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Recomendações para corrigir a acidez do solo e produzir mais

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Conheça os problemas da acidez do solo e veja as recomendações de um professor para corrigir esse problema, comum em 70% dos solos brasileiros.

Uma ocorrência bastante comum em terras brasileiras são os sérios problemas quanto a acidez do solo. Esse problema ocorre principalmente em ambiente tropical e subtropical, que caracteriza a maior parte do clima de nosso país.

No Brasil, cerca de 70% das terras agricultáveis são consideradas ácidas, possuindo baixo pH, baixa capacidade de troca de cátions e comumente altas concentrações de alumínio tóxico, que pode prejudicar o desenvolvimento das plantas.

Por isso, vale levantar a discussão sobre alguns dos aspectos relacionados à acidez do solo, suas causas e principalmente as estratégias para controlar e corrigir esse sério problema da nossa agricultura.

Entenda o que é a acidez do solo

Por definição, todo ácido, basicamente, é uma substância que em meio aquoso libera íons de hidrogênio (H+). No caso da atividade agrícola, Tales Tiecher, professor da UFRGS explica que a acidez do solo se divide em dois principais compartimentos, a acidez ativa e a acidez potencial, que estão em equilíbrio no solo.

Segundo o professor, a acidez ativa é a concentração do íon hidrônio (H3O+, mas geralmente referido apenas como H+) presente na solução do solo. É estimada a partir do pH da solução de equilíbrio do solo com H2O ou com solução salina diluída com CaCl2 ou KCl, que funciona como um “termômetro” da acidez do solo.

Porém, isso não pode ser utilizado para indicar a dose de corretivo a ser aplicado, pois é infinitamente menor que a acidez potencial. “Para corrigir a acidez ativa são necessários apenas alguns quilogramas por hectare de calcário, enquanto para corrigir a acidez potencial geralmente são necessárias algumas toneladas de calcário”, explica.

Por isso, a acidez potencial, que é a soma de H+ e Al3+ presente na fase sólida, é o compartimento indicado pelo professor que define a dose de calcário necessária para aumentar o pH do solo.

Segundo o professor existem situações em que dois solos possuem valores de pH idênticos, mas necessitam de quantidades de corretivo totalmente diferentes devido à diferença de acidez potencial.

Solos mais tamponados com maior teor de argila e matéria orgânica exigem doses maiores de corretivo para atingir o mesmo pH comparado a solos arenosos e com baixo teor de matéria orgânica”, indica.

Principais causas da acidez do solo

A origem natural da acidez em solos tropicais e subtropicais no Brasil é a água da chuva. Por esse mesmo motivo, em regiões áridas e semi-áridas existe o predomínio de solos com pH mais elevado, tendendo a alcalinidade.

Com a ação das chuvas por muitos anos, a dissolução de alguns minerais libera Al3+ na solução do solo, que por sua vez, hidrolisa moléculas de água e gera mais acidez, num efeito cascata, resultando em solos naturalmente ácidos e com elevados teores de Al”, explica Tiecher.

Segundo o professor da UFRGS, a acidificação do solo pode também resultar das atividades agrícolas. “A adubação nitrogenada tem grande potencial de acidificação do solo quando o N não é absorvido pelas plantas e perdido por lixiviação”, diz.

Além disso, os cultivos exportam grandes quantidades de Ca e Mg nos grãos, fibras e outros produtos agropecuários, aumentando a taxa de acidificação do solo proporcional a quantidade produzida e exportada.

Por fim, é importante destacar também que leguminosas tendem a acidificar mais o solo que as gramíneas, pois elas absorvem mais cátions e excretam mais H+ na rizosfera.

Impactos da acidez do solo e estratégias para corrigir este problema

A acidez do solo funciona como limitante da produção agrícola em muitas ocasiões. Dessa forma, o principal limitante da acidez do solo é a fitotoxidez de Al3+, o qual existe no solo somente em pH inferior a 5,5.

Mas, além disso, a disponibilidade de vários nutrientes essenciais para as plantas também é afetada pelo pH do solo. “Solos ácidos têm menor disponibilidade de P, K, S, Ca, e Mg. Mas solos com pH muito elevado possuem baixa disponibilidade de micronutrientes catiônicos como Fe, Mn, Cu e Zn”, indica o professor.

Por isso a faixa ideal para grande parte das culturas (salvo algumas exceções) é entre 5,5 e 6,5, onde não existe Al3+ e é observada uma boa disponibilidade de todos os nutrientes.

É importante destacar também que a acidez do solo afeta diretamente a fixação simbiótica de N na soja, principal cultura cultivada no Brasil, fato esse que pode comprometer a produtividade e sustentabilidade dessa cultura.

Por essa razão, a correção da acidez do solo, mediante análise do solo, pode ser feita utilizando qualquer material que ao se solubilizar gera hidroxilas ou consome prótons da solução do solo.

O principal produto utilizado para essa finalidade é o calcário agrícola, devido ao seu baixo custo-benefício e disponibilidade”, orienta Tiecher.

É importante destacar que sais neutros como o gesso agrícola não alteram o pH, ou seja, não corrigem a acidez do solo, mas podem beneficiar os cultivos por aumentar o teor de Ca e diminuir a saturação por Al.

A dose a ser aplicada pode ser calculada de diferentes formas, dependendo das recomendações oficiais de cada região do Brasil.

No RS e SC, a dose é definida em função do Índice-SMP, que tem relação direta com a acidez potencial do solo (H+Al) que define a dose necessária de corretivo de acidez. Em outros estados/regiões, o cálculo é feito baseado na saturação por bases desejada.

Como a calagem aumenta tanto o pH como a saturação por bases, ambos os métodos podem ser usados para corrigir a acidez do solo”, diz o professor.

Contudo, a relação entre pH e saturação por bases pode não ser linear, ou ainda ser diferente para cada tipo de solo em função da sua mineralogia. Por isso, o melhor método de cálculo da necessidade de corretivo será sempre aquele calibrado para cada sua região.

 

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