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CSA: o que é, suas vantagens e maiores desafios

Sistemas relacionadas à agricultura são baseados em duas pontas que não costumam “conversar” entre si. De um lado está planta. Do outro lado está quem consome, com vários intermediários no meio. Mas o que acontece quando essas pontas se unem e trabalham juntas? Teremos a CSA.

O CSA tem por característica a agricultura solidária, onde o agricultor deixa de vender seus produtos através de intermediários e conta com a participação de membros consumidores para a organização e o financiamento de sua produção.

Mas você sabe o que, de fato, é um CSA? Quais suas vantagens e desafios desse tipo de comunidade? Para ter as respostas, conversamos com Maria Rita Almeida e Bernadete Brandão, participantes da CSA Terra Pura, situada em uma aldeia Budista chamada Sukhavati (Terra Pura), em Curitiba (PR).

O que é uma CSA?

O conceito de uma Comunidade que Sustenta a Agricultura (Community Supported Agriculture) denominada CSA é um modelo de Agricultura Solidária em que o agricultor deixa de vender seus produtos através de intermediários e conta com a participação de membros consumidores para a organização e o financiamento de sua produção.

Essa é uma prática de desenvolvimento agrícola sustentável, onde o escoamento de alimentos orgânicos ocorre de uma forma direta ao consumidor, criando uma relação próxima entre quem produz e quem consome os produtos”, explicam Maria Rita e Bernadete.

O CSA é um modelo de trabalho conjunto entre agricultores de alimentos orgânicos e consumidores chamados por nós de co-agricultores, ou seja, representamos um grupo fixo de pessoas que se comprometem por um ano (em geral) a cobrir o orçamento anual da produção agrícola.

Em contrapartida os co-agricultores recebem os alimentos produzidos pelo organismo agrícola sem outros custos adicionais. “Desta forma o agricultor, sem a pressão do mercado e do preço, pode se dedicar de forma livre à sua produção e os co-agricultores recebem produtos de qualidade, sabendo quem os produz e aonde são produzidos”, explicam.

Maiores vantagens da CSA

De fato, quando bem organizada a CSA apresentará uma variedade de vantagens e benefícios aos agricultores.

As maiores vantagens de participar de uma CSA é o fato de que recebemos uma diversidade de alimentos, fazendo com o que consumidor seja criativo na cozinha utilizando esta riqueza, e quase ‘se obrigue’ a cozinhar para renovar sua geladeira e deixando-a com alimentos sempre frescos e recém colhidos”, explicam Maria Rita e Bernadete.

Tal fato nos leva a ter mais atenção ao que estamos comendo, trazendo mais saúde e disposição”, complementam.

A relação com os alimentos também muda. “Ampliamos a percepção do frescor, do sabor, das estações, pois vemos aquilo que consumimos, plantamos, ajudamos a crescer e participamos da colheita, como uma honra à natureza”, dizem.

Outra vantagem salientada é a dinâmica semanal. “Temos que ir buscar semanalmente a cesta e ir muito menos ao supermercado, consequentemente, deixamos de comprar supérfluos e a comprar por impulso”.

Elas explicam que esse gigante intermediário é retirado da relação. “Com isso economizamos com a embalagem… são de 3 a 5 quilos semanais de produtos que passariam por pelo menos 5 a 7 embalagens de plástico ou filme: versus a média de 20 famílias/cestas que participam do nosso grupo e 52 semanas por ano: economizamos cerca de 6.200 embalagens no ano”, explicam.

Mas, apesar de todas essas vantagens, a maior delas é participar da comunidade. Com isso são desenvolvidas amizades, encontros calorosos e mais afetivos, “fora o delicioso dia de campo, onde renovamos a energia e o sonho”, salientam.

Apesar das vantagens, há muitos desafios

Maria Rita e Bernadete ressaltam que ainda são muitos os desafios que a CSA precisa enfrentar diariamente.

Segundo elas, o co-agricultor deve perceber a importância social do seu consumo, o papel que tem na vida do agricultor, e o engajamento necessário para isto.

O co-agricultor também deve se dispor a participar dos vários papeis internos, de coordenação e organização com a mesma motivação do cultivo.

Além disso, elas explicam que a comunicação desta ideia com um todo precisa ser aprimorada para que o co-agricultor se engaje com segurança e sabendo onde está entrando. “O co-agricultor deve estar certo de que ao entrar, haverá a necessidade de agir no coletivo, na co-construção, pensando em si e nos outros”, finaliza.

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