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Consultor do Banco Mundial prevê agricultura mais moderna, com menos mão de obra e como solução social no Brasil

Mais mecanizada, automatizada e com menos mão de obra. É assim que o ganhador do Prêmio Brasil Agrociência e da Homenagem da Agrishow, durante a Agrishow 2016, Eliseu Roberto de Andrade Alves enxerga o futuro da prática no País. “Mesmo a agricultura familiar está assim”, sentencia o engenheiro agrônomo, considerado uma das 25 personalidades que mudaram o rumo da agropecuária no Brasil e referência mundial como cientista e gestor em ciência e tecnologia, especialmente nas áreas de inovação, pobreza rural, política agrícola, irrigação, construção e desenvolvimento de instituições. Além de consultor do BID (Banco Inter-Americano de Desenvolvimento) e do Banco Mundial.

Para Alves, essa redução de trabalhadores é resultado de uma constante migração do campo para centros urbanos e de um movimento do mercado de modernização agrícola. E essa tendência vai continuar – “Vai haver uma enorme produção com poucos agricultores trabalhando”, prevê – em parte, como efeito da consolidação do agronegócio nacional.

O agronegócio brasileiro deu certo, está consolidado e equilibrando a balança comercial

Como exemplo, o engenheiro agrônomo explica que em 2006, 11% dos estabelecimentos que compõem o agronegócio brasileiro eram responsáveis por 87% do valor da produção agrícola. “Números semelhantes ao que acontece na Inglaterra e Estados Unidos). Os outros 88,6% contribuem com apenas 13%”. Há ainda outro fator que favorece o setor: ter equilibrado a balança comercial. Fala-se de um saldo positivo de R$ 75 bilhões, o que faz com que muitos afirmem ser a agricultura quem está salvando o Brasil.

Esse cenário favorável permite à agricultura papel de destaque no abastecimento interno, além de colaboração em programas de transferência de renda para populações mais pobres. Essa última ação é uma resposta à dúvida “o que fazer com quem está excluído da modernização agrícola?”. Alves explica que o Bolsa Família e Aposentadoria Rural funcionam, mas é preciso mais. “Devemos buscar na agricultura a solução. Focar em grupos com potencial para extrair a sobrevivência da agricultura”.

 

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