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O carbono verde no Brasil

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Grande desafio a ser vencido é tornar economicamente viável e escalável a mensuração do volume capturado do carbono retido no solo, pois a medição desse elemento químico e sua certificação possuem alto custo.

Ano passado, o mercado global de carbono atingiu o valor recorde de € 229 bilhões, o que significa um crescimento de 20% ante 2019. Esse foi o quarto ano consecutivo de expansão e representa um montante cinco vezes maior do que o registrado em 2017. O estudo anual da consultoria Refinitiv mostrou que a maior parte do aumento veio do Sistema Europeu de Comércio de Emissões (EU ETS).

Esses dados comprovam não apenas o crescimento do setor, mas principalmente que os resultados da implantação de um sistema de crédito de carbono estão se tornando cada vez mais efetivos. Por isso, o Brasil precisa se apressar e trabalhar para o desenvolvimento desse segmento, uma vez que o país tem o potencial de ser um dos principais mercados do mundo, especialmente, por ter um agronegócio pujante e a segunda maior reserva florestal em área do globo.

Um dos segmentos mais promissores para fomentar o mercado de carbono, o agro pode reduzir as emissões de gases de efeito estufa (GEE) e, ao mesmo tempo, sequestrar esse elemento da atmosfera e armazená-lo no solo. Isso é possível pela alta mecanização e implementação de tecnologias de agricultura de precisão no setor somada à adoção de boas práticas de manejo de solo e iniciativas para diminuir o uso ou reutilizar os recursos naturais. 

Entretanto, o grande desafio a ser vencido é tornar economicamente viável e escalável a mensuração do volume capturado do carbono retido no solo, pois a medição desse elemento químico e sua certificação possuem alto custo.

Por outro lado, atualmente, existem programas de empresas do setor para promover um ambiente favorável à construção de um ecossistema de carbono, que trabalham com produtores rurais e em parceria com unidades da Embrapa. Além disso, a instituição de pesquisa e inovação também desenvolveu, em conjunto com uma startup, um equipamento de tecnologia de última geração para a análise de amostras de solos, fornecendo, inclusive, a quantidade de carbono orgânico no local.

É importante ressaltar o trabalho do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) para o avanço da aplicação de soluções tecnológicas sustentáveis no campo, com foco no enfrentamento às mudanças do clima. Em abril, lançou as bases conceituais do Plano Setorial de Adaptação e Baixa Emissão de Carbono na Agropecuária, chamado ABC+, com vigência até 2030. A iniciativa é uma atualização do Plano ABC.

Outro fator que corrobora para agro ter um papel de destaque no mercado de carbono é o nível de preservação ambiental das propriedades rurais, cujo percentual pode variar entre 20% a 80% da área, conforme sua localização. Nesse sentido, as florestas também poderiam render um montante expressivo em créditos de carbono. Estimativa do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (Cebds) aponta que somente a preservação da Floresta Amazônica teria o potencial de gerar US$ 10 bilhões ao ano para o Brasil. 

Assim sendo, somando o agro e as florestas, há uma oportunidade ímpar de o Brasil liderar o mercado de carbono verde, uma vez que nenhuma nação possui nossas características. E, mais, o país também poderia conduzir o movimento mundial em prol de uma economia mais limpa.

Pela importância desse tema, a ABAG, em parceria com a B3 A Bolsa do Brasil, reunirá especialistas no Congresso Brasileiro do Agronegócio 2021 para trazer informações sobre o mercado de carbono verde no país. O evento online três painéis: Energia Limpa e Sustentável, Brasil Verde e Competitivo, e O Futuro do Agro no Comércio Mundial.

 Marcello Brito é presidente do conselho diretor da ABAG (Associação Brasileira do Agronegócio)

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