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Pulverização eletrostática: maior eficiência em busca da sustentabilidade

Pulverização eletrostática: maior eficiência em busca da sustentabilidade

A agricultura brasileira figura entre as maiores do mundo. Os números falam por si: entre 1990 e 2015, a agropecuária contribuiu com US$ 942 bilhões, sendo o setor que mais ajudou para o superávit da economia brasileira nesse período.

Porém, ainda temos desafios, e um dos mais sérios é o excessivo uso de agrotóxicos aliado à sua falta de eficiência. Nos últimos 10 anos o uso de agrotóxicos cresceu 190%, de acordo com dados divulgados pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), enquanto o mundo teve um crescimento de 93%.

Para solucionar essa falta de eficiência, uma equipe de pesquisadores da EMBRAPA Meio Ambiente (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), capitaneada por Aldemir Chaim, desenvolveu um novo tipo de pulverizador, conhecido como Pulverizador Eletrostático, que visa maior eficiência durante o uso de herbicidas, fungicidas e inseticidas, resultando em maior economia e menor contaminação ambiental.

O que é um ? Como funciona?

O método da pulverização eletrostática é semelhante à pulverização convencional, porém com diferencial que aumenta a eficiência da pulverização: carregamento elétrico das gotas.

Gotas elétricas? Parece estranho, mas a ideia da pulverização eletrostática é bastante simples. E vamos explicar!

Porém, antes que você entenda o que é “gota elétrica” é essencial que você tenha em mente uma lei da física bastante significativa: “toda matéria tem cargas negativas e cargas positivas, onde cargas de mesmo sinal se repelem e cargas de sinais diferentes se atraem”.

Seguindo essa lei, a ideia de Chaim e sua equipe foi desenvolver esse sistema que carrega eletricamente as gotas da solução (água + agrotóxico), fazendo com que todas tenham a mesma carga elétrica. Por terem a mesma carga, as gotas, ao sairem do bico do equipamento de pulverização, irão se repelir, e consequentemente, chegarão ao alvo separadas, melhorando a distribuição das gotas na planta.

Além disso, quando carregadas com cargas estáticas (negativas ou positivas), as gotas, ao se aproximarem de uma folha, funcionam como um “imã” atraindo as cargas de sinal contrário para a superfície, que fica inteiramente carregada com cargas de sinal oposto aos das gotas, dessa maneira, haverá uma forte atração entre as gotas e as plantas. A eficiência é bem maior.

Pulverização convencional x pulverização eletrostática

É consenso entre os agricultores que a pulverização convencional apresenta dois grandes problemas.

O primeiro relaciona-se ao alto desperdício no momento da aplicação. Segundo Luiz Guilherme Rebello Wadt, pesquisador da Embrapa Meio Ambiente e parceiro de Chaim: no uso da pulverização eletrostática, o aproveitamento de uma determinada aplicação de calda aquosa em plantas é da ordem de 70%, já para pulverizadores convencionais, o aproveitamento é de somente 30%.

Os agricultores citam também que a baixa eficácia da pulverização convencional na parte inferior das folhas é um problema, visto que as principais doenças fitossanitárias acometem exatamente as faces pouco protegidas por essa pulverização.

Na pulverização eletrostática esse problema é parcialmente resolvido, pois as gotas possuem cargas tão elevadas que o efeito de atração altera suas trajetórias de voo, forçando-as a se depositar em ambas as faces da planta, aumentando a eficácia.

Nesse embate não há contestação, a pulverização eletrostática é mais vantajosa, protegendo praticamente toda a planta.

Vantagens da pulverização eletrostática

Como já vimos, a pulverização eletrostática apresenta diversas vantagens no quesito eficiência. Mas essa tecnologia é mais do que isso, com vantagens ainda mais convidativas para o agricultor. Veja abaixo quais são as outras vantagens:

  • Redução dos custos operacionais de aplicação;
  • Economia de água e de produto;
  • Economia de mão de obra;
  • Menor necessidade de reabastecimento do tanque;
  • Maior deposição de gotas no alvo;
  • Redução do volume de calda por hectare;
  • Melhor combate aos insetos, moscar e larvas.

Por fim, a redução da quantidade de agrotóxicos impacta também em menor impacto ambiental provocado por perdas e carreamento desses químicos. Para Wadt, essa é a maior vantagem, pois o meio ambiente é o que mais se beneficia dessa diminuição de desperdícios.

Além do pulverizador, o que mais é preciso?

Muitos agricultores adquirem um pulverizador, seja ele eletrostático ou convencional, e começam a usar de forma indiscriminada, sem cuidados com a qualidade ou com a quantidade da aplicação.

Dessa forma, para Chain e Wadt, além de adquirir o aparelho produtor das gotas eletrificadas, o agricultor precisa ter um melhor conhecimento sobre a clara aplicação dos defensivos. “O agricultor precisa entender que os produtos químicos funcionam em pequeníssimas quantidades, sendo obrigatório seguir a recomendação do fabricante.”

Os pesquisadores ainda citam que “precisa haver o entendimento que as gotas secam rapidamente de forma que é preciso dimensionar a vazão dos bicos do pulverizador de acordo com as condições meteorológicas locais no ato da aplicação”. A eficiência depende também do ato de aplicar.

A pulverização eletrostática é mais barata?

O custo inicial de um equipamento eletrostático de pulverização é relativamente maior quando comparado com outro semelhante sem esse recurso. O preço do equipamento gira em torno de R$1.900,00, porém segundo o pesquisador, a economia será obtida a médio prazo, visto que “o uso da eletrificação de gotas possibilitará ao agricultor usar uma menor quantidade de calda (com a mesma diluição) obtendo maior cobertura e maior eficiência no controle de pragas ou doenças, diminuindo o número de repetições em uma mesma safra.”

Para saber mais sobre essa inovação contate os responsáveis pelo projeto por meio do site.

E então, o que achou desta tecnologia inovadora? Compartilhe em suas redes sociais e mostre aos seus amigos as vantagens da pulverização eletrostática!

Agricultura 4.0: entenda o conceito de right data, considerado até mais importante que o Big Data

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A produção agrária está passando por profundas transformações, graças à Agricultura 4.0. Com isso, conceitos como IoT (internet das coisas) e Big Data - e suas ferramentas - são cada vez mais presentes no dia a dia de produtores. Mas é preciso cuidado, segundo o especialista em agricultura digital da Pessl Instruments, Bernhard Kiep, pois insistir que produtores foquem em Big Data não é realidade.

“Agricultores precisam ter resultados usando tecnologias.” Assim, a solução é que eles tenham em mãos as chamadas right data, informações que os ajudem a tomar decisões certas. Conversamos com o especialista sobre como obter dados corretos.

Por que focar em right data antes do Big Data?

Big Data não é algo tangível. É um banco de dados gigante. Produtores podem se perder. Por isso, devem procurar dados que lhes ajudem e façam sentido.

Um dos desafios em usar Big Data é a falta de orientação para que que o produtor use esse universo de informações?

É possível dizer que sim, mas o mais complicado é saber em quais dados confiar.

Como saber, então, em quais informações confiar?

Como você determina em qual médico confia? Pergunta para amigos e parentes e pergunta ao médico quem ele já operou e vai colhendo informações dele. É a mesma coisa! Previsões meteorológicas, existem muitos sites fazendo isso. O agricultor tem que encontrar quem fala deles e usar e ver quem é sério e com melhores dados. Tentativa e erro.

Em sua palestra no 1º Fórum Agtech, você comentou que podem-se passar anos até a completa utilização do Big Data pelo Agricultor? Por quê?

Os dados do Big Data são um emaranhado de informações que o agricultor tem e muitos dados não falam com outros, se tornando uma informação sem nexo. Não existe ainda uma linguagem, norma para organizar isso. Acredito que isso levará anos para ser organizado e precisa de um órgão governamental tipo ABNT (Associação brasileira de Normas Técnicas) ou DIN (sigla em alemão para Associação Alemã de Normas Técnicas) na Europa.

A possibilidade da existência desse órgão é factual ou remota?

Acho que atual conjuntura do Brasil, até os próximos quatro anos, ela é remota. Mas a iniciativas privadas olham esse cenário e querem ajudar, criar uma federação de dados. Isso é muito comentado nos Estados Unidos e Europa, mas eu diria que a ideia a é muito boa, mas como tornar real é bem complicado.

Por quais motivos?

Quem vai ser o dono? É mais ou menos como reunir Apple, Microsoft e Google e padronizar software para smartphone, um só no mundo inteiro para ficar mais fácil. Apple diz para usar iOS. Google pede o Android e a Microsoft sugere uma terceira peça. Alguém tem que ceder a um padrão.

“Procure o que faz sentido para você. Cuidado para não se iludir com informação em excesso”

Falta então ferramenta para organizar esse banco de dados?

Falta! Por isso empresas estão desenvolvendo produtos para ajudar o agricultor a compilar esses dados e ter tudo isso disponível de maneira mais organizada, mas é sem dúvida um desafio. Mais por questão de ter pessoas interessadas em fazer e quem faz, encontrar agricultor que pague por isso.

E como esses dados, de fato, impactam o agricultor?

Principal impacto seria reduzir despesas e aumentar previsibilidade dos seus gastos, reduzir custos.