A ferrugem asiática segue entre as doenças mais severas da cultura da soja. Na safra 2025/26, o Consórcio Antiferrugem contabilizou 379 ocorrências, ante 124 no ciclo anterior, número quase três vezes maior.
O aumento dos registros reforça a atenção para a safra 2026/27. Causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi, a doença pode ocorrer em diferentes estádios da cultura e provocar perdas de produtividade quando não é manejada a tempo.
Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), os danos podem variar de 10% a 90% da produção nas regiões onde a ferrugem asiática ocorre em níveis epidêmicos.
Conhecer os primeiros sintomas, acompanhar a ocorrência da doença e combinar diferentes medidas de manejo são cuidados que ajudam a reduzir os riscos na lavoura.
O que é a ferrugem asiática da soja?
A ferrugem asiática, causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi, é uma das doenças mais comuns e severas nas lavouras do país. No Brasil, foi identificada pela primeira vez em 2001 e, desde então, passou a ser monitorada nas diferentes regiões produtoras.
Segundo Marcos Queiroz, Líder de Fungicidas da Syngenta, a ferrugem asiática é caracterizada pelo surgimento de pequenos pontos escuros no tecido foliar. “Estes pontos dão um aspecto de ferrugem à planta, daí seu nome”, explica.
Já na porção inferior da folha, aparecem pequenas saliências chamadas urédias. “As urédias são bolsas onde se concentram os esporos reprodutivos do fungo”, complementa o especialista.
Quais são os danos agronômicos e econômicos da ferrugem asiática?
Queiroz explica que, conforme a ferrugem asiática se desenvolve, as folhas da planta de soja se tornam amarelas, secam e caem. “Este processo compromete a obtenção de energia da planta, o que afeta a formação dos grãos”, comenta.
A desfolha precoce também compromete a formação e o enchimento das vagens e pode reduzir o peso final dos grãos. Por isso, o avanço rápido da doença exige acompanhamento constante da lavoura.
Algumas condições favorecem o desenvolvimento e a disseminação da ferrugem asiática:
Clima favorável
Períodos chuvosos, de elevada umidade do ar e prolongado molhamento foliar (acima de 6h) são altamente favoráveis para o desenvolvimento do fungo.
Temperaturas entre 18 e 28°C, especialmente à noite
Quando ocorre a infecção, estas temperaturas são altamente favoráveis. Já temperaturas amenas à noite (abaixo de 16°C) podem desfavorecer a infecção.
Presença de inóculo na área
A presença de ferrugem na região configura um alerta de risco. Por isso, o produtor deve acompanhar relatos de ocorrência e informações de monitoramento disponibilizadas por entidades de pesquisa e pelo Consórcio Antiferrugem.
Cultivares suscetíveis
Existem diferenças de suscetibilidade entre as cultivares de soja. Quanto mais suscetível for o material utilizado, maior pode ser a velocidade de evolução da doença quando existem condições favoráveis para a infecção.
Como combater a ferrugem asiática da soja?
Apesar de sua rápida propagação, a doença pode ser controlada antes mesmo de seu aparecimento. Segundo Marcos Queiroz, há uma série de soluções que podem ser utilizadas para que o produtor controle a ferrugem da soja e aumente a produtividade e rentabilidade de sua lavoura.
Ferrugem asiática exige atenção na safra 2026/27
O aumento de 124 para 379 registros entre as safras 2024/25 e 2025/26 reforça a necessidade de iniciar o novo ciclo com as medidas preventivas já planejadas.
Os resultados mais recentes dos ensaios cooperativos de fungicidas também mostram por que o controle não deve depender de uma única ferramenta.
Na safra 2025/26, foram realizados 21 experimentos por 23 instituições para avaliar fungicidas contra a ferrugem asiática. Entre os tratamentos com fungicidas registrados analisados nos protocolos, os índices de controle variaram de 62% a 80%, segundo publicação da Embrapa divulgada em 2026.
Os ensaios também acompanham alterações de sensibilidade de P. pachyrhizi aos fungicidas, aspecto que reforça a necessidade de seguir as recomendações técnicas e adotar diferentes medidas de manejo.
Como combater a ferrugem asiática da soja?
O manejo começa antes do aparecimento dos primeiros sintomas. A Embrapa recomenda combinar práticas que reduzam a quantidade de inóculo e retardem a entrada da doença na lavoura.
Entre as medidas estão:
- respeitar o vazio sanitário e eliminar plantas voluntárias de soja durante a entressafra;
- utilizar cultivares de ciclo precoce quando indicadas para a região;
- realizar a semeadura no início da época recomendada;
- monitorar a ocorrência da doença na propriedade e na região;
- utilizar fungicidas registrados seguindo as recomendações técnicas e as orientações de manejo de resistência.
O calendário de semeadura também faz parte das medidas de controle da ferrugem asiática. A definição de uma janela para o plantio ajuda a reduzir o período com soja no campo e a exposição da cultura ao aumento progressivo do inóculo.
Vazio sanitário da soja
O vazio sanitário caracteriza-se pelo período contínuo em que não é permitido cultivar ou manter plantas vivas de soja no campo. A medida busca reduzir o inóculo de Phakopsora pachyrhizi entre duas safras.
Pelas regras do Programa Nacional de Controle da Ferrugem Asiática da Soja, os períodos estabelecidos em nível nacional devem contemplar pelo menos 90 dias sem a cultura e sem plantas voluntárias no campo.
As datas variam conforme o estado e a região produtora. Para a safra 2026/27, o calendário nacional de vazio sanitário e de semeadura foi estabelecido pelo Mapa por meio da Portaria SDA/MAPA nº 1.579, de 9 de abril de 2026.
O produtor deve consultar o calendário válido para sua região antes do início do plantio e acompanhar as informações dos órgãos estaduais de defesa sanitária vegetal.
Monitoramento continua durante a safra
Mesmo com as medidas preventivas, o acompanhamento da lavoura continua necessário após a emergência das plantas. O Consórcio Antiferrugem reúne informações sobre a dispersão da doença no país e conta com uma rede de laboratórios capacitados para identificação da ferrugem asiática.
A ocorrência regional da doença, as condições climáticas, a cultivar utilizada e o estágio da lavoura devem entrar na avaliação técnica antes das decisões de controle.