo, por exemplo, que exige pensamento fora da caixa, esse mesmo time encontrará mais dificuldades para responder de forma criativa e eficaz.
No agronegócio, isso se torna ainda mais evidente diante de desafios como mudanças climáticas, aumento do custo de insumos, escassez de mão de obra e pressão por produtividade. Um time formado apenas por perfis semelhantes tende a repetir soluções antigas. Já equipes que reúnem profissionais do campo, engenheiros agrônomos, técnicos agrícolas, jovens com domínio de tecnologia, mulheres em posições de liderança e colaboradores com diferentes formações conseguem analisar o mesmo problema sob múltiplas perspectivas — seja para decidir o melhor manejo da safra, adotar novas tecnologias, otimizar a logística ou melhorar a segurança no trabalho.
Em uma fazenda ou cooperativa, por exemplo, uma queda inesperada de produtividade pode ser interpretada de formas distintas por um operador de máquinas experiente, por um agrônomo, por alguém da área de dados e por um gestor administrativo. Essa combinação de olhares permite diagnósticos mais completos e soluções mais inovadoras do que quando apenas um único perfil decide sozinho.
O que acontece é que muitos líderes escolhem trabalhar com pessoas de perfil parecido com o seu. Trata-se de um mecanismo natural do cérebro humano, que busca conforto, familiaridade e semelhança. É por isso que, na vida pessoal, tendemos a nos relacionar com quem se parece conosco. No mundo do trabalho, porém, o ideal é justamente o contrário: equipes precisam ser diferentes entre si e complementares. O líder também se fortalece quando constrói um time com profissionais que não são sua cópia, mas que o desafiem.
Ao longo da minha carreira, já observei líderes optando por contratar profissionais muito jovens ou menos experientes, com histórias de vida semelhantes, competências parecidas e perfil mais passivo. Atuando como RH desses gestores, questionei diversas vezes a escolha de um profissional júnior para posições que poderiam ser ocupadas por alguém pleno ou sênior. Os argumentos costumavam ser: evitar “vícios de mercado” ou contratar alguém mais fácil de moldar.

A pergunta que deixo é: por que não ter coragem de enfrentar uma pergunta difícil feita por alguém do time? Ou uma provocação que leve à reflexão? Ou ainda uma solução tão criativa que eleve significativamente a performance da área, da fazenda, da empresa?
Diversidade, na prática, significa permitir-se formar times compostos por pessoas diferentes entre si, com habilidades desenvolvidas, competências complementares e histórias de vida únicas. É justamente essa singularidade que constrói equipes de alta performance. Cada perfil carrega uma forma própria de enxergar o problema e contribuir para a solução.
Por isso, diversidade é estratégia.
Se você é líder no campo ou no escritório, olhe ao seu redor e reflita: o seu time é formado por semelhanças ou por diversidade?
Aja com propósito. Experimente incluir o diferente. E perceba, na prática, os benefícios que essa escolha pode trazer para os resultados, a inovação e a performance do seu time.
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