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Passo a passo para fazer a correta devolução de embalagens

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Brasil é um exemplo a ser seguido, principalmente após a criação do Sistema Campo Limpo, gerenciado pelo Inpev e que realiza o que chamamos de logística reversa com a devolução de embalagens vazias de defensivos agrícolas no Brasil.

Mas você sabe qual tipo de embalagem deve ser devolvida e qual deve ser o passo a passo para fazer essa devolução? Veja nosso artigo de hoje e saiba tudo!

O que é o Sistema Campo Limpo para devolução de embalagens?

O Sistema Campo Limpo é a denominação do programa gerenciado pelo inpEV para realizar a logística reversa de embalagens vazias de defensivos agrícolas no Brasil.

Abrangendo todas as regiões do país, o Sistema tem como base o conceito de responsabilidade compartilhada entre agricultores, indústria, canais de distribuição e poder público, conforme determinações legais, o que tem garantido seu sucesso.

A partir de 2002, quando o Sistema Campo Limpo entrou em funcionamento, a maior parte das embalagens utilizadas na agricultura nacional passou a ter destinação correta.

Hoje, cerca de 94% das embalagens plásticas primárias (que entram em contato direto com o produto) e 80% do total de embalagens vazias de defensivos agrícolas que são comercializadas têm destino certo, tudo graças à eficiência do sistema Campo Limpo.

Cadeia compartilhada: da revenda à indústria fabricante

O Sistema Campo Limpo funciona como uma cadeia compartilhada de responsabilidade. Essa cadeia parte do momento da compra do produto químico, onde revendas, cooperativas e distribuidoras são obrigadas a colocar, na nota fiscal, o local de recebimento dessas embalagens.

Depois disso, a indústria fabricante recolhe, e fica responsável pela devolução de embalagens e por levá-las para a reciclagem ou encaminhar para um final correto.

Nesta cadeia de responsabilidade, Antonio Carlos Amaral, gerente de Operações do inpEV, explica que todas as embalagens de defensivos agrícolas devem ser devolvidas nas unidades de recebimento do Sistema Campo Limpo.

Todas as unidades indicadas pelo canal de distribuição na nota fiscal estão preparadas para receber as embalagens vazias de defensivos agrícolas”, diz.

Segundo Amaral há embalagens laváveis, que são rígidas (plásticas e metálicas) e servem para acondicionar formulações líquidas para serem diluídas em água. “Cerca de 1% destas embalagens são feitas de aço ou outros metais. A maioria, no entanto, é feita de plástico”.

As embalagens não laváveis são utilizadas para acondicionar produtos que não utilizam água como veículo de pulverização, além de todas as embalagens flexíveis e as embalagens secundárias.

Passo a passo para a devolução de embalagens vazias

Para a devolução de embalagens vazias nas unidades de recebimento, o produtor deve realizar um passo a passo bastante simples, mas muito importante. Antonio Amaral explica quais são esses passos.

  1. Lavagem das embalagens

Na propriedade agrícola, as embalagens vazias devem sempre ser armazenadas em local adequado, protegido e identificado, longe de pessoas, animais, suprimentos ou medicamentos. Devem também ser separadas por tipo: rígidas, flexíveis e secundárias.

Após o uso, as embalagens rígidas devem ser lavadas e inutilizadas pelo agricultor. “O produtor pode realizar a tríplice lavagem ou lavagem sob pressão”, ressalta o gerente de operações do inpEV.

A tríplice lavagem consiste em lavar três vezes a embalagem, depois de esvaziá-la totalmente, despejando a água de enxague dentro do tanque do equipamento de aplicação. Para inutilizar, basta perfurar o fundo da embalagem com um objeto pontiagudo.

Na lavagem sob pressão, a embalagem é encaixada no funil do pulverizador e a bomba do próprio equipamento gera a pressão para pressionar o bico de lavagem. A água limpa utilizada no processo é captada de um tanque extra, que pode ou não estar integrado ao equipamento.

A água da lavagem volta para o tanque do pulverizador e o fundo da embalagem vazias deve ser perfurado”, completa Amaral. Ele ainda ressalta que a lavagem é indispensável para permitir que a embalagem seja reciclada.

  1. Armazenamento da embalagem lavada

Depois de lavadas, as embalagens vazias devem ser armazenadas em local adequado com as tampas. “O ideal é devolver as tampas também, mas as EVs que passaram por tríplice lavagem podem vir destampadas – isso ajuda na hora do recebimento” diz Amaral.

Rótulos e caixas, separadas por tipo devem ser devolvidas na unidade de recebimento indicada pelo revendedor na nota fiscal até um ano após a compra. As embalagens com sobra de produto devem ser devolvidas até seis meses após o vencimento. O agendamento da devolução pode ser feito eletronicamente.

  1. Devolução de embalagens

O agricultor deve entregar as embalagens nas mais de 400 unidades de recebimento do Sistema Campo Limpo espalhadas pelos 26 estados brasileiros e Distrito Federal.

Do total de unidades, 92 contam com o Agendamento Eletrônico de Devolução. Também podem recorrer ao recebimento itinerante, consultando o calendário das unidades mais próximas”, indica Amaral.

Para o transporte, as embalagens rígidas devem ser acondicionadas de preferência na própria caixa de embarque. As embalagens flexíveis, depois de esvaziadas completamente no momento do uso, devem ser guardadas dentro de uma embalagem de resgate.

As embalagens nunca devem ser transportadas junto de pessoas ou animais”, lembra Amaral.

  1. Destinação da embalagem

O inpEV é o responsável por encaminhar as embalagens para dez recicladoras parceiras, que as transformam em diversos artefatos. “Além da Ecoplástica® e da Ecocap®, são produzidos diversos artefatos plásticos, entre eles conduítes e dutos, drenos e conexões, e tubos para esgoto”, diz Antonio Amaral.

As embalagens que não podem ser recicladas são encaminhadas para a incineração. “O Sistema destina 94% das embalagens plásticas primárias colocadas no mercado. Dessas: 94% são recicladas e 6% são incineradas”, completa o gerente de Operações do inpEV.

E você, já conhecia o passo a passo para devolução de embalagens vazias? 

 

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Siga esses passos legais para uso de energias renováveis na produção

Siga esses passos legais para uso de energias renováveis na produção.jpg

O interesse por fontes de geração de energia renováveis tem crescido cada vez mais, seja por ser uma opção às fontes convencionais de energia ou como novas fontes de renda (é possível comercializar o excedente de energia solar fotovoltaico gerado em uma fazenda, por exemplo). Há ainda a decisão do governo de a fim de incentivar os investimentos nesse mercado, reduzir a zero o Imposto de Importação de diversos equipamentos relativos ao setor de energia solar até dezembro de 2021, o que deve auxiliar as empresas que importam tais equipamentos, frente ao crescente aumento da taxa do dólar. Conversamos com Ana Lúcia Gonçalves Soares, sócia gestora da área de infraestrutura e energia do J Amaral Advogados, sobre os passos legais para utilização de energias renováveis no agro. Confira!

Agrishow - Quais as questões legais para começar a usar fontes de energia renováveis?

Ana Lúcia Gonçalves SoaresAo fazermos referência à propriedade de microgeradores e minigeradores, de acordo com norma da Aneel, é necessário, primeiramente, que o titular da unidade apresente à distribuidora a solicitação de acesso conforme regramento da Aneel. Para tanto, é necessário apresentar o formulário de solicitação de acesso e diversos documentos, como, por exemplo, o certificado de conformidade dos inversores e a ART do responsável técnico. Uma vez emitido o parecer de acesso, passa-se à instalação do sistema fotovoltaico. Após vistoria, é emitido um relatório de pendências (se aplicável).  Solucionadas eventuais pendências, há a aprovação do ponto, a troca do medidor e o início do uso.  

  Agrishow -E para a geração da própria fonte e comercialização de excedentes?

Ana Lúcia Gonçalves Soares Tal matéria foi regulada pela Resolução 482/12 da Aneel (“Resolução 482”) e em linhas gerais, a Resolução 482 prevê que o excedente de energia gerado pode ser convertido, integralmente, em créditos compensáveis em determinado período de tempo (60 meses). A Resolução 482 sofreu revisões e, recentemente, nova alteração foi iniciada, o que gerou, após diversas audiências públicas no curso de 2019, a proposta de que os excedentes sejam compensados em um período limite de até 36 meses. 

Uma das justificativas para tal modificação (redução do período para compensação) seria que durante o prazo para compensação, os micro e minigeradores não remuneram adequadamente os custos da rede. A Aneel pretende dar seguimento à questão para que as novas regras sejam aprovadas ainda em 2020.

Em oposição à tal mudança e visando regular tal matéria, em abril de 2020 foi apresentado o Projeto de Lei 2.215/20 (“PL 2.215”), pelo Deputado Beto Pereira, do PSDB-MT. 

O PL 2.215, dentre outras medidas, (i) mantém o prazo de compensação como sendo de até 60 meses e (ii) propõe criar um gatilho para o início da cobrança dos custos da seguinte forma: na hipótese do valor da geração distribuída ser (a) inferior a 15% da carga da concessionária ou permissionária, não há cobrança para a modalidade conhecida como microgeração e sistemas de minigeração remotos deverão pagar 50% do valor da TUSD Fio B; ou, se for (b) superior a 15% da carga da concessionária ou permissionária, fica definida a cobrança de 50% da TUSD Fio B e a minigeração modalidade remota passaria a pagar 100% da TUSD.

O PL 2.215 está tramitando e aguarda despacho do Presidente da Câmara dos Deputados.

 Agrishow -Como esse mercado está se desenhando legalmente no Brasil?

Ana Lúcia Gonçalves SoaresAlém das questões do PL 2.215, acima mencionadas, medidas relativas a este setor estão sendo tomadas tanto pelo Governo Federal quanto pelos Governos Estaduais. A fim de incentivar os investimentos nesse mercado, o Governo Federal reduziu a zero o Imposto de Importação de diversos equipamentos relativos ao setor de energia solar até dezembro de 2021, o que deve auxiliar as empresas que importam tais equipamentos, frente ao crescente aumento da taxa do dólar.

Simultaneamente, o Governo Federal editou o Decreto10.387/20 com medidas para facilitar o financiamento de projetos de infraestrutura que proporcionem benefícios ambientais ou sociais relevantes, como é o caso dos empreendimentos solares, por meio da criação das chamadas “debentures verdes”. 

Por seu turno, alguns Estados da Federação também estão concedendo benefícios para incentivar tal mercado, como é o caso do Rio de Janeiro, que concedeu isenção de ICMS para projetos de até 5 MW, conforme Lei 8.922/2020.

A expectativa é de que os governos, tanto em âmbito federal como estaduais, incentivem cada vez mais o mercado de energia solar, não só por se tratar de fonte de energia renovável, mas, principalmente, por seu imenso potencial de geração de empregos e renda, uma vez que o setor de energia solar, mesmo em face da  crise de saúde e econômica decorrentes da pandemia do COVID-19, gerou mais de 47 mil novos postos de trabalho, até julho de 2020, de acordo com o presidente do Conselho de Administração da ABSOLAR, Ronaldo Koloszuk.

Por fim, merece destaque o resultado de pesquisa realizada pelo Ibope, que indicou que 90% dos brasileiros querem gerar a própria energia, seja por meio de painéis solares ou por outras fontes renováveis

 

 

 

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O Agro é maior do que a estatística

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Para contar uma boa história, nem sempre precisamos de números, estatísticas, projeções e tabelas, porque os fatos também se comprovam com observação e disposição para ouvir”. É assim que termina um dos textos mais lindos que já li sobre o setor produtivo rural que traduz, com fidelidade, a essência do Agro dentro da porteira.

Com a devida permissão do autor e jornalista especializado em agronegócio, Tobias Ferraz, reproduzo a seguir parte do texto.  

“Em algum lugar do Brasil central, um jovem casal de produtores rurais põe a conversa em dia num final de tarde, com pôr do sol bem vermelho. Os dois sentados no banco rústico de madeira, à sombra de uma velha mangueira; ele tirando as botinas de trabalho, ela com uma peneira de taquara no colo escolhendo o feijão. Ela puxa a conversa: 

- Os ovos da carijó picaram hoje. Mais seis bicudinhos. 

Ele mostra um brilho intenso no olhar, abre um sorriso e diz: 

- Ela é boa mãe, né! Vai criar bem os pintinhos. 

 Ele se anima para trazer notícia do campo de fora: 

- A Gamela pariu uma “feminha”. Nasceu “chitada” que nem a vó. Lembra das manchas da Bordada? 

Ela sorri com mais uma notícia boa, que reforça os bons cuidados com a criação no sítio e emenda: 

- Se lembro!  Foi uma das mais leiteiras que já tivemos. A bezerrinha vai ser igual a vó, o pai é touro afamado, a semente dele é de filha leiteira, genética boa que puxa pro bom, se a pelagem é da vó, a mansidão e produção vêm junto, né!”.

Após relatar o diálogo acima, o autor comprova que ficou evidente o aumento do número de cabeças no galinheiro e a chegada do melhoramento genético na vacada de leite, com o nascimento da bezerrinha, filha de um touro provado, por inseminação artificial. 

Ferraz vai além: explica que enxergar a grandiosidade e a série de informações contidas numa conversa doméstica rural é exercitar a arte de entender e traduzir a forma e o conteúdo empregado pelo pessoal da roça.

No entanto, quase não nos deparamos com as histórias das experiências vivenciadas no campo de forma humanizada. Nesse cenário –  por vezes esquecido, em que reside praticamente um dialeto para quem não sabe o que é pisar no campo, porque apenas projeta números do Agro trancado entre quatro paredes no conforto de um ar-condicionado –, perde-se uma imensa riqueza cultural e informações de grande valia para a continuidade e aperfeiçoamento dos estudos advindos da lida rural.

Enfim, não basta fazer planilhas, ou discursar eloquentemente sobre a pujança do Agro, se a manutenção dessa potência depende de ouvirmos com empatia, e não burocraticamente, o que os nossos homens e mulheres do campo sentem e têm a dizer. É o orgulho deles por ser Agro que ainda mantém as nossas estatísticas positivas e em pé.  

Um forte abraço AgroAmigo para você do campo e da cidade.

Lilian Dias é jornalista especializada em agronegócio, possui MBA Executivo pela ESPM, com foco em habilidades de comunicação, gestão de pessoas e práticas de liderança, e é autora do e-book "Os Pilares do Agronegócio". Workshops onlines e gratuitos pelo link: https://www.liliandias.com.br/workshop . Instagram: @jornalistalilian - E-mail: [email protected]

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Como inovar no agro brasileiro e o papel da incubadora nesse processo

Como inovar no agro brasileiro e o papel da incubadora nesse processo.jpg

Desenvolvimento de soluções são rotina para o agronegócio. Nos últimos anos novas ferramentas criadas por -também novas – startups chegaram às mãos do produtor. Há um desafio, no entanto, que tem chamado a atenção de quem está mais envolvido no dia-a-dia produtivo e pesquisadores: um relativo distanciamento entre o que é oferecido e o que é necessário como resposta aos problemas. Conversamos com o gerente de novos modelos de negócios e inovação da InovaJab da Unesp (Universidade Estadual Paulista) em Jaboticabal (SP), Rafael Parras, sobre como de fato inovar no agro e o papel de incubadoras no processo. Confira!

Digital Agrishow Qual o maior "erro" no desenvolvimento de inovações para o agronegócio?

Rafael Parras: A falta de conexão entre os interlocutores do processo de inovação, como: indústria, poder público e universidade é um dos maiores impeditivos para o desenvolvimento de novos negócios tecnológicos. Soma-se a isso a burocracia dos setores públicos e a velocidade do ambiente privado, que por estarem em dessintonia não geram produtos e serviços compartilhados para o mercado. O diálogo entre esses interlocutores deve ser estimulado e agentes de governança devem atuar para que os diferentes setores se comuniquem, e com essa comunicação resolvam problemas comuns e que o fruto dessa parceria seja um produto ou processo que melhore e desenvolva o ambiente econômico, social e ambiental.

Digital Agrishow Para onde caminham os novos modelos de negócio do agro nacional?

Rafael Parras: Os novos negócios caminham para a integração de tecnologia e a multidisciplinaridade do campo, durante muito tempo poucas carreiras profissionais e acadêmicas estavam focadas em resolver os problemas dentro das porteiras. A necessidade de produzir mais alimento, fibra e energia fez com que todos os setores tecnológicos voltassem seus olhos para o agronegócio. Esse interesse é ótimo, pois está resultando em diversos produtos e serviços que aumentam a produtividade e melhoram a sustentabilidade do sistema produtivo. É possível observar uma tendência a economia colaborativa e mudanças na forma de ofertar produtos e serviços ao mercado. Atualmente, vendemos aquilo que resolve o problema, no futuro, venderemos a solução do problema.

Digital Agrishow Como começar a inovar? E qual a importância das incubadores para isso?

Rafael Parras: A inovação parte do desejo de resolver um problema, que depois de analisado e estudado, recebe proposições de solução, e se esse problema for grande e essa solução for viável, temos aí um possível produto ou processo inovador. As incubadoras, como a Inovajab - Incubadora do agronegócio da Unesp de Jaboticabal, trabalha como interlocutora entre as necessidades dos empreendimentos associados e incubados e a melhor solução que atenda a essa demanda, como:  infraestrutura, treinamento, conectividade com o mercado e investidores entre outras muitas atividades que suportem os incubados a se desenvolverem e amadurecerem mercadologicamente.

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Quer saber um pouco sobre Commodities e Comercialização?

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Precisamos reforçar o que o setor agro representa para o Brasil, pois não podemos descontextualizar nessa nossa conversa aqui que o DNA brasileiro é essencialmente agro.

Temos um setor de citrus que gera uma representatividade superior a 80% do comércio mundial do suco de laranja. Citricultura gera 1 emprego a cada 9 hectares.

O café brasileiro é exportado para quase 130 países, sendo que em 2019 foi o décimo principal produto brasileiro exportado. E como curiosidade, a Alemanha é o segundo maior importador do nosso grão.

A carne brasileira dá show no exterior e o que era bom só melhora. Com a peste suína africana na China, nossa carne vem batendo recorde atrás de recorde. Os embarques de diversas proteínas só crescem.

E o Brasil com a particularidade de produzir duas safras em um mesmo ano comercial se consolidou com o terceiro maior produtor mundial de milho e vem aumentando. Ano passado exportamos 41 milhões de toneladas e esse ano a CONAB estima que exportaremos 34.5 milhões.

E paralelo o MAPA estima o Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) em 2020 seja de quase R$ 690 bilhões, o que representa uma alta de quase 8% frente a 2019. Olha só a força do nosso setor.

Bom, mas agora vamos falar da soja que levou o Brasil a se consolidar não apenas como o maior produtor mundial, como o maior exportador. Claro que aqui nessa avaliação precisamos considerar que fomos favorecidos pelo agravamento da guerra comercial entre os EUA e China e por redução de área de plantio devido a chuvas nos EUA. Mas é fato também que a desvalorização cambial tem estimulado uma maior competitividade das famílias produtoras do grão.

Tendo dito isso acho que podemos entender um pouco da responsabilidade que o setor carrega nacional e mundialmente. Alimentar o mundo e estimular crescimento e divisão de receita são missões importantes que precisamos reforçar.

As famílias produtoras estão expostas a todo o tipo de influências e fundamentos de mercado quando decidem produzir. E agora focando na comercialização, geralmente tomam essa decisão baseados nos preços de veda e nas informações sobre as tendências de mercado.

Com um viés desafiador, são as famílias produtoras que absorvem muitos dos impactos negativos do setor e na ponta imediata as empresas que fomentam crédito para haja produção.

É perceptível um crescente processo de em busca de profissionalismo nos diversos segmentos do setor à medida que as famílias produtoras e as empresas do agro investem em informação e capacitação importantes. Mesmo assim há uma concentração importante de famílias e empresas que ainda não investem em práticas importantes de gestão.

Para mim fica clara uma importante premissa na hora de comercializar: cada parte deve conhecer do seu negócio, inclusive saber a fundo seus custos. Seja de produção, sejam operacionais. Não basta apenas investir em tecnologia e se dedicar à atividade. É conhecendo amplamente o mercado, estando atualizados e sabendo quais custos gerados pela atividade que fica mais fácil buscar as diversas modalidades de estratégias de comercialização.

Hoje questões como capacidade de armazenagem, parceria comercial envolvendo ou não financiamento, custos de transporte, acesso à estrutura e informações relevantes podem influenciar a modalidade de negociação dessa origem.

Um outro ponto a contextualizar e ainda hoje um grande desafio que o agro se depara é a conexão digital. Embora a cada safra a tecnologia cresça dentro da porteira e a exposição digital venha acontecendo, basta um simples momento desconectado para que oportunidades de comercialização sejam perdidas. E isso vale tanto para dentro como fora da porteira om compradores desconectados em trechos de viagens sem sinal, ou treinamentos e reuniões sem acesso. Aqui nesse ponto, muitas vezes a falta de gestão em delegar funções pode representar prejuízos as duas partes envolvidas na comercialização.

Também é preciso entender que além da forma clássica de comercialização de produtores e seus compradores, existe uma rede secundária de comercialização envolvendo demais participantes até chegar ao final da cadeia. No caso da soja, a quem vai processar para obter farelo e óleo de soja, ou a quem vai exportar o grão in natura.

Daquele momento inicial até a ponta final, muitas outras negociações podem acontecer passando por cerealistas, revendas, cooperativas e através deste exercício que conseguimos entender o quão interligados estão os elos da cadeia e quanto uma má performance comercial em determinada pontada cadeia pode representar para a operação.

No texto do próximo mês vamos continuar abordando aspectos sobre comercialização agrícola. Eu te vejo em setembro.

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