Tecnologia

Qual o cenário das máquinas autônomas no Brasil?

O processo de automação das máquinas agrícolas cresce no mundo todo. Porém, Correia ressalta que o setor agropecuário do Brasil ainda é um pouco tímido em relação a esse assunto, especialmente devido a alguns desafios internos que ainda precisam ser melhor resolvidos.

Em contrapartida, o arquiteto de Soluções de Agronegócio da Logicalis, Frederico Correia, percebe que o interesse do brasileiro é crescente. “O brasileiro vem acessando tecnologias de ponta graças ao intercâmbio científico das universidades e institutos científicos, juntamente com a presença das maiores multinacionais dentro do país”.

Mas Correia admite que ainda há muito espaço para crescer em estudos de inovação mecânica, e na adoção de tecnologias no campo dentro do país.

Produtividade e tecnologia precisam andar juntos

O Brasil é um dos maiores exportadores de produtos agropecuários em todo o mundo e por muito tempo o país sempre teve uma extensa área agriculturável, baseando-se neste fator para aumentar a produtividade. Porém, aumentar a produtividade sem tecnologia nos dias atuais é praticamente impossível.

Assim, o profissional ressalta que há muito potencial para aumentar ainda mais a produção brasileira com o auxílio da tecnologia de ponta, onde se incluem as máquinas autônomas em todas suas vertentes.

A adoção de soluções tecnológicas permite o aumento da produtividade, além de promover a redução do custo de toda cadeia produtiva, colocando o país em uma posição de ainda mais destaque no mercado mundial do agronegócio”.

Por fim, vale ressaltar que o produtor nacional é muito ligado à tecnologia. Assim, o próximo passo é o agricultor se preparar para dominar as máquinas autônomas que, tudo indica, não vão demorar para serem vendidas comercialmente.

Desafios para a tendência virar realidade

A tecnologia das máquinas autônomas se fará presente mais cedo do que esperamos. Porém, alguns desafios estruturais, legais e tecnológicos precisarão ser solucionados antes disso.

Do ponto de vista estrutural, Correia explica que deve ser feita a realização de estudos para entender as diferentes realidades do setor, que é extremamente diverso dependendo da cultura, da região e dos players envolvidos.

Quanto à legislação, Correia lembra que questões legais, burocráticas e fiscais criam barreiras para o investimento maciço para todas as culturas brasileiras, diminuindo o ímpeto de investimentos nesse tipo de tecnologia.

Além do mais, a legislação para uso de máquinas autônomas no Brasil é “praticamente zero”, ou seja, não há regulação para que tais máquinas trabalhem no país. Assim, isso ainda precisa entrar na pauta de governantes.

Por fim, há o desafio da conectividade, como explica o arquiteto de Soluções de Agronegócio da Logicalis: “ Devido à grande extensão territorial da nossa nação, máquinas 100% autônomas só serão capazes de operar se tiverem conectividade”.

Entretanto, Correia ressalta que na questão tecnológica já existem soluções para diferentes contextos, como tecnologia de longo alcance e baixa energia (LoRa, Sigfox, NB-IoT) para sensores que capturam dados importantes na operação mecânica (clima, solo, etc.).

Há também a tecnologia 3G/4G, radio e satélite para habilitar o tráfego pesado de grande volume de dados, possibilitando o trabalho remoto dessas máquinas autônomas.

Acreditamos que essas novas tecnologias, se adotadas de forma ampla, podem resolver essa que é uma das questões mais sensíveis para a digitalização do campo”, finaliza Correia.

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