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Logística reversa no agronegócio: como implementar?

Embalagem de defensivo agrícola
O reaproveitamento de embalagens de defensivos é uma das ações de logística reversa de maior destaque no agronegócio nacional. Entenda o que significa esse conceito e como a logística reversa pode ser aplicada no campo!

A importância do agronegócio brasileiro é evidente. Nosso país é o quarto maior produtor e segundo maior exportador de grãos do planeta, ocupando posições de destaque nos rankings mundiais de produção e exportação de alimentos como soja, milho, açúcar e algodão.  

Na pecuária, os números também mostram a grande representatividade do país no comércio mundial: além de ter o maior rebanho bovino, o Brasil fica na primeira posição entre os maiores exportadores de carne de boi e de frango do mundo. 

Com todo esse volume de produção, a geração de resíduos é uma consequência previsível — mas gerenciável. A prova disso são as ações que contribuem para o aumento da durabilidade dos materiais, a redução do descarte de resíduos e a preservação de recursos naturais.  

Entre essas práticas, as iniciativas de logística reversa têm contribuído, nas últimas décadas, para a promoção da sustentabilidade no agronegócio brasileiro. 

Neste artigo, vamos explicar o que é logística reversa e como ela pode ser implementada no campo. Vamos mostrar, ainda, um exemplo de aplicação da logística reversa no descarte de embalagens de defensivos agrícolas. Acompanhe! 

O que é logística reversa?

A logística reversa envolve, principalmente, ações de reaproveitamento de produtos e materiais, aumentando sua vida útil — ou seja, o tempo que pode ser utilizado e reaproveitado antes de seu descarte final. 

Para isso, podem ser adotados vários tipos de estratégias, desde as mais simples — como consertar um produto danificado ou reutilizá-lo para outras finalidades — até tarefas mais complexas, como modificar ou transformar um material para que ele possa ser reaproveitado. 

Na legislação brasileira, o conceito de logística reversa é abordado na Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei 12.305/2010), que pontua que a destinação de produtos e materiais deve ser feita de forma ambientalmente adequada.

Como implementar a logística reversa no agronegócio?

Um dos exemplos mais marcantes de aplicação da logística reversa no agronegócio é o tratamento de embalagens de defensivos agrícolas

No Brasil, esse trabalho é realizado há 20 anos pelo Sistema Campo Limpo, programa de logística reversa de embalagens e sobras pós-consumo de defensivos agrícolas. Gerenciado pelo Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias — inpEV, o programa realiza a lavagem e a destinação ambientalmente adequada desses materiais. 

Ao serem coletadas e receberem o tratamento adequado, as embalagens retornam ao ciclo produtivo, ou seja, continuam a ter vida útil em vez de serem descartadas no meio ambiente. Elas passam, então, a compor a matéria-prima de outros produtos — ou, nos casos em que não podem ser reaproveitadas, são encaminhadas para incineração. 

O gerente de logística do inpEV, Mario Fujii, destaca que o Sistema Campo Limpo é uma iniciativa pioneira no agronegócio brasileiro: “Pela primeira vez no mundo, conseguiu se fazer com que a embalagem reciclada volte homologada, com certificação do Inmetro”, comenta. 

Por que a destinação correta das embalagens de defensivos agrícolas é tão importante?

Os defensivos agrícolas, por sua composição química, podem contaminar o solo, a água e a atmosfera, gerando danos ao meio ambiente e ao ser humano.  

Além disso, a destinação apropriada das embalagens de defensivos está prevista na Lei nº 9.974 de 2000. “O produtor é a parte fundamental desse processo de devolução. Se ele não o fizer, estará sujeito a ser penalizado, autuado”, alerta Fujii.

Quais os benefícios da logística reversa de embalagens de defensivos para o agricultor?

Entre os benefícios trazidos por essa prática (além da regularização da atividade em termos jurídicos) estão os impactos positivos dessa iniciativa para o meio ambiente — e, sobretudo, para as presentes e futuras gerações. 

“O agricultor é uma pessoa que sabe ter empatia sustentável. Ele pode impedir, por exemplo, que haja poluição marinha, que bilhões de embalagens demorem 450 anos para serem degradadas”, comenta Fujii. “O benefício é para ele, para os filhos, netos e bisnetos”, acrescenta. 

Ele vê com otimismo a participação do agricultor brasileiro nessa iniciativa. “Os agricultores podem fazer essa transformação [para uma agricultura mais sustentável]. Hoje eles têm tecnologia, insumos, maquinário de última geração, e podem fazer mais com menos”, observa.

Unidades de recebimento e sistema itinerante

Segundo o instituto, atualmente cerca de 94% das embalagens plásticas de defensivos agrícolas recebem a destinação correta por meio do Sistema Campo Limpo. O InpEV também pontua que, desde 2002, mais de 657 mil toneladas de embalagens vazias de defensivos foram retiradas do meio ambiente. 

O sistema conta com mais de 400 unidades fixas em todo o país, além do recebimento itinerante, no qual a busca das embalagens pode ser feita em um ponto específico. Basta o produtor rural entrar em contato com a associação de sua região.

Quero contribuir para o Sistema Campo Limpo de logística reversa. O que devo fazer?

Fazer parte dessa iniciativa de logística reversa é um processo simples. Para facilitar ainda mais, separamos um passo a passo para fazer a destinação correta das embalagens de defensivos. Confira! 

1. No momento da compra do produto, verifique se a nota fiscal contém o endereço de devolução da embalagem

Fujii destaca que essa informação é obrigatória: “se uma revenda ou uma cooperativa não colocar essa informação, o produtor tem que cobrá-la”, orienta. 

2. Armazene o produto de forma adequada 

O gerente de logística do InpEV observa que esse cuidado na armazenagem vale tanto para o produto ainda em uso quanto para a embalagem vazia, no período pós-consumo. 

3. Lave a embalagem sempre que ela puder ser lavada

As embalagens de defensivos podem ser divididas, de forma geral, em dois grupos: 

  • embalagens laváveis: fazem parte desse grupo as embalagens rígidas, sendo a maioria feita de plástico; 
  • embalagens não laváveis: dentro dessa categoria estão as embalagens flexíveis, como caixas de papelão, cartuchos de cartolina, embalagens de produtos para tratamento de sementes e sacos de plástico, papel ou outro material não rígido.

Todas as embalagens rígidas devem ser lavadas, seguindo as orientações da NBR 13.968 da ABNT. “Quando essa embalagem é lavada, ela deixa de ser um resíduo perigoso para se tornar um produto que pode ser reciclado”, explica Fujii.

O InpEV disponibiliza gratuitamente, em sua página na internet, instruções de lavagem e armazenamento das embalagens. 

4. Entregue a embalagem vazia no prazo de um ano após a compra

A devolução das embalagens deve ser feita na unidade de recebimento detalhada na nota fiscal do produto. O Sistema Campo Limpo tem abrangência nacional. 

5. Cobre do seu fornecedor o cumprimento dessas ações

6. Atualize-se sobre o assunto

“Pode parecer uma coisa complicada, mas é muito simples”, destaca Fujii. “Temos que tirar um pouco essa complexidade que parece que existe [nesses procedimentos]. É uma percepção errônea”.  

7. Tenha a consciência de seu papel nesse ciclo

Fujii ressalta que o papel do agricultor na promoção da sustentabilidade é essencial, especialmente, pela grande representatividade que a agronegócio tem no abastecimento e na segurança alimentar de todo o planeta. “Nós precisamos do agricultor porque precisamos de um mundo melhor. Porque o agricultor alimenta o mundo. Precisamos do agricultor saudável, atualizado e produtivo”, conclui. 

Quer saber mais sobre práticas sustentáveis no agronegócio? Confira aqui nosso material exclusivo sobre produção de biomassa de cana-de-açúcar!

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