Agrishow faz parte da divisão Informa Markets da Informa PLC

Este site é operado por uma empresa ou empresas de propriedade da Informa PLC e todos os direitos autorais residem com eles. A sede da Informa PLC é 5 Howick Place, Londres SW1P 1WG. Registrado na Inglaterra e no País de Gales. Número 8860726.

Sitemap


Articles from 2019 In May


Como o agronegócio pode se beneficiar dos “Vales do Silício Brasileiros”?

Como o agronegócio pode se beneficiar dos “Vales do Silício Brasileiros”?

Você já ouviu falar no Vale do Silício, localizado nos Estados Unidos? A região representa uma face muito conhecida quando o assunto é inovação tecnológica, tanto que lá estão empresas como Google, Apple, Facebook e Netflix. Muitas das inovações lá desenvolvidas viraram tendência tecnológica em todo o mundo.

Mas você sabia que o Brasil também tem seus “Vales do Silício”? Porém, diferente dos EUA o enfoque desses verdadeiros polos tecnológicos é voltado diretamente ao agronegócio. Um desses polos de inovação está localizado na região de Piracicaba e vem sendo conhecido como “Vale de Piracicaba”. Nesta região que está localizado o AgTech Garage, considerado um importante hub de startups e de fomento de desenvolvimento de projetos ligados ao agronegócio.

Agri_bannerDig_Ingresso1oLote_320x50.png

AgTech Garage: Conexão gera Inovação

O projeto do AgTech Garage é relativamente recente, mas já vem sendo conhecido como um dos principais hubs de inovação do Agronegócio a nível mundial. Esse polo de inovação do agronegócio tem parcerias bastante alicerçadas com variadas empresas líderes nos seus segmentos. Por essa razão, Tomé explica que essa iniciativa é protagonista de uma nova dinâmica da inovação no Agro, que vem sendo aberta, em rede, colaborativa e muito ágil.

As iniciativas do AgTech Garage promovem a conexão entre grandes empresas, startups, produtores, investidores, academia entre outros atores do ecossistema de inovação e empreendedorismo do Agro, para desenvolver soluções tecnológicas que aumentem a sustentabilidade e competitividade do agronegócio brasileiro”, diz o empreendedor e fundador do AgTech Garage, José Tomé.

Segundo Tomé “Conexão Gera Inovação”, ou seja, quando todos estão conectados e com os mesmos objetivos, a inovação será um resultado muito mais próximo e faz questão de citar os parceiros que fazem a AgTech Garage acontecer:

  • Parceiros de Inovação: Bayer, Sicredi, OCP Group e Ourofino Saúde Animal.
  • Parceiros do Ecossistema: Agrigento, Cargill, CBA, CPqD, Danone, Delaval, Dairy Partners Americas (DPA), GDM Seeds, Genesis Group, John Deere, Koppert, Lots Group, MunichRe, Nestlé Purina, Ourofino Agrociência, Sumitomo, Suzano, TIM, TozziniFreire Advogados e UPL.
  • Demais parceiros: AguassantaDI, CBA and TozziniFreire Advogados.

Programe-sua-viagem_320x50.png

Como startups podem participar dos polos de inovação do agronegócio?

Várias são as possibilidades para que uma empresa consiga participar de um polo de inovação no agronegócio.

No caso do AgTech Garage, Tomé diz que as startups podem participar como residentes e ter a oportunidade de se conectar diretamente com potenciais parceiros, produtores e investidores. “Ao ser residente, a Startup terá exposição para o mercado. Poderá também participar de eventos de formação empreendedora e programas de mentoria”, explica.

Além disso o fundador da AgTech Garage indica que startups de todo Brasil podem participar virtualmente através de uma plataforma digital. “Estando na plataforma a startup terá a possibilidade de participar dos desafios e chamadas dos partners, poderá ser convidada para eventos presenciais e também vai se conectar com outros empreendedores para troca de experiência”.

Incentivo para novos polos tecnológicos em agronegócio

Na opinião de Tomé, essa iniciativa do Vale do Piracicaba representa um importante estímulo e incentivo para o surgimento de novos polos tecnológicos, que trarão inovação ao agronegócio de todo o Brasil.

Cidades com polos tecnológicos, que também estão sendo chamadas de distritos de inovação, são fundamentais para acelerar desenvolvimento de tecnologias para o setor”.

Tomé ainda ressalta que os desafios da atualidade são cada vez mais complexos e multidisciplinares, por isso as soluções passam necessariamente por parcerias entre os diferentes atores do ecossistema de inovação. “Hoje nossa capacidade de inovar é diretamente proporcional à nossa capacidade de se conectar. Desse modo, as cidades com polos tecnológicos promovem essas conexões, principalmente na velocidade que se necessita”, diz.

O Vale do Piracicaba é um desses distritos de inovação, pois concentra diferentes atores que juntos estão acelerando diferentes tecnologias. Na AgTech Garage, as inovações em andamento são:

  • Uso de dados para automação da tomada de decisão de manejo, como é o caso da Smartbreeder;
  • Digitalização de florestas para facilitar o inventário florestal, caso da Forlidar;
  • Uso de satélites para monitoramento da lavoura de cana, inovação da IDGeo;
  • Mitigação de risco bancário, caso da TerraMagna;
  • Inteligência para controle da mastite na produção de leite; que vem sendo desenvolvida pela OnFarm;
  • Novas formas de educação para o campo, caso da EducaPoint. “A EducaPoint é uma espécie de Netflix do agro”, explica Tomé.

 

Como o agronegócio vai ajudar no crescimento do PIB

 

O PIB brasileiro precisa crescer 4% ao ano. E para que isso ocorra devemos dobrar o tamanho do agronegócio – responsável por um terço do nosso Produto Interno Bruto – com foco, gestão e liderança, revisão na estrutura tributária, menos burocracia e uma política agroindustrial avançada. Reunidos, essas ações geram mais segurança para o produtor agropecuário brasileiro.

 

“Produtor não é jogador de cassino”, José Luiz Tejon

 

Com o crescimento populacional sobram oportunidades para o agronegócio brasileiro; “somos líder no cinturão tropical e com demanda de crescimento humano só depende de nós, mas precisamos de política agroindustrial”. Além disso, ainda de acordo com Tejon, o que o agro ainda não percebeu é que ele é a grande inspiração para educação, pois sem ela não existiram soluções que facilitam rotina do produtor – como a agricultura de precisão -, “Para ir daqui para frente tem que ter vontade de aprender. Antes o que você aprendia era usado por vinte anos, hoje tem que aprender todo dia”.

Quais principais desafios de armazenagem no Brasil?

 

 

Problemas de infraestrutura logística e baixo nível tecnológico nas propriedades podem gerar perda para diversos agricultores, afinal a armazenagem de materiais realizada de maneira incorreta é um dos principais responsáveis pela perda de produtos após a colheita. A utilização de silos é uma das alternativas para resolver esse problema. Mas, para não ter problemas em sua utilização, é necessário sempre fazer uma limpeza e manutenção, principalmente, nos silos metálicos – evitando assim, contaminações.

 

Como não errar no manejo de adubação de soja

Como não errar no manejo de adubação de soja

Já faz certo tempo que a soja segue com importante destaque na produção brasileira de grãos, apresentando contínuos crescimentos tanto na área plantada quanto na produtividade, tendo na eficiente adubação da soja um dos grandes responsáveis por esse sucesso.

Entretanto, a elevação do custo da adubação vem sendo motivo de grande preocupação dos agricultores, principalmente em razão do custo mais elevado na compra de fertilizantes. Por essa razão, é importante que nos atentemos às particularidades do manejo de adubação da soja, sem que existam desperdícios e que o potencial de produção da cultura seja assegurado.

Manejo de adubação da soja: por que você deve fazer?

Independente da cultura, manejar a adubação significa tomar decisões de forma antecipada, ou seja, ainda sem a presença das plantas. Nesse sentido, o professor de Química do Solo da Faculdade de Agronomia da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), Tales Tiecher salienta que na cultura da soja o melhor indicador que demonstra se o manejo da adubação está sendo adequado ou não é a sua produtividade, entretanto, ele faz uma ressalva importante.

“Para explorar o máximo potencial produtivo da cultura da soja é necessário que o solo tenha fertilidade adequada desde o primeiro dia após a semeadura. Somente com a quantidade de nutrientes essenciais às plantas de soja, em quantidade adequada para o seu pleno crescimento e desenvolvimento, e livre da presença de elementos tóxicos durante todo o seu ciclo, será possível alcançar alta produtividade”.

Além disso, o pesquisador explica que sob condições de escassez de algum nutriente ou sob condições de alto teor de algum elemento tóxico, as plantas podem demonstrar sintomas visuais na sua morfologia (coloração e menor desenvolvimento, por exemplo), o que pode prejudicar toda a produtividade.

Nesses casos, o dano econômico dificilmente será revertido com adubações foliares ou de cobertura, mostrando ainda mais a importância da realização de um eficaz manejo de adubação da soja desde a semeadura.

4 medidas para realizar um eficiente manejo de adubação da soja

Alguns são os fatores que influenciam na eficiência do manejo da adubação da soja e por isso precisam ser considerados. Dentre os fatores mais importantes, Tiecher cita:

  1. Dose do fertilizante;
  2. Tipo de fertilizante;
  3. Local de aplicação; e
  4. Momento da aplicação dos fertilizantes e corretivos

Baseado nesses quatro fatores, Tiecher explica que algumas medidas são essenciais para que o agricultor possa tomar as decisões mais corretas no manejo da adubação da soja.

A primeira medida indicada pelo professor da UFRGS é fazer a correta análise do solo. “A correta análise do solo deve ser realizada por laboratórios idôneos, além disso é importante utilizar amostras de solo representativas da gleba cultivada”.

Com base nos resultados da análise de solo e na expectativa de produção da soja, o professor indica que se deve utilizar os sistemas de recomendações oficiais de cada região para definir a adubação e correção do solo quando necessária.

Tiecher explica também que a análise do solo deve ser realizada com maior frequência (no mínimo a cada duas ou três  safras), impedindo que falhas na adubação resultem num desbalanço nutricional da cultura.

É necessário ter em mente que nunca adubamos ou corrigimos o mesmo solo duas vezes, pois após a aplicação de fertilizantes o solo não será mais o mesmo, ou seja, uma nova análise do solo deve ser realizada”.

Neste contexto, o professor explica que atualmente existem muitas ferramentas, inclusive on-line e gratuitas, que auxiliam na interpretação dos resultados da análise de solo e na definição da dose, tipo de fertilizante, local e modo de aplicação, que levam em consideração as especificidades de cada região do Brasil.

Evite erros mais comuns durante o manejo de adubação

Vimos até aqui a importância em priorizar alguns passos para um bom manejo de adubação da soja, mas alguns erros precisam ser evitados.

Na concepção de Tiecher, os erros mais comuns no manejo da adubação da soja têm relação com:

  • Coleta de amostras de solo realizada de forma inadequada – “Uma amostragem de solo malfeita põe em risco todos os demais esforços feitos a partir da interpretação e recomendação”, explica;
  • Erros na definição dos quatro fatores acima descritos – “Erros na dose de fertilizantes e corretivos, por exemplo, podem levar a resultados que dificilmente serão revertidos no curto prazo”, diz.

O professor explica que as consequências da definição da dose de nutriente aplicado sem levar em consideração a sua disponibilidade no solo e a necessidade da cultura podem ser bastante sérias.

Segundo ele, essa falha pode resultar em aplicações de doses insuficientes, que levam a menor produtividade, ou a doses acima do necessário, que aumentam desnecessariamente os custos de produção.

Por fim, o professor salienta que atenção especial deve ser dada para o modo de aplicação de nutrientes com baixa mobilidade no solo, como é o caso do Fósforo (P). Ele dá um exemplo:

A aplicação superficial de P em áreas com baixo teor desse nutriente em subsuperfície pode resultar em menor produtividade da soja, especialmente em anos com déficit hídrico”.

Além disso, como o Fósforo tende a ficar acumulado no local onde ele é aplicado, a aplicação superficial em áreas declivosas, aumentam as perdas do nutriente por escoamento e erosão superficial, aumentando o potencial de contaminação das águas dos rios.

Roberto Rodrigues comenta vantagens e desafios da Agricultura 4.0 no Brasil. Confira!

 

A Agricultura 4.0 já é uma realidade no Brasil - com temas como nanotecnologia e biotecnologia sendo desenvolvidos a passos largos -, potencializando ganhos do produtor. Porém, a conectividade ainda é um desafio que impacta qualidade e a rápida adoção da Agricultura 4.0 no País. Confira essa e outras informações nesta entrevista exclusiva com Roberto Rodrigues para o Digital Agrishow.

Produtor: essas são as vantagens econômicas em usar novas fontes de energia

Produtor: essas são as vantagens econômicas em usar novas fontes de energia

Uma fazenda com bateria, gerador de gás e painel solar pode ficar energeticamente independente. Energia solar é gerada durante o dia, armazenada em uma bateria para usar de noite e, no caso da falta de energia, o gerador a gás entra para suprir a demanda, permitindo o consumidor ficar fora da rede da distribuidora. O avanço das renováveis no Brasil, que consolidou a fonte eólica e deve fazer com que a solar tenha o mesmo destino, confere para esta última o maior potencial de descentralização. "A tendência é a eólica centralizada e a solar distribuída, por causa das tecnologias e dos recursos energéticos", disse Elbia Gannoum, presidente executiva da ABEEólica (Associação Brasileira de Energia Eólica).

O custo para instalar esses sistemas em residências de até 700 metros quadrados, por exemplo, podem chegar R$ 60 mil, com a instalação de 66 módulos fotovoltaicos. Entretanto, especialistas afirmam que o investimento é compensado a longo prazo, pois os gastos mensais com energia elétrica podem ser reduzidos de R$ 1.200,00 para R$ R$ 116,00.

Comparados a outros países mais desenvolvidos, o Sistema Elétrico Brasileiro ainda tem muito o que avançar, porém algumas iniciativas já começam a entrar em marcha, como é o caso da geração distribuída, modelo em que o próprio consumidor pode produzir sua própria energia utilizando fontes como solar, biogás, biomassa, eólica, hidrelétrica. Assim, novos desenhos de mercado para fazer mais com menos recursos e de maneira sustentável estão em desenvolvimento. Inclusive no mercado de energia.

As tendências que guiam o futuro do setor de energia mundial envolvem a produção e o consumo de energia renovável, investimentos em digitalização de redes elétricas de média e baixa tensão; automação e gerenciamento do consumo de indústrias, comércios e residências; mobilidade elétrica; além de novas tecnologias de armazenamento e geração de energia descentralizadas. Toda essa transformação energética foi sintetizada em 3Ds: Descarbonização, Digitalização e Descentralização.

Segundo o CEO da ECOEE, Vicente Bocuzzi, atualmente é possível ao consumidor buscar serviços alternativos de energia, da mesma maneira que é feito com plataformas opcionais de transporte. “Novos entrantes já estão desenvolvendo soluções para oferecer nessa área de energia”, explica.

Regulação

“A agência reguladora está entusiasmada com as novas tecnologias, um exemplo disso é a Resolução Normativa 482/12. Enfrentar o tema da geração distribuída é reconhecer que essa é uma tecnologia inexorável para o país. Sabemos que: ou a agência regula, ou ela será atropelada pela tecnologia”, disse o diretor da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), Efrain Pereira da Cruz.

E com cada vez mais geração distribuída impulsionando a descentralização, micro e mini geração podem permitir que a energia tenha um fluxo diferente, saindo do tradicional usina-transmissão-distribuição A massificação das baterias também pode acabar sendo uma aliada importante para o grito de independência do consumidor da rede da distribuidora.

Manejo Integrado de Pragas: Saiba o que é e porque fazer

Manejo Integrado de Pragas: Saiba o que é e porque fazer

*Imagem: Pano de batida para ilustrar o MIP. Credito: RRRufino/ Arquivo Embrapa

No Brasil, as pragas em lavouras são as grandes responsáveis por tirar o sono de qualquer agricultor. Por isso, o correto planejamento agrícola é fundamental para o sucesso da atividade e, nesse sentido a adoção do manejo integrado de pragas pode ser um bom começo. Também conhecido como MIP, esse tipo de manejo utiliza diversas técnicas para manter a população de pragas abaixo do nível de dano econômico, relacionando com aspectos econômicos, sociais e ecológicos. Entretanto, para que esse conjunto de técnicas seja eficaz, ele precisa ser realizado de maneira planejada e harmoniosa, sendo essa a base para solidez de um programa de Manejo Integrado de Pragas.

Baseado nessa busca por um MIP eficaz, conversamos com Arnold Barbosa de Oliveira, agente de Transferência de Tecnologia da Embrapa Soja. Ele nos mostra como é feito o manejo integrado de pragas e porque o agricultor deve adota-lo.

Manejo Integrado de Pragas: O que é?

O Manejo Integrado de Pragas é a integração de diferentes estratégias destinadas ao controle de pragas para melhor proteção da cultura, sempre com o mínimo de efeitos indesejados.

Neste sentido, Arnold Oliveira explica que as intervenções de controle são decididas conforme algumas variáveis, tais como:

  • Monitoramento periódico da lavoura;
  • Características habituais das plantas; e
  • Presenças e comportamentos das pragas e dos seus inimigos naturais, que contaminam as culturas ou delas se alimentam.

O pesquisador indica que será através do monitoramento periódico que podemos conhecer as espécies e os níveis populacionais das pragas e inimigos naturais presentes na área - e em alguns casos, as quantificações das injúrias já causadas às plantas.

Oliveira complementa: “Com base em um nível de controle pré-estabelecido, conforme a capacidade de recuperação da planta, podemos decidir a conveniência de intervir na lavoura ou deixar que ocorra a mortalidade natural das pragas por condições climáticas e inimigos naturais”.

Fazendo isso, o pesquisador indica que se busca implementar medidas de controle apenas com densidades populacionais ou intensidades de ataques capazes de evoluir para perdas econômicas superiores ao custo do controle.

Com o MIP, preserva-se ao máximo, o controle natural que o ambiente exerce sobre as pragas, que costuma ser muito efetivo em manter baixas as populações de pragas e ter efeito mais prolongado”.

Como fazer um manejo integrado eficaz?

Oliveira salienta que o monitoramento das pragas na lavoura é bastante simples, podendo ser realizado por produtores de diversas categorias, desde que sejam devidamente orientados por consultores ou extensionistas que dominam o método.

O monitoramento é feito com o uso de um instrumento denominado “pano de batida”, no qual as pragas e alguns inimigos naturais são derriçados, identificados, contados e registrados, de forma a orientar as decisões e a produzir um histórico de cada talhão na lavoura”, explica Oliveira.

Ainda segundo o agente da Embrapa Soja, a utilização segura e confortável do MIP depende apenas do entendimento do processo, de forma a reduzir o nível de ansiedade em relação às medidas de controle, que ele considera como um dos maiores empecilhos à utilização do método.

Por essa razão ele dá uma dica para iniciantes no manejo integrado de pragas:

Muitas vezes é interessante que o produtor experimente o MIP em uma área delimitada da propriedade para dominar o método, internalizar a sua eficácia, e se sentir confortável com as mudanças a serem implementadas e com questionamentos comumente apresentados por terceiros”.

Informações de qualidade levantadas. Principal vantagem do MIP

O pesquisador da Embrapa Soja explica que muitas são as vantagens da adoção do Manejo Integrado de Pragas pelo agricultor. Mas na concepção dele, a vantagem mais significativa do MIP é a intervenção na lavoura baseada em informações coletadas.

Esse tipo de intervenção será realizada apenas com o subsídio de informações levantadas na área, que chamamos de ações de inteligência”, diz. Segundo Oliveira, as informações levantadas na área permitem utilizar o melhor produto, no melhor momento, de forma a promover:

  • Maior eficácia das intervenções;
  • Redução dos custos de controle;
  • Preservação de inimigos naturais;
  • Prevenção dos efeitos indesejados; e
  • Redução no uso de defensivos químicos aplicados de forma desenfreada

Resultados práticos da adoção do MIP 

Segundo Oliveira, os resultados práticos da adoção do manejo integrado de pragas já comprovam a eficiência desse conjunto de ações.

Uma amostragem dessa eficiência é comprovada em trabalhos da Emater do Paraná e da Embrapa Soja. Desde a safra 2014/2015, essas instituições têm feito um trabalho para levar o MIP e outras boas práticas agrícolas aos produtores, tendo envolvido 612 propriedades referenciais, até o momento.

O pesquisador indica que os resultados médios dentro e fora das unidades de referência evidenciam as vantagens do MIP:

  • Conseguiu-se reduzir o número médio de aplicações: de 4,1 aplicações observadas sem o MIP, para 2,1 aplicações com o MIP.
  • Enquanto o agricultor comum esperou em média, apenas 38 dias para fazer a primeira aplicação, o produtor praticante do MIP esperou, tranquilamente, em média 67 dias, com base no monitoramento da lavoura.
  • O MIP permitiu uma redução média no custo de aplicações correspondente ao valor de 2,3 sacas de soja em cada hectare.
  • A produtividade média nas áreas com MIP e com outras boas práticas agrícolas foi de 59 sacas por hectare, enquanto que sem o MIP, foi de 57 sacas por hectare.

Portanto, os resultados da adoção do Manejo Integrado de Pragas evidenciam as vantagens do MIP”, finaliza Oliveira.

Pecuária de ciclo curto: mais eficiência na produção animal

Pecuária de ciclo curto: mais eficiência na produção animal

No Brasil dois são os sistemas de produção de bovinos mais comuns. O primeiro é o sistema extensivo, caracterizado pela produção a pasto e com pouca tecnologia. Já o segundo é intensivo, onde o investimento em nutrição, genética e manejo são bem maiores. Esse segundo sistema também pode ser caracterizado pelo que chamamos de pecuária de ciclo curto.

Na pecuária de ciclo curto a adoção de práticas como suplementação, o confinamento para terminação, o semi-confinamento e a suplementação no período seco são estratégias comuns para aumentar a eficiência e a produtividade, possibilitando um uso mais sustentável da terra e dos recursos naturais.

Para saber mais sobre este tipo de produção, conversamos com Sérgio Raposo de Medeiros, pesquisador da Embrapa Pecuária Sudeste. Medeiros explica como funciona essa técnica e como o produtor deve se planejar para superar os desafios e aproveitar as oportunidades.

Pecuária de Ciclo Curto: redução do tempo e aumento da suplementação

Não há um conceito muito claro para o termo pecuária de ciclo curto. Mas, para Sérgio Medeiros, “a pecuária de ciclo curto seria aquela em que a idade de abate do animal ou a idade da primeira cria é significativamente reduzida em relação aos 30-36 meses usuais”.

Assim, quando comparamos o sistema de produção tradicional (extensivo) e o sistema de pecuária de ciclo curto, observamos que existe uma diferença discrepante nos índices produtivos, que serão muito maiores no sistema intensivo.

Acredita-se que toda essa discrepância se dá principalmente pelo uso da suplementação em sistemas intensivos ou em algum ciclo de vida do animal, como explica o pesquisador da Embrapa.

Talvez a característica mais marcante da “pecuária de ciclo curto” seja o uso de concentrado de maneira mais intensiva em, pelo menos, uma das fases da vida do animal, possibilitando um crescimento ou engorda mais rápidos”.

A pecuária de ciclo curto precisa compensar financeiramente

Por ser feita com uso de altas quantidades de concentrado, a pecuária de ciclo curto pode ser adotada em qualquer região do país.

Entretanto, para que seja eficiente, Sérgio Medeiros ressalta que os valores de venda da arroba devem compensar esse maior investimento em alimentação, sendo esse o fator preponderante para o sucesso dessa exploração pecuária.

Devido a essa característica, a pecuária de ciclo curto pode ser uma opção para quem está perto de áreas de produção de grãos, que podem produzir uma arroba mais barata. Também pode ser adotada em áreas de melhores preços de arroba, mais próximas dos grandes centros consumidores”, explica.

Medeiros comenta também que está aumentando o número de adeptos em locais de preços baixos de grãos. “Assim, apesar de ser mais fácil encontrar projetos intensivos no Sudeste, o maior crescimento em adoção ocorre no Centro-Oeste”, comenta o pesquisador.

Uma opção bastante comum neste contexto é a suplementação contínua do animal com 0,3 – 0,5% do peso vivo por dia e a terminação em confinamento ou confinamento à pasto, quando recebe cerca de 1,8-2,0% do seu peso vivo de concentrado na pastagem.

Segundo o pesquisador da Embrapa, nesse caso a forragem representaria uma pequena parte do consumo para garantir um mínimo de fibra, evitando assim problemas metabólicos.

Principais vantagens da pecuária de ciclo curto

Como visto, a pecuária de ciclo curto depende da qualidade e do custo da suplementação e do valor da arroba na região, possibilitando um custo benefício positivo. Se isso for conseguido, a grande vantagem, segundo Medeiros, será o aumento da rentabilidade. “Num mesmo período de tempo, teremos maior faturamento”, diz.

Medeiros explica ainda que a produção mais intensiva, em geral, ajuda a:

  • Diluir custos fixos, como o de construção e depreciação do curral e do custo da terra por produzir mais por área;
  • Reduzir o custo da terra, pois necessita-se uma área menor.

Além desses benefícios, a eficiência alimentar é maior, com maiores ganhos de peso obtidos no ciclo curto estimulando a deposição de gordura, facilitando a terminação do animal para abate”, complementa Medeiros.

Em relação à esta última característica, Medeiros cita uma última vantagem comercial: “carnes produzidas em sistemas intensivos costumam ser reconhecidas como de melhor qualidade, sendo possível conseguir algumas bonificações oferecidas pelo mercado”.

Reduzir o risco é um grande desafio

Mesmo sendo uma atividade que gera elevados lucros quando bem realizada, a pecuária de ciclo curto envolve muito risco - que precisa ser considerado.

Segundo Medeiros, o investimento é maior na alimentação dos animais, por isso todo o cuidado para que os outros componentes do sistema estejam alinhados com esse maior investimento é fundamental para o sucesso. O pesquisador dá um exemplo:

Animais de melhor qualidade devem ser usados sob o risco de jogar-se dinheiro fora, caso os animais não tenham genética para responder a intensificação do sistema. O manejo fica mais complexo e delicado”.

Medeiros ressalta também que pequenos erros podem resultar em grandes perdas. “Basta uma falha no dimensionamento do espaço linear de cocho para os animais ou qualquer outro erro relacionado à oferta e consumo do suplemento para os resultados irem por água abaixo”.

Mas, independentemente desses erros, o maior desafio da pecuária de ciclo curto é, sem dúvidas, a alta dependência do preço dos concentrados, fato esse que deve ser muito bem planejado.

Confira qual o melhor método de irrigação para sua produção!

 

É muito comum na hora de decidir por qual método de irrigação utilizar, o produtor agropecuário ter diversas dúvidas. Elas podem ser desde "Quais os tipos de irrigação mais comuns para agro?", passando por "O mesmo tipo de irrigação vale para diferentes de cultura?" até "Como escolher o tipo certo para mim?". Neste vídeo exclusivo da Agrishow, respondemos essas e vários outras dúvidas. Confira:

Como se preparar para o impacto do El Niño na agropecuária?

Como se preparar para o impacto do El Niño na agropecuária?

A produção rural é uma atividade extremamente complexa, principalmente em virtude da frequência e severidade de alguns fenômenos climáticos, capazes de afetar diretamente o trabalho do produtor rural. Certamente, um desses fenômenos é o El Niño.

O fenômeno climático do El Niño é caracterizado por alterar o regime pluviométrico em boa parte do país, modificando a ocorrência das chuvas que podem contribuir ou prejudicar a produção agrícola.

Mas independente da intensidade do El Niño, é fundamental que o produtor rural se prepare da maneira correta, impedindo que esse fenômeno seja uma surpresa desagradável para na sua atividade agrícola.

Para saber mais sobre esse fenômeno climático, conversamos com dois especialistas do setor que irão mostrar o que é o fenômeno El Niño, sua influência na produção agrícola e como o produtor rural pode se preparar para o impacto desse fenômeno. Confira:

O que é o fenômeno El Niño?

O El Niño é caracterizado como um fenômeno atmosférico-oceânico caracterizado por um aquecimento anormal das águas superficiais no Oceano Pacífico Tropical.

O professor doutor Paulo Cesar Sentelhas, especialista em agrometeorologia do Departamento de Eng. Biossistemas da ESALQ/USP explica que o fenômeno El Niño é um evento caracterizado pela oscilação da temperatura da superfície do mar (TSM) em relação à condição média.

Ainda segundo o professor, o El Niño apresenta efeito contrário ao La Niña. “Quando a Anomalia da TSM é positiva e acima de 0,5 graus C, temos o evento denominado El Niño e quando essa Anomalia é negativa e abaixo de -0,5 graus C, o evento é denominado de La Niña”.

Neste sentido, Andrea Malheiros Ramos, INMET (Meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia) explica que esse fenômeno altera o clima regional e global, mudando os padrões de vento a nível mundial, afetando os regimes de chuva em regiões tropicais e de latitudes médias.

Especificamente na América do Sul, os efeitos desse fenômeno podem ser bastante expressivos, porém são caracterizados por serem muito variáveis de um evento para outro.

Expectativas dos efeitos do El Niño para cada região do Brasil

Tanto o professor da ESALQ quanto a meteorologista do INMET concordam que os efeitos do El Niño irão variar de acordo com a região do país.

Com o El Niño atuando, há expectativa de excessos de chuvas sobre a região Sul e diminuição sobre o Norte e Nordeste, além de tendência de leve aumento das temperaturas médias na região central do país”, comenta Andrea.

A tabela abaixo exemplifica o que acontece nas regiões brasileiras com o fenômeno El Niño, de acordo com o CPTEC/INPE. Ainda segundo a meteorologista, a expectativa do INMET é de que esse fenômeno dure até maio/junho de 2019.

Efeitos do El Niño na produção agrícola brasileira

Por alterar os padrões de circulação da atmosfera e, consequentemente, os regimes de temperatura e chuva, o El Niño passa a afetar sobremaneira a produção agrícola de várias partes do mundo, inclusive no Brasil.

Assim, exclusivamente para o Brasil, a meteorologista do INMET explica que com o El Niño as temperaturas ficam um pouco acima do normal, o que pode acarretar em áreas com redução das chuvas, que podem desacelerar o desenvolvimento das culturas, ocorrendo queda da produtividade.

Já em regiões com aumento da precipitação pode haver inundações nas culturas, o que também favorece a redução da produtividade.

Além disso, a meteorologista do INMET explica que culturas anuais podem ser altamente afetadas por essas variações. “Esse é o caso das lavouras de grãos, principalmente no momento do enchimento dos grãos. Já as culturas perenes também podem ter redução na produtividade”, explica.

Como se preparar para o impacto do El Niño?

Tanto Andrea Ramos quanto o Dr. Paulo Cesar Sentelhas concordam que em casos de excesso ou falta de chuva, o produtor precisa primeiramente monitorar as condições meteorológicas da sua região.

Andrea dá outra dica importante. “O produtor precisa saber se a temperatura e a precipitação em cada época do ano estão sendo influenciados pelo fenômeno climático, assim ele pode fazer o planejamento baseando-se nos efeitos causados pelo fenômeno”.

Ela explica que o El Niño pode causar efeitos que favorecem doenças, pragas e daninhas, seja pelo excesso de chuvas em uma região ou pelo clima mais seco em outra. Por isso, a meteorologista do INMET sugere algumas orientações da Embrapa para enfrentar o período:

Excesso de chuva:

  • Realizar o preparo do solo para a semeadura;
  • Semeadura no início do período recomendado;
  • Não semear em solos encharcados;
  • Realizar rotação de culturas;
  • Utilizar cultivares resistentes a doenças capazes de se desenvolver com alta umidade;
  • Realizar adubação nitrogenada. Nesse sentido Andrea diz ser importante monitorar constantemente, pois com excesso de chuva o nitrogênio pode ser lixiviado;
  • Realizar a colheita quando o produto atinge umidade adequada.

Falta de chuva:

  • Utilizar sistema de plantio direto, que pode favorecer a germinação das sementes pela umidade do solo por causa da palhada;
  • Utilizar cultivares resistentes ao estresse hídrico;
  • Utilizar cultivares com sistema radicular mais profundo;
  • Utilizar irrigação quando possível e necessário;
  • Não utilizar uma população de plantas acima da recomendada.

Neste contexto, o professor da ESALQ explica ainda que quando o El Niño traz variações moderadas do regime de chuvas, com períodos de veranico de 10 a 20 dias. Tais recomendações apresentadas acima se tornam ainda mais necessárias e eficientes.

A adoção dessas ações de manejo podem auxiliar no aumento da resiliência das lavouras de grãos”, finaliza.