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Caprinocultura no ILPF: como integrar sem erro!

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Entenda quais são os principais diferenciais e estratégias de manejo da adoção da caprinocultura em sistemas ILPF.

Manejo simples, facilidade de adaptação a diferentes climas e manejos e pouca exigência quanto à alimentação. Essa é a caprinocultura, que no Brasil se mostra como uma opção de diversificação da produção, gerando oportunidades de emprego, renda e fixação do homem no campo.

Por toda essa capacidade de adaptação e diversificação de produção, a criação de caprinos vem ganhando em importância em sistemas integrados de produção, como a Integração Lavoura-pecuária-floresta (ILPF), principalmente no semiárido brasileiro.

Diante disso, vale conhecer as características da caprinocultura brasileira, assim como os efeitos que o rebanho de caprinos terá sobre a adoção da ILPF.

Caprinocultura no Brasil: 8,26 milhões de animais e destaque para a agricultura familiar

No Brasil, a caprinocultura se faz presente em todas as regiões do país. O levantamento mais recente mostra 8,26 milhões de animais de acordo com os números do Censo Agropecuário 2017 (IBGE, 2018). Desse montante, 92,8% do rebanho está localizado na região Nordeste.

Destaque também deve ser dado à agricultura familiar na produção de caprinos no Brasil. De acordo com o Censo Agropecuário de 2017 (IBGE, 2018), na região Nordeste, 71,7% dos caprinos são criados em estabelecimentos da agricultura familiar.

Segundo Rafafel Tonucci, Pesquisador em Sistemas Integrados (ILPF) e de Produção de Forragem da Embrapa Caprinos e Ovinos, o sistema de produção de caprinos predominante no Nordeste brasileiro é o extensivo. “Este sistema é geralmente misto com produção de caprinos, ovinos e bovinos, aliados a uma agricultura de subsistência”, explica.

O pesquisador também destaca a caprinocultura na região Sudeste. “Nestes estados vem ocorrendo a adoção de sistemas de produção intensivos, direcionados para produção de leite e seus derivados com elevado valor agregado e venda de reprodutores e matrizes”.

Caprinocultura na ILPF: adaptações aos diferenciais são essenciais

O animal, de qualquer espécie, dentro de um sistema de integração é um componente muito importante, tendo significativo efeito no tripé “solo – planta – animal”.

Mas, no caso de caprinos, é extremamente importante a adoção de alguns cuidados. Para Tonucci, quando presente em uma área de ILPF, os caprinos mudam a dinâmica do sistema pelo seu pastejo, distribuição de fezes e urina, compactação no solo, danos para as árvores, entre outros.

Com a presença do animal dentro do sistema o pesquisador diz ser essencial tomar cuidado com a pressão de pastejo (razão entre o peso vivo dos animais e a disponibilidade de forragem na área). “Esse é um indicador mais importante que a taxa de lotação (razão entre o número de animais por área), principalmente para as condições semiáridas onde em uma grande parte do ano a disponibilidade do alimento para os animais é escassa”.

O pesquisador explica também que em um sistema desenhado prioritariamente para a caprinocultura, deve se levar em consideração as peculiaridades da espécie que tem o ramoneio como hábito de pastejo (pastejo de cabeça alta, pastejando ramos e folhas de árvores, muitas vezes em posição bípede).

Destaca-se ainda a capacidade de o caprino explorar proporcionalmente os 3 estratos da vegetação: herbáceo, arbustivo e arbóreo até uma altura entre 1,5 e 2,0 metros. “Isso se bem explorado pelo produtor pode aumentar bastante a oferta de forragem para os animais”, diz.

Assim o rebaixamento da vegetação arbórea, técnica de manejo florestal para sistemas ILPF, se torna uma ferramenta poderosa para o sucesso do empreendimento.

O sistema ILPF tem também como uma das suas principais vantagens a diversificação da renda em diferentes produtos. “No ILPF os ovos são divididos em diferentes cestas, então o componente pecuário como caprino, compõe o fluxo de caixa da atividade com venda de produto (carne ou leite) ajudando na remuneração da atividade e auxiliando o produtor rural”.

O pesquisador explica que na região Nordeste, caprinos passam a ter importância econômica ainda maior, sendo bastante adaptado ao clima semiárido, com capacidade de sobreviver a anos sucessivos de seca.

Não podemos tratar caprinos e bovinos da mesma forma no ILPF

Um erro bastante comum na adoção da caprinocultura em ILPF da mesma forma que a adoção da bovinocultura neste sistema integrado. Mas, Tonucci explica que bovinos e caprinos são espécies com hábitos e comportamentos bastante diferentes e isso implica em manejo diferenciados também. “Caprinos são bem mais seletivos que bovinos no pastejo e tem habito de pastejo diferente também”.

Assim em um sistema ILPF que visa a produção de caprinos, o pesquisador da Embrapa diz ser fundamental considerar que os caprinos tenham acesso à área quando as árvores já tiverem maduras.

Esses animais irão causar mais “danos” do que os bovinos, ressaltando que esses danos só terão gravidade quando a disponibilidade de forragem for muito baixa, e o animal superpastejar o componente arbóreo (inclusive a parte lenhosa)”.

O pesquisador explica que sistemas ILPF com caprinos devem explorar essa diversidade e permitir que parte que o animal tenha acesso mais fácil ao componente arbóreo, rebaixando suas copas permitindo um pastejo mais intensivo em parte das árvores, evitando assim comprometimento das árvores destinadas à produção de madeira.

Para ajudar o pecuarista nessa adequação, a Embrapa, em parceria com a Rede ILPF está desenvolvendo o sistema ILPF – Caatinga, que permite uma intensificação sustentável da atividade pecuária na região.

Conceitualmente o ILPF – Caatinga é muito similar ao ILPF praticado no Cerrado, onde uma mesma área é utilizada para a produção de lavoura (grão), e pecuária (bovino). O grande diferencial desse novo modelo proposto é a que o componente florestal é a própria vegetação nativa, que é suprimida em faixas de forma deliberada, permitindo aumento na produção das áreas diminuindo a pressão de pastejo dos animais”.

Neste sistema a madeira suprimida é utilizada como incremento de renda (venda para produção de energia) e a floresta remanescente é utilizada para melhoria no conforto térmico dos animais, e como fonte de alimento volumoso para o rebanho manejada nessas áreas, com o caprino sendo muito hábil em pastejar esse extrato da vegetação.

 

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