Cada vez mais mulheres assumem posições de liderança no campo e ajudam a transformar o futuro do agronegócio brasileiro. O campo sempre foi sinônimo de trabalho duro, resiliência e visão de longo prazo, qualidades que, historicamente, também fazem parte da trajetória de muitas mulheres que ajudaram, e ainda ajudam, a construir o agro no Brasil.

Quando pensamos na mulher protagonista no agronegócio, sabemos que ainda existe uma tensão estrutural que dificulta o avanço feminino nesse ambiente. Ao aprofundar essa temática, percebemos que há contextos mais desafiadores do que outros. Ainda assim, existe um elemento comum na trajetória de muitas dessas mulheres, em maior ou menor intensidade: o chamado fenômeno da impostora.

Antes de tudo, é importante desmistificar um ponto. Não existe “síndrome da impostora”, pois não se trata de uma doença. O que existe é um fenômeno psicológico relativamente comum, especialmente entre mulheres que ocupam posições de responsabilidade. Não é algo que se resolve com um remédio ou com uma cura imediata, mas sim algo que pode ser trabalhado, desenvolvido e superado ao longo da jornada.

Esse fenômeno foi descrito pela psicóloga Pauline Rose Clance na década de 1970. Ela identificou um padrão psicológico no qual muitas pessoas passam a duvidar de suas próprias habilidades, talentos e conquistas, vivendo com o medo persistente de serem expostas como “impostoras”, mesmo quando possuem competências e resultados consistentes.

No caso das mulheres no agronegócio, esse fenômeno pode ser intensificado por diversos fatores. Entre eles, o reforço negativo da sociedade, cobranças excessivas, preconceitos estruturais, valores familiares e crenças limitantes aprendidas ao longo da vida. Quando olhamos para dentro, também encontramos outros limitadores, como baixo nível de autoconsciência, gatilhos inconscientes, autocrítica excessiva e falta de autoconfiança.

Em ambientes predominantemente masculinos, esse cenário pode se tornar ainda mais desafiador. Existe o risco de muitas mulheres se colocarem no papel de vítimas do sistema, quando na verdade precisam se reconhecer como protagonistas de suas próprias histórias e carreiras. Esse movimento exige esforço emocional, autoconhecimento e desenvolvimento de inteligência emocional.

Não é raro encontrarmos engenheiras agrônomas ou gestoras assumindo equipes de operadores e técnicos de campo compostas majoritariamente por homens. Nesses casos, o desafio inicial muitas vezes é provar competência diante de um ambiente que ainda carrega preconceitos sobre a capacidade técnica e emocional das mulheres. Algumas optam por uma postura mais firme — às vezes até mais dura — para se posicionar. Outras preferem construir respeito de forma gradual, criando espaços de admiração e confiança ao longo do tempo.

Outro exemplo importante é o processo de sucessão no campo. Durante muito tempo, em muitas famílias rurais, a sucessão acontecia de forma quase automática: o filho homem assumia a gestão da propriedade. Hoje, esse cenário começa a mudar. Cada vez mais mulheres estão assumindo esse papel, trazendo formação acadêmica, visão estratégica e inovação para os negócios rurais. Filhas que antes eram incentivadas a estudar e trabalhar na cidade agora retornam às propriedades para liderar a gestão do negócio familiar.

Também cresce a presença feminina em cooperativas, conselhos e associações do setor, influenciando decisões estratégicas e contribuindo para o desenvolvimento do agronegócio.

O protagonismo feminino no agro não é apenas uma pauta de representatividade. É uma força real de transformação para o setor. À medida que mais mulheres ocupam espaços de decisão, gestão e inovação no campo e nas agroindústrias, ampliam-se as perspectivas, as soluções e a capacidade de enfrentar desafios complexos.

Mas como apoiar, na prática, o desenvolvimento desse protagonismo? Como ajudar mais mulheres a ocuparem posições estratégicas, assumirem processos de sucessão ou se tornarem protagonistas de suas próprias trajetórias profissionais?

Aqui vão cinco sugestões que podem ajudar a minimizar o impacto do fenômeno da impostora:

1. Amplie seu nível de autoconhecimento.
2. Desenvolva inteligência emocional.
3. Considere a psicoterapia como ferramenta de desenvolvimento pessoal.
4. Busque mentoria profissional para estruturar seus objetivos de forma estratégica.
5. Desenvolva uma mentalidade mais otimista, fortalecendo a chamada inteligência positiva.

Reconhecer o protagonismo feminino no agronegócio não é apenas uma questão de justiça histórica, é também uma visão de futuro para um setor que precisa continuar evoluindo.