A produção de manga ocupa posição estratégica no agronegócio brasileiro, tanto pelo forte consumo interno quanto pela relevância nas exportações de frutas frescas. Introduzida no país ainda no período colonial, a manga encontrou no clima tropical e subtropical condições ideais para se desenvolver e, ao longo das décadas, passou de cultura doméstica a atividade altamente tecnificada, especialmente em polos irrigados.

Hoje, o Brasil está entre os principais produtores e exportadores de manga do mundo, com destaque para regiões do Nordeste e Sudeste. A fruta brasileira chega a mercados exigentes como Europa e Estados Unidos, impulsionada por qualidade, regularidade de oferta e adoção de boas práticas agrícolas. Para o produtor, isso representa uma excelente oportunidade, mas também exige planejamento técnico desde o plantio até a pós-colheita.

A seguir, você confere um conteúdo completo e didático sobre cultivo de manga, abordando escolha de variedades, manejo da mangueira, irrigação, adubação, controle de pragas e estratégias de comercialização.

Importância econômica e regiões produtoras

A manga tem papel importante na fruticultura nacional. Estados como Bahia, Pernambuco, Ceará, São Paulo e Minas Gerais concentram grande parte da produção, com destaque absoluto para o Vale do São Francisco, onde a irrigação permite colheitas programadas ao longo do ano.

Além de abastecer o mercado interno, a fruta é protagonista nas exportações brasileiras de frutas frescas. A regularidade produtiva, aliada à padronização dos frutos, garante competitividade internacional e geração de renda em regiões semiáridas, onde poucas culturas teriam desempenho semelhante.

Escolha da variedade ideal de manga

O sucesso do cultivo começa pela escolha correta das variedades de manga, que devem considerar clima, solo e destino da produção.

Entre as principais cultivares utilizadas no Brasil, destacam-se:

  • Tommy Atkins: variedade mais difundida no país, resistente ao transporte, casca firme e boa aceitação no mercado externo.
  • Palmer: muito valorizada pelo sabor, coloração intensa e menor incidência de fibras.
  • Haden: tradicional, com bom sabor, mas mais suscetível a doenças.
  • Kent: fruta grande, doce e com pouca fibra, bastante usada para exportação.

Para produtores focados no mercado externo, a preferência costuma recair sobre Palmer, Tommy Atkins e Kent. Já para mercados regionais, a escolha pode priorizar sabor, produtividade e adaptação local.

Clima e solo ideais para o cultivo de manga

O cultivo de manga exige atenção às condições edafoclimáticas. A mangueira se desenvolve melhor em regiões com temperaturas médias entre 24 °C e 30 °C, boa luminosidade e períodos secos bem definidos, especialmente durante a indução floral.

Quanto ao solo, os mais indicados são:

  • Bem drenados
  • Profundos
  • Com boa aeração
  • pH entre 5,5 e 7,0

Antes do plantio, é fundamental realizar análise de solo para correção da acidez e ajuste dos níveis de nutrientes. Um preparo bem feito impacta diretamente a longevidade do pomar e a produtividade ao longo dos anos.

Plantio e espaçamento da mangueira

A época ideal de plantio varia conforme a região, mas geralmente coincide com o início do período chuvoso. Em áreas irrigadas, o plantio pode ser feito em diferentes épocas, desde que haja manejo hídrico adequado.

O espaçamento entre plantas depende da variedade e do sistema de condução adotado. Em sistemas mais tradicionais, utiliza-se espaçamento de 8 × 8 m ou 10 × 10 m. Já em pomares mais tecnificados, com podas frequentes, é possível adotar espaçamentos menores, aumentando a produtividade por hectare.

O uso de mudas enxertadas e certificadas é indispensável para garantir uniformidade, sanidade e entrada mais rápida na produção.

Manejo da mangueira: irrigação, adubação e poda

Irrigação para manga

A irrigação para manga é decisiva, sobretudo em regiões de clima semiárido. Sistemas como gotejamento e microaspersão são os mais recomendados, pois permitem economia de água e maior controle do fornecimento hídrico.

O manejo correto da irrigação também é utilizado como ferramenta para indução floral, alternando períodos de estresse hídrico controlado com retomada da irrigação.

Adubação da mangueira

A adubação da mangueira deve ser baseada em análise de solo e folha. Nutrientes como nitrogênio, fósforo, potássio, cálcio, magnésio e micronutrientes têm papel essencial no crescimento vegetativo, floração e qualidade dos frutos.

O cronograma de adubação costuma ser dividido em fases: formação da planta, pré-florada, frutificação e pós-colheita. Um manejo nutricional equilibrado evita queda de frutos e melhora o padrão comercial.

Poda

A poda é prática indispensável no manejo moderno da mangueira. Ela permite:

  • Melhor entrada de luz na copa
  • Facilidade de colheita
  • Controle do tamanho da planta
  • Estímulo à produção

As principais são poda de formação, manutenção e produção, realizadas conforme a idade da planta e o sistema adotado.

Controle de pragas e doenças

O controle de pragas na cultura da manga exige monitoramento constante. Entre as principais pragas estão:

  • Mosca-das-frutas
  • Cochonilhas
  • Ácaros
  • Tripes

Já entre as doenças mais comuns destacam-se antracnose e oídio, especialmente em ambientes com alta umidade.

O manejo integrado de pragas (MIP) é a estratégia mais indicada, combinando monitoramento, controle biológico, práticas culturais e uso racional de defensivos agrícolas, sempre respeitando períodos de carência e exigências dos mercados consumidores.

Colheita e pós-colheita

A colheita deve ser realizada no ponto de maturação adequado ao destino da fruta. Para exportação, a manga é colhida ainda verde-madura, enquanto para o mercado interno pode ser colhida em estágio mais avançado.

Cuidados na colheita evitam danos mecânicos, que comprometem a qualidade e reduzem a vida útil do fruto. Na pós-colheita, etapas como classificação, lavagem, tratamento hidrotérmico, armazenamento refrigerado e transporte adequado são fundamentais para manter padrão e segurança alimentar.

Mercado e comercialização da manga

O mercado da manga segue aquecido, tanto no Brasil quanto no exterior. A demanda crescente por frutas frescas e saudáveis favorece produtores que investem em qualidade, rastreabilidade e certificação.

Selos de boas práticas agrícolas, como GlobalG.A.P., e atenção às exigências fitossanitárias internacionais agregam valor ao produto e ampliam o acesso a mercados mais rentáveis.

Para pequenos produtores, nichos como venda direta, mercados regionais e cooperativas podem ser estratégias eficientes. Já grandes produtores se destacam pela escala, padronização e logística integrada.

Planejamento é a chave do sucesso

A produção de manga é uma atividade com alto potencial de rentabilidade, mas que exige gestão técnica em todas as etapas. Do planejamento do pomar à escolha da variedade, passando pelo manejo da mangueira, irrigação, adubação e controle de pragas, cada decisão impacta diretamente o resultado final.

Com tecnologia, conhecimento e atenção às tendências de mercado, a manga brasileira segue consolidando espaço no agronegócio nacional e internacional, abrindo oportunidades para produtores de diferentes portes que buscam diversificar e fortalecer suas atividades.

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