O que podemos esperar da safra 2022/2023?

Safra 2022/2023
A cada nova safra, o produtor enfrenta vários desafios no planejamento de sua produção, e na safra 2022/2023 não será diferente. Confira uma análise desse cenário e saiba o que esperar do novo ciclo na agropecuária brasileira

A produção agropecuária brasileira é cíclica. Após a colheita da safra 2022, logo se inicia o planejamento da safra 2022/2023, em um movimento que nunca se encerra.  

Com a proximidade do início da safra de verão, surgem várias expectativas do produtor em relação à produção e à situação do mercado nacional e internacional. As atualizações recentes em relação ao Plano Safra 2022/2023 também podem gerar dúvidas sobre as possibilidades de crédito e financiamento para a atividade rural. 

Todo novo planejamento de safra é um dilema, com o produtor tendo muitos questionamentos: 

  • Quais desafios estarão presentes? 
  • Como se comportarão os custos de produção
  • Quais são os fatores climáticos que podem afetar a produção? 
  • Quais serão as oportunidades para o empreendedor rural? 

De fato, muitas são as dúvidas e expectativas do produtor. Assim, para termos uma visão geral sobre o cenário da próxima safra, conversamos com Stefan Barradas Podsclan, Head de Grãos e Projetos da Agrifatto. Confira o que diz o especialista sobre as maiores tendências e expectativas para a safra 2022/2023:

O que o produtor pode esperar da safra 2022/2023?

O agricultor brasileiro é um grande produtor de commodities agrícolas. Consequentemente, é altamente dependente da lei da oferta e da demanda e este é o ponto de partida para olharmos com atenção as expectativas para a safra 2022/2023. 

Segundo Podsclan, as projeções para o cenário de oferta e demanda continuam apontando estoques historicamente apertados para as commodities agrícolas na virada da temporada 21/22 para 22/23. “Estes estoques dão sustentação aos preços internacionais e motivam a expansão da produção do agronegócio brasileiro”, indica. 

O especialista salienta, ainda, as consequências decorrentes de dois acontecimentos que afetam todo o mundo: a Covid-19 e a guerra entre Rússia e Ucrânia. “Os efeitos da Covid-19 — que eventualmente assombra alguns países — e o conflito Rússia-Ucrânia — que afetam a oferta global de trigo, milho e outras commodities que são necessárias para a produção de alimentos e energia — são pontos que o produtor precisa estar atento para a próxima safra”. 

Outro ponto de atenção citado por Podsclan é a economia global e o combate à inflação generalizada em todas as regiões do mundo. “O fenômeno observado de elevação das taxas de juros pelos Bancos Centrais em todos os países e a redução de crédito disponível podem desmotivar o consumo da população, reduzindo a demanda global por bens e serviços e arrefecendo o crescimento global com impacto negativo aos preços das commodities”, explica. 

A safra 2022/2023 será desafiadora ao produtor

Pelos motivos mencionados, a jornada da safra 2022/2023 continua representando um grande desafio ao produtor rural. Podsclan explica que os custos pegaram carona na elevação dos preços das commodities nos últimos 2 anos. Esse cenário foi motivado pela ruptura das cadeias produtivas com as restrições e lockdowns instituídos pelos países como prevenção e combate à Covid-19 — e, por isso, merecem total atenção

Segundo o especialista, os bloqueios e rupturas trouxeram grandes impactos para o agronegócio: “Todo esse cenário trouxe choques de oferta e demanda para reativar todas as indústrias e reestabelecer a logística internacional, gerando alta nos custos com frete, combustíveis, afetando custos de produção em toda a cadeia do agronegócio e trazendo riscos de disponibilidade de insumos”, diz. 

Outro ponto desafiador são as decisões unilaterais de países, bloqueando as exportações de suas produções com o propósito de combater a inflação local, mas potencializando o efeito global. Acrescenta-se a esse cenário o conflito Rússia-Ucrânia e seus efeitos sobre os preços e disponibilidade de fertilizantes — além de trazer ainda mais estresse ao mercado de energia, já que a Rússia é um importante player global no suprimento de petróleo. 

Para o Brasil, os efeitos da guerra foram ainda mais fortes devido à dependência total de importações do complexo NPK para a produção local de alimentos, como ressalta Podsclan. “No campo dos fertilizantes há uma redução dos preços internacionais observada nos últimos 30 dias, mas os preços ainda estão e devem continuar em patamares mais elevados comparados à safra 21/22”, cita. 

Mas, mesmo com essa elevação de preços generalizada em todos os insumos utilizados na agricultura e com as relações de troca mais achatadas, a margem da produção agrícola, segundo o especialista, deve se manter positiva aos produtores devido à sensibilidade dos preços das commodities. “Apesar da margem positiva, ela será inferior às últimas duas safras, ou seja, o risco financeiro será mais elevado a depender dos níveis de produtividade”, pondera Podsclan. 

Muita atenção aos fatores climáticos e à taxa de juros

Além do cenário mundial relacionado à Covid-19 e à guerra na Ucrânia, há outros pontos que merecem atenção dentro do planejamento da safra 2022/2023. 

O fator climático, com a possibilidade de um terceiro La Niña, deixa o mercado em atenção diante da lembrança recente da safra de verão 2021/2022 na região Sul do país. “Ainda é cedo para trazer previsões sobre o início das chuvas e do plantio, e também como será o desenvolvimento da safra, mas as previsões iniciais são otimistas com projeções de até 150 milhões de toneladas para a safra de soja e até 130 milhões de toneladas para a safra de milho em 22/23, respectivamente”, comenta Podsclan. 

O crédito é outro ponto que merece atenção: o especialista explica que as linhas de crédito do Plano Safra 2021/2022 foram suspensas há cerca de 60 dias, e ainda não foram reestabelecidas. “A elevação da taxa de juros foi um dos fatores que interferiram nesse congelamento de recursos e ainda há indefinições e discussões em curso sobre o montante financeiro e taxa de juros para a safra 2022/2023, com o setor brigando pela manutenção dos juros das linhas de crédito em um dígito”. 

Mesmo com desafios, o agronegócio brasileiro terá grande expansão produtiva

Não há dúvidas de que, na safra 2022/2023, o produtor será forçado a enfrentar muitos desafios. Mas o jogo ainda está aberto e os resultados obtidos pelos agricultores nos últimos três anos, apesar de instabilidades que afetaram uma parte da produção, trazem a percepção de que o setor vai continuar em expansão produtiva, trazendo consigo o desenvolvimento de todo o aparato necessário para sustentar esse crescimento. 

Neste cenário, Podsclan acredita que o setor vive o processo de melhoria contínua e está sempre em transformação, desafiando e exigindo soluções eficientes. Assim, ele indica algumas das soluções que merecem protagonismo na safra 2022/2023: 

  • Novas tecnologias da era digital para o suporte no campo e nas indústrias, como o IoT
  • Novos formatos de crédito via mercado de capitais para ampliação dos investimentos (desde as propriedades rurais até as indústrias e comércio); 
  • Novas empresas (AgTechs) com novas soluções trazendo avanços na geração de empregos em toda a cadeia, assim como crescimento da participação e importância da produção brasileira no comércio mundial, com impactos positivos ao PIB do setor.

“Em todos os elos da cadeia do agronegócio as oportunidades são crescentes e mostram a importância do agro brasileiro no contexto global da produção de alimentos e energia”, conclui o especialista.

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