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Tecnologia

Tecnologias para produzir mais com menos: você está preparado para o agronegócio do futuro?

Nas rodas de conversa dos grandes especialistas em agronegócio não há dúvida: estamos em meio a um período de profundas mudanças na oferta e na demanda de alimentos. E o novo curso que se desenha no mundo inteiro terá efeitos mais rápido do que se pode esperar, já em 2020 e não só em 2050 como chegou a ser ventilado. Essa etapa inclui, essencialmente, tecnologias que atendam a necessidade de produzir mais com menos.

Antes de tudo, porém, é importante não cair no erro de resumir produtividade no agronegócio apenas ao aumento da produção em um mesma área, pois isso está direcionado ao fator terra. Já quando um funcionário produz mais por ter computador, máquina ou capital investido, tratamos da produtividade do fator capital. Também é preciso responder à escassez de mão de obra no campo, que determina outro fator de ganho de produtividade. “A terra é a mais evidente, no entanto, precisamos elevar a produtividade em todos os aspectos”, diz o diretor técnico da Informa Economics IEG | FNP, José Vicente Ferraz. A medida em que esse cerco começa a apertar torna-se urgente fazer uma revolução tecnológica no campo com mais automação e robótica.

De forma acertada, é preciso deixar no radar a gestão e a capacitação de recursos humanos para utilizar aparatos eletrônicos. Afinal, não adianta ter uma colheitadeira guiada por satélite se ninguém souber usá-la e tirar vantagem disso. Sem contar a gestão da chamada manufatura avançada, que permite máquinas operarem máquinas.

Precisamos elevar a produtividade em todos os aspectos

Tudo isso mexe com o perfil do funcionário do setor rural, que deixa de morar na propriedade e vai para uma cidadezinha próxima. Grande parte da produção será operada a distância, por pessoas que residirão no perímetro urbano e irão monitorar a fazenda o tempo todo pelo celular.

Os caminhos abertos pelo aumento da renda e pela urbanização mudam o agronegócio no mundo, afirma Ferraz. “Nessa toada, o frango deixa de ser depenado no fundo do quintal e passa ser produzido em escala numa indústria para ser congelado e distribuído. O processo de produção muda completamente e tem efeito na oferta e na demanda, pois começa a ter um sistema que elimina determinados tipos de consumo e implica no consumo de alimentos e em importações.”

Prova disso é a comparação dos hábitos de consumo da população urbana e rural, feita pela FAO, que indica que nas comunidades rurais as dietas são menos diversificadas enquanto que os moradores da cidade têm uma alimentação variada, rica em proteínas e gorduras animais. As cidades têm como característica consumir mais carnes, aves, leite e outros produtos lácteos. Impactada pelo êxodo rural, a China, por exemplo, tinha até o final do século passado carboidratos como base da alimentação, entretanto, as importações de carne devem subir 3% ao ano, na ordem de 1,7 milhão de toneladas, até 2022, um ano antes da população atingir a marca de 1,4 bilhão, segundo perspectiva das Nações Unidas.

 

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