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Culturas, Pecuária

Pecuária de ciclo curto: mais eficiência na produção animal

No Brasil dois são os sistemas de produção de bovinos mais comuns. O primeiro é o sistema extensivo, caracterizado pela produção a pasto e com pouca tecnologia. Já o segundo é intensivo, onde o investimento em nutrição, genética e manejo são bem maiores. Esse segundo sistema também pode ser caracterizado pelo que chamamos de pecuária de ciclo curto.

Na pecuária de ciclo curto a adoção de práticas como suplementação, o confinamento para terminação, o semi-confinamento e a suplementação no período seco são estratégias comuns para aumentar a eficiência e a produtividade, possibilitando um uso mais sustentável da terra e dos recursos naturais.

Para saber mais sobre este tipo de produção, conversamos com Sérgio Raposo de Medeiros, pesquisador da Embrapa Pecuária Sudeste. Medeiros explica como funciona essa técnica e como o produtor deve se planejar para superar os desafios e aproveitar as oportunidades.

Pecuária de Ciclo Curto: redução do tempo e aumento da suplementação

Não há um conceito muito claro para o termo pecuária de ciclo curto. Mas, para Sérgio Medeiros, “a pecuária de ciclo curto seria aquela em que a idade de abate do animal ou a idade da primeira cria é significativamente reduzida em relação aos 30-36 meses usuais”.

Assim, quando comparamos o sistema de produção tradicional (extensivo) e o sistema de pecuária de ciclo curto, observamos que existe uma diferença discrepante nos índices produtivos, que serão muito maiores no sistema intensivo.

Acredita-se que toda essa discrepância se dá principalmente pelo uso da suplementação em sistemas intensivos ou em algum ciclo de vida do animal, como explica o pesquisador da Embrapa.

Talvez a característica mais marcante da “pecuária de ciclo curto” seja o uso de concentrado de maneira mais intensiva em, pelo menos, uma das fases da vida do animal, possibilitando um crescimento ou engorda mais rápidos”.

A pecuária de ciclo curto precisa compensar financeiramente

Por ser feita com uso de altas quantidades de concentrado, a pecuária de ciclo curto pode ser adotada em qualquer região do país.

Entretanto, para que seja eficiente, Sérgio Medeiros ressalta que os valores de venda da arroba devem compensar esse maior investimento em alimentação, sendo esse o fator preponderante para o sucesso dessa exploração pecuária.

Devido a essa característica, a pecuária de ciclo curto pode ser uma opção para quem está perto de áreas de produção de grãos, que podem produzir uma arroba mais barata. Também pode ser adotada em áreas de melhores preços de arroba, mais próximas dos grandes centros consumidores”, explica.

Medeiros comenta também que está aumentando o número de adeptos em locais de preços baixos de grãos. “Assim, apesar de ser mais fácil encontrar projetos intensivos no Sudeste, o maior crescimento em adoção ocorre no Centro-Oeste”, comenta o pesquisador.

Uma opção bastante comum neste contexto é a suplementação contínua do animal com 0,3 – 0,5% do peso vivo por dia e a terminação em confinamento ou confinamento à pasto, quando recebe cerca de 1,8-2,0% do seu peso vivo de concentrado na pastagem.

Segundo o pesquisador da Embrapa, nesse caso a forragem representaria uma pequena parte do consumo para garantir um mínimo de fibra, evitando assim problemas metabólicos.

Principais vantagens da pecuária de ciclo curto

Como visto, a pecuária de ciclo curto depende da qualidade e do custo da suplementação e do valor da arroba na região, possibilitando um custo benefício positivo. Se isso for conseguido, a grande vantagem, segundo Medeiros, será o aumento da rentabilidade. “Num mesmo período de tempo, teremos maior faturamento”, diz.

Medeiros explica ainda que a produção mais intensiva, em geral, ajuda a:

  • Diluir custos fixos, como o de construção e depreciação do curral e do custo da terra por produzir mais por área;
  • Reduzir o custo da terra, pois necessita-se uma área menor.

Além desses benefícios, a eficiência alimentar é maior, com maiores ganhos de peso obtidos no ciclo curto estimulando a deposição de gordura, facilitando a terminação do animal para abate”, complementa Medeiros.

Em relação à esta última característica, Medeiros cita uma última vantagem comercial: “carnes produzidas em sistemas intensivos costumam ser reconhecidas como de melhor qualidade, sendo possível conseguir algumas bonificações oferecidas pelo mercado”.

Reduzir o risco é um grande desafio

Mesmo sendo uma atividade que gera elevados lucros quando bem realizada, a pecuária de ciclo curto envolve muito risco – que precisa ser considerado.

Segundo Medeiros, o investimento é maior na alimentação dos animais, por isso todo o cuidado para que os outros componentes do sistema estejam alinhados com esse maior investimento é fundamental para o sucesso. O pesquisador dá um exemplo:

Animais de melhor qualidade devem ser usados sob o risco de jogar-se dinheiro fora, caso os animais não tenham genética para responder a intensificação do sistema. O manejo fica mais complexo e delicado”.

Medeiros ressalta também que pequenos erros podem resultar em grandes perdas. “Basta uma falha no dimensionamento do espaço linear de cocho para os animais ou qualquer outro erro relacionado à oferta e consumo do suplemento para os resultados irem por água abaixo”.

Mas, independentemente desses erros, o maior desafio da pecuária de ciclo curto é, sem dúvidas, a alta dependência do preço dos concentrados, fato esse que deve ser muito bem planejado.

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