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Vantagens da distribuição de corretivos e fertilizantes na agricultura de precisão

Conheça os benefícios e erros mais comuns da distribuição de corretivos e fertilizantes com a agricultura de precisão. Veja também o que esperar para o futuro!

A distribuição de corretivos e fertilizantes tem como objetivo principal melhorar as características químicas do solo, visando aumento da produtividade das lavouras. Mas esse é um processo que demanda elevados custos que exigem a adoção de estratégias e tecnologias que maximizem essa distribuição. E a agricultura de precisão (AP) será essencial nesse sentido.

Será por meio da AP que o produtor terá uma representação mais fiel das variações de determinada característica do solo e, a partir disso, realizar a aplicação de doses variáveis em cada mancha do talhão.

Mas os benefícios da agricultura de precisão na distribuição de corretivos e fertilizantes vão muito além, como indicam diversos especialistas no assunto.

Agricultura de precisão: variabilidade para melhorar a produção

Segundo a Sociedade Internacional de Agricultura de Precisão (ISPA, em inglês), a Agricultura de Precisão é uma estratégia de gestão que considera a variabilidade temporal e espacial para melhorar a sustentabilidade da produção agrícola.

A agricultura sempre considerou as operações em relação ao tempo – como “tempo para plantar” e “tempo para colher” – e às ocorrências – como a umidade do solo, maturação da plantação, a infestação de pragas em um determinado talhão – como se fossem uniforme em toda a área.

Mas, Ricardo Inamasu, presidente do Comitê Gestor do Portfólio Automação, Agricultura de Precisão e Digital da Embrapa indica que isso mudou com as ferramentas da agricultura de precisão.

O GPS trouxe a possibilidade para localizar essas ocorrências em mapas digitais. Assim, a agricultura de precisão como conhecemos colocou o espaço junto ao tempo para realizar a gestão das operações no campo”.

Essa opinião é compartilhada pelo professor da Esalq/USP e especialista em Agricultura de Precisão, José Paulo Molin. “A AP irá corrigir quando há viabilidade ou irá tirar proveito (econômico, ambiental) dessas desuniformidades, sempre que elas forem relevantes”, diz.

Distribuição de corretivos e fertilizantes: necessidades diferentes induzem demandas localizadas

Dificilmente o solo tem uma uniformidade por toda a extensão de uma lavoura. Existem variações, com cada espaço apresentando características específicas. Por causa dessas variações, é possível que cada talhão tenha a necessidade de corretivos e fertilizantes de forma diferenciada - e isso influenciará na maior ou menor produtividade.

Partindo desse pressuposto, Molin explica que a gestão da adubação química das lavouras com base em amostragem georreferenciada de solo é fundamental. Ao fazer isso, o produtor terá um melhor diagnóstico das demandas localizadas, com a consequente distribuição dos corretivos e fertilizantes sempre em doses variadas.

No Brasil, a prática predominante de AP é a aplicação de corretivos e fertilizantes de forma localizada e em doses variáveis, iniciada efetivamente em torno de 2002, a partir do surgimento dos serviços de consultoria e da disponibilização de máquinas nacionais para essas aplicações”, completa o professor.

Benefícios e principais erros da distribuição de corretivos e fertilizantes em doses variadas via AP

A aplicação de corretivos e fertilizantes em taxas variáveis, com base na amostragem de solo em grade, tem sido o principal benefício advindo da AP. “Num primeiro momento, isso oferece oportunidades de economia desses insumos, especialmente por não demandar aplicação onde os teores já são suficientes”, explica Molin.

Esse benefício é também compartilhado por Inamasu. “O benefício direto é de aplicar insumos na quantidade adequada, podendo reduzir desperdícios e potencialmente manter ou até aumentar a produtividade”.

No entanto, desconsiderar conceitos básicos leva o produtor a cometer alguns erros básicos, como explicam os especialistas em agricultura de precisão. Segundo o pesquisador, o erro mais comum é elaboração de mapas de recomendação e no uso de máquinas.

A geração de um bom mapa de recomendação, que determina uma quantidade mais adequada de insumos em cada ponto do talhão, ainda é um desafio a ser superado. No caso de uso de máquinas, o treinamento constante de operadores é peça chave para a uma boa aplicação, além da escolha da máquina adequada para a sua operação na lavoura”.

Molin, por sua vez, explica que em muitos casos, as baixas produtividades observadas em determinadas regiões de um talhão podem estar associadas a aspectos que estão totalmente fora do poder de intervenção, como é o caso da variabilidade da textura do solo.

A solução para estes casos é tratar as regiões de formas distintas. “Onde a baixa produtividade é causada pela variação na textura deve-se realizar menor aporte de insumos, visando a obter lucro com boa produtividade. Regiões de maior potencial produtivo e com boa textura de solo devem receber um aporte maior de insumos, visando a explorar seu limite econômico desse solo”, diz Molin.

Além disso, o professor da ESALQ salienta que não basta cuidar apenas da fertilidade do solo com essa resolução espacial. “Devemos dar importância às demais práticas, como tratamento localizado de plantas invasoras, pragas e doenças, num contexto moderno, que contempla a aplicação minimizada de insumos, visando à economia e ao menor impacto ambiental possível”, complementa.

A melhoria de AP na aplicação de corretivos e fertilizantes será contínua

O processo de melhoria da agricultura de precisão na distribuição de corretivos e fertilizantes é um processo contínuo, sendo este um dos pilares da agricultura digital.

Diante deste cenário, Molin diz que a evolução da AP ocorrerá em três frentes.

A primeira frente, segundo o professor, baseia-se em uma melhor abordagem agronômica. “Hoje essa abordagem ainda foca na uniformização dos teores nas lavouras, o que exigirá intensificação da experimentação ao nível de fazenda, testando níveis ótimos nos diferentes ambientes para as recomendações locais mais assertivas”, explica.

Outra demanda para o futuro, segundo o professor da ESALQ, será a melhoria dos diagnósticos. “Hoje fazemos mapas de prescrição baseados em amostras de solo em baixíssima densidade espacial. Mas no futuro isso tende a evoluir e melhorar, permitindo maior precisão desta forma de fazer a agricultura”.

O professor indica que as tecnologias de sensores e de sensoriamento para solo estão evoluindo e para os próximos anos já são esperados alguns avanços importantes.

A terceira frente está na evolução das máquinas e dos controles para as taxas variáveis. Segundo o professor ainda há muito ajuste fino a ser feito e este passa por aprimorar os conceitos já existentes.

Hoje é possível o controle das aplicações dentro de porções da lavoura de algumas dezenas de metros, o que ainda pode evoluir, sem muita sofisticação. Também deveremos passar por mudanças na forma e na qualidade dos próprios insumos”, conclui.

Essas frentes indicativas do futuro da AP na distribuição de corretivos são também compartilhadas pelo pesquisador da Embrapa. Segundo ele, ao refinar a recomendação, aumentarão as exigências para as máquinas melhorarem a qualidade do mecanismo e do sistema de controle de aplicação de fertilizantes e corretivos.

Para o futuro, espero que a agricultura de precisão fará com que nossa agricultura seja cada vez mais produtiva e sustentável”, finaliza Inamasu.

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