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Mais tomates limpos com menos água. Saiba como reduzir perdas!

Elevado uso de água na limpeza, alto desperdício no pós-colheita e dificuldade em fazer uma classificação mais uniforme são três das principais dificuldades regularmente enfrentadas por pequenos e médios produtores de tomates no Brasil.

Com o objetivo de auxiliar esses produtores, pesquisadores da Embrapa Instrumentação (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) desenvolveram uma máquina que promete ajudar a enfrentar tais dificuldades. O equipamento chamado “Ccassificadora compacta para beneficiamento e classificação de frutas e hortaliças”, limpa tomates com menos água, contribui com a classificação dos alimentos e auxilia na redução de perdas no pós-colheita.

Esse sistema auxilia pequenos e médios produtores, os quais realizam a limpeza e beneficiamento em campo”, explica o pesquisador e participante do projeto, Marcos David Ferreira, da Embrapa Instrumentação.

Como funciona o sistema de limpeza de tomates que usa menos água

Diferente dos sistemas mais tradicionais, que fazem a limpeza do tomate na horizontal, o sistema desenvolvido pela Embrapa realiza a limpeza na vertical, o que traz avanços significativos e também a redução de perdas.

Para realizar a limpeza na vertical, três escovas são posicionadas, duas embaixo e outra em cima, proporcionando assim um maior contato entre fruto e escovas. No projeto utilizamos escovas com cerdas sintéticas ou de origem animal, mas devem ser bem maleáveis para proporcionar um contato maior entre o fruto e as cerdas”, comenta Ferreira.

Ainda de acordo com o pesquisador: “O diferencial neste sistema é o contato com as cerdas e também a utilização de escovas com cerdas em helicoides. Essa conformação da escova, semelhante a uma espiral, proporciona um maior contato em frutos de diferentes tamanhos e formatos, além de agilizar a movimentação do produto”.

As frutas e hortaliças, após a colheita em campo, apresentam algum tipo de sujidade específico, tendo como exemplo a batata ou a cenoura, que vêm com mais terra. “Por sua vez, a superfície do tomate é mais lisa, apresentando também um tipo diferente de sujidade, que se assemelha a um pó. Desta forma, fica mais fácil de ser retirada com escovas”, explica.

Para saber mais sobre o funcionamento da máquina classificadora de tomates, assista este vídeo, sugerido pela Embrapa Instrumentação.

Principal vantagem do sistema

Para se ter uma ideia, a limpeza tradicional do tomate consome até 500 m3 de água/mês em algumas unidades de beneficiamento. Já máquina compacta tem capacidade para classificar cerca de uma tonelada de frutos diariamente, quantidade que varia de acordo com a regulagem da ferramenta, tipo do fruto, entre outros fatores.

Ferreira ressalta que tão importante quanto a quantidade, é a pressão da água durante a limpeza, já que a forma da aplicação da água – jato sem pressão, ou com pressão por meio de bicos em spray – influencia na eficiência de limpeza.

Não é a quantidade que faz a diferença, mas sim a forma que é aplicada”, comenta. Por isso, com o sistema haverá otimização do uso deste importante recurso natural, ou seja, será utilizada menos água.

Mais facilidade na classificação e redução de perdas

A novidade traz também muitas outras vantagens ao pequeno e médio produtor:

Geralmente eles realizam a classificação e limpeza dos tomates de forma manual e por muitas vezes não conseguem a correta padronização exigida pelo mercado, causando problemas na questão comercial.

Ao usar o sistema o produtor terá a possibilidade de fazer melhor classificação com uma limpeza mais eficiente, agregando assim, valor ao produto e tornando-o mais competitivo no mercado.

Outro problema enfrentado por produtores é a elevada quantidade de frutos feridos durante o processo de lavagem e a classificação, o que aumenta as perdas do produto. Ferreira ressalta que as pesquisas seguiram durante 3 anos e os resultados foram expressivos na questão de redução de perdas.

Segundo os estudos, a máquina vertical teve quantidade bastante reduzida de frutos feridos quando comparada com a máquina tradicional.

O protótipo desenvolvido na Embrapa tem capacidade de limpeza e classificação de cerca de 1 tonelada/hora. “Este é um protótipo de pesquisa, sendo que no maquinário comercial esta capacidade pode ser aumentada, de acordo com a demanda do setor”.

Por fim, o sistema é móvel e compacto (2,20 metros de altura por 1,60 metros de largura, pesando 200 kg), podendo ser facilmente movimentado na propriedade rural, com o beneficiamento sendo feito a campo.

O pesquisador da Embrapa comenta que o equipamento já foi comercializado para alguns estados brasileiros e tem sido utilizado por pequenos e médios produtores, não somente de tomate, mas também de outras culturas.

Gostou dessa inovação que usa menos água e promove a redução de perdas no beneficiamento de tomates? Então, compartilhe este conteúdo nas suas redes sociais!

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