A mulher sempre esteve presente no agro.
Talvez nem sempre nos holofotes, mas sempre nas decisões, nas planilhas, no cuidado com a terra e nas orações silenciosas de quem faz o campo acontecer.
Durante muito tempo, essa presença foi discreta.
Elas estavam lá, mas sem microfone, sem palco e, muitas vezes, sem serem ouvidas.
Hoje, o cenário é outro.
O que antes era silêncio, virou movimento. E um movimento bonito de ver, porque não é sobre vaidade, é sobre visibilidade.
Não é sobre se mostrar, é sobre se reconhecer.
Em outubro, tive a alegria de palestrar no Congresso Nacional das Mulheres do Agro, um evento que acompanho desde as primeiras edições e que faz parte da minha própria história.
Este ano foi especial. O congresso completou dez anos de trajetória e reuniu mais de três mil mulheres de todo o Brasil.
E, pela primeira vez, eu subi ao palco como palestrante.
Quando olhei aquela arena lotada, confesso que o coração acelerou.
Não era só orgulho profissional, era algo muito maior.
Tinha uma presença ali… algo espiritual mesmo.
Vi mulheres acompanhando até do lado de fora, tentando ouvir cada palavra.
E foi nesse momento que senti Deus me lembrando do porquê de cada passo.
Eu não estava ali por acaso.
Fui escolhida pra viver aquele momento e, principalmente, pra falar sobre o poder do posicionamento.

Durante a palestra, compartilhei o que realmente acredito:
que o posicionamento feminino no agro não é um ato de enfrentamento, é de construção.
Quando a mulher entende quem ela é, e se prepara, o espaço vem naturalmente.
Ocupar lugar não é sobre disputa, é sobre clareza, preparo e coragem pra se colocar.
E ainda existe preconceito, sim.
Tem gente que olha pra esses encontros e acha que é pura futilidade.
Mas quem participa sabe que ali tem conteúdo, estratégia e troca de verdade.
Esses encontros não são vitrine, são sala de aula.
São espaços onde mulheres aprendem sobre gestão, liderança, sucessão, sustentabilidade e comunicação.
Onde o “falar bem” não é vaidade é ferramenta pra defender ideias, negócios e valores.
E o mais bonito é ver como esse movimento está crescendo e ecoando em outros espaços.
Na própria Agrishow, por exemplo, a gente já tem o Agrishow Pra Elas, um espaço dedicado totalmente às mulheres, com palestras, treinamentos e muita troca boa.
Na edição deste ano, também tive a alegria de palestrar lá e senti o mesmo clima: mulheres do agro ocupando com naturalidade os espaços que sempre ajudaram a construir.
Esse é o novo tempo que a gente tá vivendo.
O tempo das mulheres que encontraram sua voz.
Que não esperam ser chamadas, mas entendem que foram escolhidas por Deus, pela vida e pela própria história pra transformar o agro com sensibilidade, sabedoria e força.