O diretor executivo da Geoplan Soluções em Agronegócio, Cristiano Gotuzzo, lembra que é necessário entender que não existe a lavoura de soja isolada da pastagem e sim que estamos trabalhando os sistemas integrados. Que a adubação que faremos tanto na lavoura quanto na pastagem será para fertilizar o sistema e não as culturas individualmente e que o animal dentro desse sistema poderá trazer benefícios para o cultivo de verão uma vez que irá acelerar o processo de aumento da matéria orgânica do solo que constitui a base de todos os processos que ocorrem no solo e no desenvolvimento das plantas.
Dados do experimento - que tem como integrante o Grupo de Pesquisa em Ecologia do Pastejo da Faculdade de Agronomia da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) – mostrou que que quando as pastagens de inverno são manejadas em alturas iguais ou superiores a 20 cm é possível obter ganhos por animal superiores a 1 kg de peso vivo/cabeça/dia e ganhos por hectare que podem variar ao redor de 350 kg de peso vivo.
“Com relação ao desenvolvimento das pastagens quando manejamos com um pastejo moderado existe um aumento na produção de raízes e uma melhor distribuição das mesmas no perfil do solo comparado às áreas sem pastejo ou com pastejo intensivo (10 cm de altura de manejo do azevém)”, assinala Gotuzzo.
Aos números de hoje, 350 kg de peso vivo de novilhos sobreano, estamos falando em uma renda bruta por hectare de cerca de R$ 2.450,00, descontando as despesas de fertilização e compra dos animais, sobra para o produtor ao redor de R$ 1.800,00 por hectare, transformando em sacos de soja, de 20 sacos por hectare (saca da soja a R$ 90), em um período em que essa área não estaria gerando receita ao produtor. “Esse resultado já estamos conseguindo em propriedades que atendemos desde 2011”, assegura.
Neste mesmo experimento os resultados na soja são bastante interessantes. Comparando o estande da lavoura nas diferentes alturas de manejo do azevém/aveia só teremos redução da população de plantas de soja quando a pastagem é manejada a 10 cm desde que ocorra um período seco na época da implantação, caso contrário, a própria plantadeira rompe a camada compactada superficial e num ano chuvoso não teremos diferença no estande da lavoura de soja independente da altura de manejo da pastagem de inverno.
Gotuzzo ressalta que nos anos secos a presença do animal faz com que se tenha uma estabilidade financeira da atividade, pois independente da altura de manejo da pastagem e consequentemente da produção da lavoura a receita bruta é a mesma para todos os tratamentos, ou seja, a produção animal compensa a redução da produção da soja. “Podemos ter ótimos resultados na ILP se tratarmos os sistemas de forma integrada e com isso haverá um sinergismo entre as diferentes atividades beneficiando todo o processo”.
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