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O lobo e o pecuarista

Coluna Lilian Dias Agrishow Digital
Quantas oportunidades reais nós perdemos pelo caminho enquanto pensamos naquelas que achamos que poderíamos ter? Em sua coluna para o Agrishow Digital, Lilian Dias conta uma história que adaptou para o mundo do agro, lançando uma reflexão sobre sorte e oportunidades no campo.

O texto que vem a seguir é fruto de um vídeo que assisti de um contador de histórias encantador, cujo texto desconheço a autoria, e que adaptei ao Agro com o meu jeitão de contar histórias. Então, peço licença ao autor para lançar mão de seu conteúdo como uma prestação de serviço aos nossos queridos produtores. 

Era uma vez um pecuarista que vivia reclamando da vida. Ele não se conformava porque muitas pessoas à volta dele se davam bem e ele não. 

Então, revoltado, ele jurou para ele mesmo que falaria com o Criador para saber o que ele tinha que fazer para ter mais sorte na vida. Mas ele não estava disposto a morrer para ter essa conversa, hahaha. Então, ele presumiu que Deus deveria morar no fim do mundo. 

Determinado, um dia ele saiu de casa e andou, andou, andou, andou por um ano inteiro, em busca de Deus, e foi encontrando alguns seres pelo meio do caminho antes de chegar até o Criador. 

Primeiro, foi um lobo, fraco, frágil, magro e vendo o pecuarista pediu ajuda. O pecuarista se recusou a ajudá-lo, porque não podia se atrasar para o encontro com Deus. 

Aí o lobo pediu que ele apenas fizesse uma pergunta sobre o estado lamentável dele (do próprio lobo) quando encontrasse Deus. O pecuarista topou e seguiu o caminho. 

Meses depois, o pecuarista tropeçou na raiz enorme de uma árvore em suas andanças. Ele xingou pelo ocorrido e a árvore se desculpou. 

Então a árvore disse: “Moço, tem alguma coisa debaixo de mim que me incomoda demais, será que o senhor pode ver o que é? 

E o pecuarista respondeu: “De jeito algum, porque isso vai me tomar tempo e eu tenho que ter uma conversa séria com Deus para descobrir onde encontro sorte na vida”. 

E a árvore: “Mas então o senhor pode ao menos perguntar para ele como posso resolver o meu problema?”. 

“Se eu tiver tempo, eu pergunto”, disse o pecuarista que não ajudou a árvore e seguiu o seu caminho. 

Meses depois, durante suas andanças, ele encontrou uma moça linda, mas meio triste, e foi conversar com ela. A moça lhe deu um copo de suco refrescante, pediu que ele ficasse mais, porque ela se sentia muito solitária, mas o pecuarista disse que não tinha tempo, pois ele estava atrás da sorte dele e ia ter uma conversa séria com Deus. 

Então, ela disse: “Moço, será que o senhor pode perguntar para Deus por que eu me sinto tão triste?”. 

Ele disse: “Claro, mas agora me dê licença, porque não posso me atrasar. Preciso encontrar a minha sorte”. 

O pecuarista andou por mais longos meses até que chegou numa estrada que não dava para lugar algum. Ele, finalmente, chegou até o fim do mundo e ouviu uma voz: “Meu filho, eu já sei que você me procura”. 

O pecuarista: “Então é aqui mesmo que o Senhor, meu Deus, o Criador, mora? Então, meu Deus, eu estou caminhado tem mais de um ano porque eu preciso perguntar para o senhor por que sou tão sem sorte e por que nada dá certo para mim. O que tenho que fazer para ter mais sorte na vida? 

Deus, em toda sua sabedoria, respondeu: “Você precisa apenas ficar atento às oportunidades que surgem pela frente”. 

O pecuarista, todo animado, devolveu: “É só isso? Ah, então tá bom”. Agradeceu e virou as costas para ir embora porque queria encontrar logo a tal sorte que faria ele feliz. 

Então, Deus perguntou: “Você não está se esquecendo de nada, não?”. 

E o pecuarista: “Ahhh, é mesmo... encontrei um lobo, uma árvore e uma moça no meio do caminho e eles pediram para eu fazer algumas perguntas para o Senhor. 

Então, Deus respondeu todas as perguntas e o pecuarista voltou correndo para, finalmente, encontrar a sorte dele. 

Voltando pelo mesmo caminho, ele encontrou novamente aquela linda moça. Ele ia passando reto, todo apressado, esbaforido, quando ela gritou: 

“Moço, moço, vem aqui. O senhor encontrou com Deus?”. 

Ele disse: “Simmmm, mas eu tô com muita pressa. Fiz a sua pergunta e ele disse que a senhora é triste porque se sente muito solitária, e que quando um moço passar por aí, você deve convidá-lo para entrar, lhe dar um copo de suco refrescante e que a senhora encontrará o seu amor e será muito, mas muito feliz. 

A moça ficou feliz da vida: “É só isso, moço? Muito obrigada”. 

Ela mal terminou de agradecer, o pecuarista saiu correndo para chegar logo em casa e encontrar a tal oportunidade para ter mais sorte e felicidade na vida. 

Caminhou meses a fio e encontrou a árvore, que se encontrava dormindo. Passou bem devagarzinho, para que ela não acordasse e tomasse o tempo dele, mas não adiantou. A árvore acordou e ele foi logo dizendo: “Deus disse que esse mal-estar que a senhora sente por debaixo da senhora, com o todo o respeito dona árvore, é um monte de ouro que foi enterrado e atingiu as suas raízes. 

A árvore, muito satisfeita por ter descoberto a causa do desconforto, pediu ao pecuarista: “Moço, o senhor pode, por favor, me ajudar a desenterrar todo esse ouro que se encontra debaixo de mim?”. 

O pecuarista respondeu: “Mas nemmmmm pensar, ‘tô’ morrendo de pressa para chegar logo em casa e encontrar a tal oportunidade, que Deus me falou, para eu ter mais sorte na minha vida e a senhora querendo me atrasar?!? Sinto muito, dona árvore, mas vai ter que pedir ajuda para outra pessoa. 

E o pecuarista continuou em frente. Meses depois foi a vez de encontrar o lobo. O bicho estava um horror de tãããão magro. Parecia um tapete estatelado no chão, porque era pele e osso. 

Mesmo assim, ele avistou o pecuarista e teve forças para chamá-lo. O pecuarista ficou doido da vida, mas parou e deu atenção ao lobo: 

“Olha só, seu lobo, vamos rápido com essa conversa porque eu tenho que chegar logo em casa para encontrar a tal oportunidade que Deus falou e ter mais sorte na vida.” 

O lobo perguntou: “O senhor perguntou para Deus o que devo fazer para sair desta situação? Estou ficando cada vez mais fraco.” 

O pecuarista respondeu: “Deus disse que o senhor está assim porque não come há tempos, mas se o senhor comer qualquer coisa vai melhorar logo. 

O lobo questionou: “Qualquer coisa mesmo?”. 

O pecuarista: “Estou lhe dizendo exatamente o que o Criador falou para mim olhando nos meus olhos. Basta que o senhor coma qualquer coisa e já vai se sentir um lobo melhor, mais fortificado”. 

O lobo, que não era bobo, e nunca deixará passar uma oportunidade batida com a informação certa em mãos, agiu rápido: “Moço, eu sei que o senhor está com pressa para encontrar a tal oportunidade da sua vida e ter mais sorte, prosperidade e felicidade, mas, antes de ir, será que só podia me dar um abraço de conforto pelo meu estado?”. 

O pecuarista, para se livrar logo do lobo, disse: “Tá bom, mas vai logo porque eu ‘tô’ com pressa.” 

E o lobo: “NHACT”. Era uma vez um pecuarista... 

Moral da história: o pecuarista estava tão cego em busca da tal oportunidade para ter mais sorte na vida que não prestou atenção em nenhuma das oportunidades que passaram diante dos olhos dele. 

Lilian Dias é comunicadora Agro, possui MBA Executivo pela ESPM, com foco em habilidades de gestão de pessoas, práticas de liderança e marketing. É autora do e-book "Os Pilares do Agronegócio". Site: www.novoagro.com.br - Instagram: @jornalistalilian - E-mail: [email protected]  

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