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Startups para agronegócio no Brasil: desafios e oportunidades

Startups para agronegócio no Brasil: desafios e oportunidades

O agronegócio brasileiro está cada vez mais digitalizado; é cada vez mais comum – e necessário – a utilização de aplicativos para agilizar a rotina do produtor rural. As soluções vão desde armazenamento de dados, reconhecimento da presença de pragas (em que se fotografa a folha e um banco de dados de imagens é acessado informando qual a praga, o estágio em que ela está e quais medidas devem ser tomadas), monitoramento do gado (pesagem, cio e localização, por exemplo), dispersão de defensivos agrícolas ou, ainda, o acompanhamento do desenvolvimento das plantas.

Nós da Agrishow já apresentamos quais soluções disponíveis e o estágio em que nosso mercado está

Talvez, essa gama de oferta de soluções para o produtor rural coincida com resultados de estudos que indicam que, no Brasil, existe um telefone celular para cada habitante. Entretanto, há estudos menos animadores: de que apenas 14% das lavouras brasileiras são conectadas. Ali, no meio das plantações a tecnologia para obter sinal de telefone ou de transmissão de dados é a radiofrequência. Cenário que não condiz com o fato de sermos um importante polo de desenvolvimento de aplicativos para o agronegócio e termos soluções apadrinhadas pela NASA e Google.

Esse cenário faz com que um desafio para os desenvolvedores de aplicativo seja justamente a falta de conectividade. Como fazer com que o produtor rural acesse dados rápida e facilmente? Como transmitir informações? (Estas perguntas são rotina para o produtor, afinal tudo acontece muito rápido). Por outro lado, responder a estas questões podem ser oportunidades para novas startups ou novos produtos para esse mercado.

O desenvolvimento de soluções para a falta de conectividade pode ser uma oportunidade de negócio para startups – vale lembrar não precisam oferecer “somente” soluções virtuais, mas físicas também. Uma situação que está acontecendo e que pode ser aproveitada é a de produtores rurais se unindo, construindo as estruturas de antena e indo até as operadoras de internet solicitando sinal.

Ser o facilitador deste processo de diálogo entre produtores e operadoras é uma opção de mercado. Outro movimento que pode ser aproveitado como oportunidade é a troca de dados, afinal boa parte das ferramentas disponíveis hoje no mercado armazenam e analisam os dados gerados a partir das produções rurais; tipo de planta, extensão do cultivo, impactos climáticos etc - nada de dados pessoais que conflitem com a Lei de Proteção de Dados assinada pelo presidente Michel Temer ou com o GDPR (sigla em inglês para Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados) que vigora na Europa . Será que é possível desenvolver soluções que capitalizem os dados em favor do produtor rural? Vale a reflexão.

Francisco Matturro é presidente da Agrishow e vice-presidente da ABAG (Associação Brasileira do Agronegócio), atuou como diretor comercial da Jumil S.A. e da Marchesan S.A.

Desafios e oportunidades para a agricultura familiar

Desafios e oportunidades para a agricultura familiar

Você sabia que se a agricultura familiar brasileira fosse um país ela estaria na 8ª colocação entre os maiores produtores de alimentos em todo o mundo? Dados levantados pelo portal Governo do Brasil mostram que a agricultura familiar apresenta um faturamento anual de US$55,2 bilhões. Isso representa a força que esse setor tem para a economia brasileira e mundial. Mas, apesar de ser uma economia com alta representatividade, a agricultura familiar ainda tem muito espaço para crescer e evoluir. Entretanto, há muitos desafios a serem superados e  oportunidades que podem ser aproveitadas para que este setor continue a contribuir com a produção de alimentos.

A agricultura familiar tem posição de destaque. Como manter e aumentar?

É fato que a agricultura familiar tem posição de destaque na economia brasileira, mas para se manter neste patamar ou até aumentar a produção, a pesquisadora da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (Cenargen), Daniela Matias de Carvalho Bittencourt, ressalta que é necessário que o setor priorize a tecnologia e a inovação. “Para manter sua posição de destaque, a agricultura familiar deve sempre buscar soluções tecnológicas e inovadoras que agreguem valor aos produtos e promovam cada vez mais a sua inserção neste mercado tão competitivo”, explica.

Além disso, segundo a pesquisadora, o agricultor familiar precisa estar atento às tendências de mercado que se apresentam como oportunidades. “A forte demanda do consumidor por alimentos artesanais (slow food) ou aqueles com aspectos éticos (fair trade), ou mesmo relacionados apenas com a sustentabilidade do meio ambiente (orgânicos, agroecológicos, etc), são tendências cada vez mais fortes para o setor”.

Daniela explica, inclusive, que cada vez mais as pessoas estão reconhecendo a importância de se ter sistemas de produção sustentáveis, que garantam o uso adequado dos recursos naturais. “Não é à toa que os sistemas de produção agroecológicos estão cada vez mais em evidência”, complementa.

Nesta conjuntura, um dos principais benefícios que os produtores familiares podem obter com a inovação é a possibilidade de tornar sua produção viável e capaz de trazer retorno econômico, proporcionando aumento da renda e melhor bem-estar ao agricultor familiar.

Maior modernização do setor é fundamental

Como visto, a inovação e as soluções tecnológicas são fundamentais para que a agricultura familiar tenha um crescimento mais alicerçado no país. Mas para que o setor tenha o resultado esperado, Daniela julga importante a promoção de uma maior modernização do setor. Segundo a pesquisadora, essa modernização passa pela necessidade do uso de insumos, processos, máquinas e equipamentos apropriados ao segmento e às condições dos agricultores familiares.

Para isso, é preciso oferecer condições de mecanização e automação nas atividades ligadas à agricultura familiar, além de propor e criar políticas públicas que também permitam essa modernização, como o estímulo e incentivo ao desenvolvimento e fabricação de máquinas e equipamentos agroindustriais de tamanhos apropriados à realidade desses agricultores.

Daniela salienta ainda que os custos de aquisição e manutenção, bem como a eficiência quanto ao consumo de energia e/ou combustível destes equipamentos deve ser compatível com as características de um agricultor familiar.

A pesquisadora ainda explica que a inovação proporcionada por máquinas e equipamentos é imprescindível na garantia da segurança alimentar no futuro. “A inovação não contribuirá só com o aumento da produtividade, mas também para a sustentabilidade dos sistemas produtivos”.

Melhorar a gestão é uma obrigação

Além da maior modernização do setor, o agricultor familiar deve buscar cada vez mais profissionalizar a gestão de sua propriedade. Somente assim poderá atingir os potenciais mercados por meio do empreendedorismo, como explica a pesquisadora da Embrapa:

Deve-se mudar essa visão do agricultor familiar com uma inchada na mão, isso ficou no passado. Precisamos olhar para o futuro de forma a promover a permanência do homem no campo”.

Para conseguir isso, Daniela diz que o agricultor deve adotar estratégias que viabilizem o estabelecimento de diferentes formas de associação entre os produtores, com o intuito de melhorar sua capacidade de negociar compras de insumos, bem como encontrar mercados mais estáveis para seus produtos.

Neste sentido, a pesquisadora explica que uma estratégia com potencial de impacto positivo para a agricultura familiar é a busca pelo desenvolvimento e fortalecimento de SIAL  (Sistemas Agroalimentares Localizados), por meio da organização horizontal de cooperação entre os diferentes agentes das cadeias produtivas, desde a produção até o consumo.

O fortalecimento de uma rede de produção, beneficiamento e comercialização de um determinado produto possibilitará a comercialização de produtos com qualidade diferenciada, identidade regional e associados aos agricultores familiares envolvidos numa determinada cadeia produtiva”, finaliza a pesquisadora.

As 10 principais vantagens do tratamento de sementes com elétrons

As 10 principais vantagens do tratamento de sementes com elétrons

Na concepção do representante do Instituto Fraunhofer para Eletrônica Orgânica, Feixe de Elétrons e Tecnologia de Plasma, André Weidauer, a adoção do tratamento de sementes através de elétrons traz diversos benefícios, principalmente para o produtor, para o meio ambiente (questão sustentável) e para o consumidor final.

Desta forma, o profissional do Instituto Fraunhofer indica que as vantagens mais significativas do tratamento de semente através de elétrons são:

  1. Abandono completo do uso de agentes químicos, sem nenhuma perda da eficácia biológica, nem do rendimento das sementes;
  2. Excelente ação contra patógenos transmitidos por sementes que não tem o desenvolvimento de resistência;
  3. Sem possibilidade de riscos ambientais causados por agentes químicossintéticos e agentes de formulação, sendo especialmente adequado para a combinação com fortificantes biológicos de plantas;
  4. Fácil de usar, uma vez que nenhum pó, vapores ou soluções de decapagem são liberados;
  5. Operação bastante econômica;
  6. Campo de emergência mais rápido;
  7. Prazo de validade claramente melhor quando comparado à outras formas de tratamento;
  8. Tecnologia livre de qualquer forma de resíduos;
  9. Aprovado para ser utilizado na agricultura orgânica, pois protege o meio ambiente e o consumidor;
  10. Ecológico, eficiente e flexível.

Por fim, diversos estudos do instituto e de parceiros provam que o tratamento de sementes através de elétrons vem tendo resultados expressivos principalmente quanto à capacidade de germinação e força motriz de diversas variedades, além da significativa redução na presença de germes em sementes.

CSA: o que é, suas vantagens e maiores desafios

CSA: o que é, suas vantagens e maiores desafios

Sistemas relacionadas à agricultura são baseados em duas pontas que não costumam “conversar” entre si. De um lado está planta. Do outro lado está quem consome, com vários intermediários no meio. Mas o que acontece quando essas pontas se unem e trabalham juntas? Teremos a CSA.

O CSA tem por característica a agricultura solidária, onde o agricultor deixa de vender seus produtos através de intermediários e conta com a participação de membros consumidores para a organização e o financiamento de sua produção.

Mas você sabe o que, de fato, é um CSA? Quais suas vantagens e desafios desse tipo de comunidade? Para ter as respostas, conversamos com Maria Rita Almeida e Bernadete Brandão, participantes da CSA Terra Pura, situada em uma aldeia Budista chamada Sukhavati (Terra Pura), em Curitiba (PR).

O que é uma CSA?

O conceito de uma Comunidade que Sustenta a Agricultura (Community Supported Agriculture) denominada CSA é um modelo de Agricultura Solidária em que o agricultor deixa de vender seus produtos através de intermediários e conta com a participação de membros consumidores para a organização e o financiamento de sua produção.

Essa é uma prática de desenvolvimento agrícola sustentável, onde o escoamento de alimentos orgânicos ocorre de uma forma direta ao consumidor, criando uma relação próxima entre quem produz e quem consome os produtos”, explicam Maria Rita e Bernadete.

O CSA é um modelo de trabalho conjunto entre agricultores de alimentos orgânicos e consumidores chamados por nós de co-agricultores, ou seja, representamos um grupo fixo de pessoas que se comprometem por um ano (em geral) a cobrir o orçamento anual da produção agrícola.

Em contrapartida os co-agricultores recebem os alimentos produzidos pelo organismo agrícola sem outros custos adicionais. “Desta forma o agricultor, sem a pressão do mercado e do preço, pode se dedicar de forma livre à sua produção e os co-agricultores recebem produtos de qualidade, sabendo quem os produz e aonde são produzidos”, explicam.

Maiores vantagens da CSA

De fato, quando bem organizada a CSA apresentará uma variedade de vantagens e benefícios aos agricultores.

As maiores vantagens de participar de uma CSA é o fato de que recebemos uma diversidade de alimentos, fazendo com o que consumidor seja criativo na cozinha utilizando esta riqueza, e quase 'se obrigue' a cozinhar para renovar sua geladeira e deixando-a com alimentos sempre frescos e recém colhidos”, explicam Maria Rita e Bernadete.

Tal fato nos leva a ter mais atenção ao que estamos comendo, trazendo mais saúde e disposição”, complementam.

A relação com os alimentos também muda. “Ampliamos a percepção do frescor, do sabor, das estações, pois vemos aquilo que consumimos, plantamos, ajudamos a crescer e participamos da colheita, como uma honra à natureza”, dizem.

Outra vantagem salientada é a dinâmica semanal. “Temos que ir buscar semanalmente a cesta e ir muito menos ao supermercado, consequentemente, deixamos de comprar supérfluos e a comprar por impulso”.

Elas explicam que esse gigante intermediário é retirado da relação. “Com isso economizamos com a embalagem... são de 3 a 5 quilos semanais de produtos que passariam por pelo menos 5 a 7 embalagens de plástico ou filme: versus a média de 20 famílias/cestas que participam do nosso grupo e 52 semanas por ano: economizamos cerca de 6.200 embalagens no ano”, explicam.

Mas, apesar de todas essas vantagens, a maior delas é participar da comunidade. Com isso são desenvolvidas amizades, encontros calorosos e mais afetivos, “fora o delicioso dia de campo, onde renovamos a energia e o sonho”, salientam.

Apesar das vantagens, há muitos desafios

Maria Rita e Bernadete ressaltam que ainda são muitos os desafios que a CSA precisa enfrentar diariamente.

Segundo elas, o co-agricultor deve perceber a importância social do seu consumo, o papel que tem na vida do agricultor, e o engajamento necessário para isto.

O co-agricultor também deve se dispor a participar dos vários papeis internos, de coordenação e organização com a mesma motivação do cultivo.

Além disso, elas explicam que a comunicação desta ideia com um todo precisa ser aprimorada para que o co-agricultor se engaje com segurança e sabendo onde está entrando. “O co-agricultor deve estar certo de que ao entrar, haverá a necessidade de agir no coletivo, na co-construção, pensando em si e nos outros”, finaliza.

Tratamento de sementes através de elétrons: o que é?

Tratamento de sementes através de elétrons: o que é?

O tratamento de sementes é considerado um dos processos mais importantes que antecedem o plantio e o cultivo de diversas plantas. Neste contexto, o tratamento químico é a forma de tratamento mais comum. Mas, nos últimos anos, está surgindo uma inovadora forma de tratamento conhecida como tratamento de sementes através de elétrons.

O tratamento de sementes através de elétrons representa um processo muito moderno, ecológico e completamente livre de produtos químicos, sendo, por isso, uma alternativa bastante interessante ao tratamento químico. E essa inovadora forma de tratamento de sementes é bastante complexa. O representante do Instituto Fraunhofer para Eletrônica Orgânica, Feixe de Elétrons e Tecnologia de Plasma,  André Weidauer, explica que o tratamento de sementes através de elétrons é baseado no efeito biocida dos elétrons de baixa energia.

Os elétrons acelerados são produzidos de acordo com o princípio do tubo de Braun. Quando são aplicadas altas tensões elétricas entre o cátodo e o ânodo, elétrons são emitidos do cátodo e acelerados pela diferença de carga na direção da janela de saída de elétrons. Isso separa o vácuo em que os elétrons são gerados a partir do espaço do processo em que a pressão ambiente prevalece”, explica.

Weidauer ressalta ainda que para o tratamento da semente a dosagem aplicada é muito importante. “Essa dosagem é ajustada através da intensidade da corrente e da energia dos elétrons, que por sua vez é ajustável através da tensão de aceleração”. No caso do tratamento de sementes com elétrons, a dose letal é decisiva para o controle dos agentes patogênicos existentes.

Alta diversidade de variedades pode ser tratada com elétrons

O uso de elétrons tem alta possibilidade de tratamento contra praticamente todos os agentes patogênicos que estão localizados dentro e sobre a casca de uma variedade bem extensa de sementes.

Dessa forma, esse método é capaz de matar patógenos de todos os tipos nos seguintes produtos:

  • Sementes de cereais: trigo, cevada, triticale, centeio e aveia;
  • Sementes de hortaliças: manjericão, feijão, ervilha, alface-de-cordeiro, alho, repolho, alho-porro, cenoura, pimentão, salsa, rúcula, alface, tomate e cebola;
  • Temperos/Especiarias: anis, pimenta malagueta, pimenta e manjerona;
  • Outras sementes: milho, gramíneas, sementes de flores, colza (ou canola), papoula e batatas-semente.

Weidauer ressalta ainda que não só os agentes patogênicos transmitidos por sementes que são exterminados, mas também há uma proteção duradoura, pois ocorre a interrupção da cadeia de infecção pela morte de microrganismos prejudiciais, tais como bactérias e vírus.

Confinamento de gado: pesquisador mostra como não errar

Confinamento de gado: pesquisador mostra como não errar

O ano de 2018 vem se configurando como um ano equilibrado e com leve crescimento para a pecuária intensiva no Brasil, principalmente quanto ao confinamento de gado. No início do ano as projeções indicavam crescimento de até 12% no volume de animais confinados em 2018.

O ano ainda não acabou, mas se tais projeções forem confirmadas, o Brasil atingirá a marca de 3,8 milhões de cabeças confinadas no ano, representando cerca de 400 mil animais a mais em relação a 2017.

Mas, independentemente de atingir ou não de tais metas, é fundamental que os erros mais comuns relacionados ao confinamento de gado sejam, na medida do possível, evitados. Somente assim a atividade terá a produtividade e lucratividade esperadas.

Improviso: erro mais comum no confinamento de gado

Vários são os “pecados capitais” sujeitos ao confinamento de gado no Brasil. Tais erros vão desde instalações incorretas até um balanceamento nutricional mal planejado.

Apesar da variedade, há um erro comum pertinentes a todos eles: Agir no improviso! Segundo Sergio Raposo de Medeiros, pesquisador em Nutrição Animal na Embrapa Gado de Corte (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), “o principal erro é tentar fazer o confinamento de gado no improviso, ou seja, sem o devido planejamento”.

Segundo o pesquisador, a principal vantagem de qualquer confinamento é exatamente a chance de planejar nos detalhes. “Com planejamento, temos controle sobre quase tudo”, ressalta.

Mas com improviso os erros surgem, como comenta Medeiros: “Quando a condução do confinamento ocorre no improviso, o maior prejuízo será a “'receita de bolo', aquela que, por exemplo, é copiada de um vizinho”.

Outros erros mais comuns em confinamentos

Segundo Medeiros, a nutrição é o fator que pode mais fazer variar o custo de um confinamento de gado, mas mesmo sabendo disso, muitos confinadores ainda formulam dietas incorretamente.

O pesquisador salienta ainda que uma dieta inadequada pode trazer grandes prejuízos além do econômico, inclusive colocando a vida dos animais em risco.

Ainda sobre a questão do planejamento nutricional, o pesquisador explica que, por vezes, há problemas quanto ao dimensionamento das instalações, particularmente na questão de oferta de espaço linear de cocho e área mínima por animal.

Outro erro comum é a seleção incorreta de animais a confinar. Por muitas vezes são escolhidos animais de pouco potencial de produção. Neste contexto, Medeiros lembra que o confinamento de gado é uma atividade na qual há altos investimos, além de um custo diário relativamente grande. Por isso, errar na escolha dos animais pode culminar em sérios problemas futuros.

Medeiros ressalta que a formação de lotes heterogêneos, além de aumentar a competição entre os animais, atrapalha a venda do lote em apenas uma oportunidade, sendo essa ação dita como ideal.

Quando temos um lote muito heterogêneo, mais vezes teremos que 'descascar' os lotes (isto é, fazer vendas parciais) e, a cada vez que fazemos isso, um novo estabelecimento de hierarquia entre os animais ocorrerá, desviando energia que deveria ir para o ganho”, explica.

Há também o erro capital na não adaptação do gado no início do confinamento. A não adaptação ou adaptação insuficiente podem gerar distúrbios nutricionais, dificultar a estabilização do consumo e reduzir o desempenho.

Por fim, um erro bastante recorrente é manter animais já terminados no cocho. “Esses animais depositam apenas gordura, sendo muito ineficientes na conversão do alimento em ganho de peso”, explica Medeiros, que complementa:

Animais já terminados, mas que ainda no cocho, frequentemente, comem um valor em Reais maior do que o ganho por dia, ou seja, dão prejuízo”.

Como não cometer esses erros?

Vários podem ser os impactos da falta de planejamento no confinamento de gado, estes variam desde a redução da lucratividade até causar silenciosamente menor ganho de peso, que em casos mais sérios, pode acarretar na morte dos animais. Por isso é importante evitar que tais erros aconteçam.

Para evitar, o mais importante é conduzir o confinamento de gado de maneira muito bem planejada, dando prioridade a todos os detalhes.

Medeiros ressalta que devem ser ponderadas neste planejamento as seguintes ações:

  • Adoção de instalações adequadas, com animais de bom potencial produtivo e que respondam bem à dieta;
  • Formação de lotes homogêneos (mesmo sexo, tamanho semelhante e pesos aproximados);
  • Adoção de um bom protocolo de adaptação à deita na entrada dos animais no confinamento;
  • Manejo alimentar muito consistente, ou seja, fazer igual todo dia, por todo o período; e
  • Animais sejam abatidos no tempo planejado com a terminação desejada.

O pesquisador ressalta que para alcançar tais medidas, recomenda-se ter um bom acompanhamento técnico.

Um profissional encontrará para a realidade específica do confinamento a dieta de menor custo da arroba, que é aquela que dará a maior margem e indique o uso dessa dieta de forma integral”.

Essa indicação do profissional deve incluir, dentre outras ações, o protocolo de adaptação à dieta, o manejo diário da alimentação (número de refeições, horários das refeições, manejo das sobras e da oferta de alimentos), além da data provável para o fim do confinamento.

Também deve ser responsabilidade deste profissional avaliar a qualidade dos alimentos que estão sendo fornecidos, alertando para o risco de ingredientes que não apresentem condição de uso”, finaliza o especialista.

Tereza Cristina é anunciada como ministra da Agricultura

Tereza Cristina é anunciada como ministra da Agricultura

Texto:Prof. Dr. José Luiz Tejon*

Imagem:Antonio Cruz/ Agência Brasil

O presidente eleito Jair Bolsonaro anunciou nesta quarta-feira (7) a deputada federal Tereza Cristina (DEM-MS) como ministra da Agricultura. Ela será a segunda mulher a comandar a pasta.

A diversidade e o apoio de todo o setor do agro conduziu a deputada federal Tereza Cristina para o posto de ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, pois ela possui talentos para tal.

Estive com Tereza Cristina na Campo Grande Expo 2018 participando de um debate, e confesso que gostei das palavras e da visão da então deputada.

Algo que me atraiu também foi poder perceber que a senhora Tereza Cristina é um ser com inteligência emocional.

Sim, a consciência emocional. Precisamos ter no novo governo seres humanos com o dom de serem firmes, porém conciliadores, sensíveis e apresentarem o importantíssimo dom da amabilidade.

A nova ministra terá fortes lutas internas para travar no campo da continuidade do que foi bem iniciado pelo ministro Blairo Maggi e seu secretário executivo Eumar Novacki.

Foco no resultado e compliance severo, convocando todo o setor empresarial nas questões sanitárias.

Da mesma forma, diálogo e negociações internacionais com clientes de todo o mundo, onde de novo, a intuição e a sensibilidade farão toda a diferença.

O Brasil significa segurança alimentar para o planeta e jamais devemos nos envolver em conflitos e na geopolítica de blocos, onde alimento tem sido usado como arma militar.

A ministra Tereza Cristina deve se aproximar dos supermercados, das associações, como a Abras e a Abia, pois reunidas somamos quase 1 trilhão de reais e significam os maiores clientes da agropecuária brasileira.

Que a ciência, a tecnologia junto a Embrapa sejam a abertura para a educação. Que haja um novo papel acelerador do conhecimento, do design thinking, da mulher no agro, do jovem e da sustentabilidade, o bem-estar animal, a sucessão e a atração do empreendedorismo para este campo e a cidade, que reunidos formam uma agrossociedade.

Que a ministra Tereza Cristina prepare o ministério do Agronegócio atuando em toda a cadeia produtiva e estimule o cooperativismo agropecuário e de crédito. Inteligência emocional, um talento fundamental para os bons e saudáveis debates e negociações.

*Jornalista, publicitário, mestre em arte e cultura com especializações em Harvard, MIT e Insead e doutor em Educação pela Universidad de La Empresa/Uruguai. Colunista da Rede Jovem Pan, autor e coautor de 33 livros. Coordenador acadêmico de Master Science em Food & Agribusiness Management pela AUDENCIA em Nantes/França e professor na FGV In Company. Considerado uma das 100 personalidades do agronegócio pela Revista Isto é Dinheiro. Homenageado pela Massey Ferguson como destaque no agrojornalismo brasileiro 2017. Conferencista com Prêmio Olmix – Best Keynote Speaker/Paris e Top Of Mind Estadão RH. Presidente da TCA International e Diretor da agência Biomarketing.

Agricultura e Meio Ambiente em um único ministério não é uma boa ideia

Agricultura e Meio Ambiente em um único ministério não é uma boa ideia

Prof. Dr. José Luiz Tejon*

Com Bolsonaro eleito, vem a emoção da transição dos próximos ministros e a ansiedade de saber se será cumprida a sua proposta de fundir e diminuir alguns ministérios. O Ministro da Fazenda, Paulo Guedes, já descarregou: “Salvaremos o nosso Ministério da Indústria apesar do industrial brasileiro“ e desceu o relho, e propôs unir o Ministério da Fazenda com o da Indústria e Planejamento. Logo o setor industrial entrou em pânico, ou melhor, as entidades como CNI e outras. No setor do agro fica a pergunta: “Quem será o ministro? Será bom ou ruim a união do Ministério do Meio Ambiente com o da Agricultura? Opiniões se dividem.

Uns acham ótimo, pois assim poderia haver um entendimento e uma sincronia de assuntos comuns. Outros consideram desastroso, pois o meio ambiente é muito maior do que somente a agricultura. Se uníssemos o Meio Ambiente a Agricultura, abriríamos um flanco imenso para nossos competidores internacionais, para as ONGs e com consequências graves nas nossas relações com as 500 maiores corporações do agro que movimentam cerca de 70% do agribusiness mundial. Juntar o Ministério da Agricultura com Meio Ambiente, na minha opinião, vai dar errado. Por que não um Ministério do Agronegócio? Se houver a junção do Ministério da Fazenda com Indústria, Comércio e Serviços, Paulo Guedes ficará com cerca de 70% do agronegócio.

Comércio, serviços, agroindústria, indústria química, máquinas, transportes, finanças, tecelagem, seguro, educação, informática, satélites, celulares, veículos serão 70% do agro e os 30% da produção agropecuária do MAPA. É hora do Ministério do Agronegócio, ou então, convoquemos o Ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços ao lado do MAPA para assumir projetos e responsabilidades perante o principal setor econômico e social do Brasil.

*Jornalista, publicitário, mestre em arte e cultura com especializações em Harvard, MIT e Insead e doutor em Educação pela Universidad de La Empresa/Uruguai. Colunista da Rede Jovem Pan, autor e coautor de 33 livros. Coordenador acadêmico de Master Science em Food & Agribusiness Management pela AUDENCIA em Nantes/França e professor na FGV In Company. Considerado uma das 100 personalidades do agronegócio pela Revista Isto é Dinheiro. Homenageado pela Massey Ferguson como destaque no agrojornalismo brasileiro 2017. Conferencista com Prêmio Olmix – Best Keynote Speaker/Paris e Top Of Mind Estadão RH. Presidente da TCA International e Diretor da agência Biomarketing.

Veja os bons motivos para você adotar o plantio direto

Veja os bons motivos para você adotar o plantio direto

Manejo do solo, especialmente aquele desertificado, costuma ser um desafio para produtores rurais. Com a proposta de manter os nutrientes do solo, o plantio direto começou a ser implantado na década de 1940 nos Estados Unidos por Edward H. Faulkner, e três décadas depois chegou ao Brasil, pelas mãos de agricultores paranaenses.

Dentre as culturas que se adaptam ao plantio direto podemos listar o café, soja, milho, arroz, feijão e trigo. No plantio direto o solo é manuseado apenas durante o plantio. Abre-se um sulco e sementes e fertilizantes são depositados. Não há mais manipulação do terreno depois disso; apenas atenção para o controle de ervas daninhas. Aragem e gradagem são eliminados e a palha fica intacta sobre o solo antes e depois do cultivo.

Plantio direto pode aumentar em até 30% a produtividade, afirma estudo da Embrapa Soja

Muito do sucesso do plantio direto deve-se a palha; das culturas de cobertura na superfície do solo, que junto com os resíduos das culturas principais ou mesmo comerciais oferecem um ambiente favorável para o crescimento vegetal, contribuindo, assim, para uma produção mais estável além da recuperação e manutenção do solo.

Importância da palha no plantio direto

A quantidade de palha sobre o solo e sua distribuição ajudam a avaliar preliminarmente as condições nas quais o plantio direto está se desenvolvendo. Aproximadamente seis toneladas por hectare quadrado são consideradas quantidade adequada ao plantio direto.

Cobrindo o solo, a palha impede o impacto direto das gotas de chuva com o terreno, impede o escorrimento superficial da água e o arrastamento de partículas do solo pela enxurrada – o que reduz a erosão -, também protege o solo do vento e raios solares, diminui taxa de evaporação, o que permite melhor infiltração e armazenamento de água pelo solo.

De composição lenta e gradativa, a palha aumenta a matéria orgânica no solo, que é fonte de energia para microorganismos; com aumento da atividade microbiana, aliada à mineralização, há maior oferta de nutrientes para as plantas. As principais fontes de palha são as gramíneas como sorgo, milheto, milho, aveia-preta, aveia-branca, centeio, trigo, arroz e triticale.

Preparo do plantio direto

De acordo com a WWF (World Wide Fund for Nature), o plantio direto é uma importante ação ambiental brasileira em atendimento às recomendações da conferência da Organização das Nações Unidas (Eco-92).

Entre as vantagens da técnica, podemos destacar:

  • O controle da erosão;
  • Mais matéria orgânica disponível no solo;
  • Uma melhor estrutura do terreno;
  • Menor perda de água da terra;
  • Manutenção do equilíbrio na temperatura do solo com a palha e restos de materiais;
  • Maior atividade biológica;
  • “Sequestro” de carbono no solo, isso evita excesso de liberação do gás para a atmosfera;
  • Plantio pós-colheita.

Isso só acontece, pois, o solo é mantido sem revolvimento permitindo menos oxidação da matéria orgânica, deixando o solo mais livre de contaminações e preservando nutrientes. Para começar a utilizar o sistema de plantio direto, o produtor rural deve:

  • Utilizar defensivos agrícolas a fim de controlar plantas invasoras;
  • Adotar torração de culturas;
  • Eliminar compactação ou camadas adensadas e realizar manutenção da cobertura morta para proteger da erosão;
  • Manter o solo úmido e diminuir a evaporação do solo;
  • Treinar e gerenciar a mão de obra.

O agro brasileiro competitivo até quando?

O agro brasileiro competitivo até quando?

Victor Carvalho

Gerente da Informa FNP

O agronegócio brasileiro tem se destacado nos mercados mundiais. Uma alegada competitividade diferenciada do agro brasileiro estaria na base deste sucesso. Entretanto, notadamente nos últimos três anos, existe um crescente sentimento de que esta competitividade está se erodindo.

Com foco em analisar e fazer breve um diagnóstico desse quadro, a Informa|FNP está iniciando agora uma série de artigos numa tentativa de tornar mais claro se de fato o país está perdendo competitividade, ou se esse sentimento é apenas a expressão das frustrações da sociedade com a profunda crise econômica e política que enfrentamos.

Soja: Logística rouba competitividade do produto brasileiro

O Brasil é o segundo maior produtor mundial de soja, tendo exportado em 2017 cerca de 68 milhões de toneladas do produto em grão e mais uma quantidade do produto na forma de farelo e óleo. No total, o chamado complexo soja rendeu ao país, através das exportações, um montante de US$ 31,61 bilhões (14,5% das exportações totais do Brasil).

Os maiores competidores no mercado internacional no complexo soja são os Estados Unidos e a Argentina. Fazendo-se uma análise dos custos de produção do grão nos dois países, com o esforço para se expurgar efeitos inflacionários, distorções cambiais e efeitos climatológicos (usando-se como artifício o cálculo da relação de troca com o próprio produto) pode-se observar o seguinte:

  • Os custos de produção da oleaginosa no Brasil vêm crescendo e, reduzindo sua competitividade junto aos EUA. Em relação à Argentina, esta ainda possui os custos de produção mais competitivos entre os três. Porém, vem perdendo tal status em função de intervenções do governo, problemas edafoclimáticos e limitações geográficas;
  • Consideradas as respectivas produtividades médias, os custos de produção no Brasil em média cresceram nos últimos 15 anos. No ano de 2017 os custos subiram pouco mais de 40%, reduzindo assim a competitividade com os EUA. Contudo, mesmo assim o custo médio final no Brasil é ainda aproximadamente entre 10% e 15% inferior ao custo norte-americano, que no período se estima que tenha recuado levemente. É importante salientar que existem importantes variações de custo regionais no Brasil, decorrentes de variações de produtividade, pacote tecnológico adotado, custos logísticos, etc.

Brasil - Safra de Verão e Inverno

  • Uma observação de grande importância tem que ser feita com relação ao Brasil. Para efeito das comparações realizadas, não se consideraram as sinergias que são capturadas quando realizadas duas safras no ano (as chamadas safra e safrinha) e que tem forte impacto em reduzir os custos de produção e manter uma larga competitividade. É indiscutível que a possibilidade da realização de duas safras, no mesmo ano e na mesma área, aumenta significativamente a competitividade dos produtos no mercado. Ainda mais quando se considera que a tecnologia aplicada nestes dois cultivos está se desenvolvendo aceleradamente e permitindo que, não apenas uma proporção maior das regiões produtores adotem a prática, como proporcionando expressivos ganhos de produtividade na segunda safra, principalmente. Muito possivelmente em muitos casos, este fator tem grande importância no continuado estímulo para o crescimento da produção da oleaginosa no país.
  • Os custos logísticos decorrentes da necessidade de disponibilizar a produção nos portos para exportação ou junto aos principais centros de consumo interno continuam sendo o principal “calcanhar de Aquiles” do produto brasileiro. Embora existam muitas diferenças nos custos logísticos, conforme a região de produção e o modal de transporte utilizado, vários estudos apontam que, para o grão de soja que é um produto de relativamente baixo valor agregado, o custo logístico, em muitos casos, anula a vantagem competitiva conquistada dentro da porteira da fazenda, conforme pode ser verificado na figura.

  • Contudo, observa-se que está havendo uma convergência dos custos de produção “dentro da porteira da fazenda” com o avanço da tecnologia no campo. Cada vez mais será necessário atentar para todos os detalhes no gerenciamento da produção agrícola e, assim, conseguir alcançar custos menores em relação a concorrência.

Conclusões e próximos artigos

Por fim, constata-se que a soja e os respectivos produtos exportáveis vêm brasileira vem perdendo competitividade perante os seus principais competidores, fruto da incapacidade de atacar conhecidas ineficiências e da evolução dos competidores em termos de produtividade e contenção de custos. Contudo, o Brasil ainda é bastante competitivo e precisa atacar seus gargalos, principalmente logístico, para continuar ganhando mercado.

No próximo artigo iremos abordar a competitividade do milho e nos artigos seguintes serão tratadas outras culturas como algodão, cana-de-açúcar (açúcar e etanol), café, laranja e celulose.