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Manejo Integrado de Pragas com ênfase no vazio sanitário

Dentre os métodos de controle de pragas, o controle químico se tornou no decorrer dos anos, o principal, pois a facilidade de uso e seu custo relativamente baixo proporcionaram seu uso em larga escala.

Artigo do pesquisador Fábio Aquino de Albuquerque – entomologista da Embrapa Algodão
Imagem de Sebastião de Araújo

O Manejo Integrado de Pragas (MIP) consiste na utilização equilibrada de diferentes métodos de controle, de modo a viabilizar o manejo das pragas de forma sustentável. Para seu sucesso, faz-se necessário ter um bom conhecimento do sistema de cultivo da região ou, no mínimo, da fazenda e pensar de forma sistêmica. Isso porque os insetos praga são na sua maioria polífagos e alimentam-se de diferentes espécies cultivadas. Então, ter conhecimento da ocorrência dos insetos presentes, entender sua dinâmica de dispersão, ter conhecimento de insetos úteis, inimigos naturais, conhecer a necessidade ou não de usar determinado método de controle, são etapas necessárias para um bom MIP. Assim, podemos considerar que o MIP é na verdade gestão de conhecimentos na unidade produtiva. E mais: não considera apenas a fazenda em si, mas toda a microrregião.

Os métodos de controle que constituem o MIP vão desde a manipulação ambiental ao desenvolvimento de plantas transgênicas resistentes a pragas, passando pelo controle químico e biológico, uso de técnicas de radiação (esterilização de machos), a métodos legislativos.

Dentre os métodos de controle de pragas, o controle químico se tornou no decorrer dos anos, o principal, pois a facilidade de uso e seu custo relativamente baixo proporcionaram seu uso em larga escala. Contudo, o uso indiscriminado acabou levando a problemas colaterais, como a pressão de seleção sobre as pragas e consequentemente a ineficácia do controle. Mesmo com o surgimento de novas moléculas, os desequilíbrios já estavam causados e os custos para o uso do controle químico se tornaram elevados.

O método de controle legislativo, pouco conhecido, consiste no uso de leis, portarias e normas técnicas que promovam a proibição do plantio e a destruição dos restos culturais após a colheita. Um exemplo desse método é quando se tem problemas com epidemias em animais e é autorizado o abate. Para os cultivos ocorre da mesma forma.

Para o MIP no algodoeiro, principalmente visando o controle do bicudo-do-algodoeiro, uma técnica de custo relativamente baixo e bastante eficaz é o vazio sanitário. Essa é uma medida legislativa que consiste na destruição dos restos culturais após a colheita. A forma de destruição pode ser química, mecânica ou ambas combinadas. A eficácia do vazio sanitário para o bicudo deve-se ao fato deste inseto só se reproduzir quando se alimenta de pólen de plantas de algodão, assim não havendo essas plantas no período da entressafra, a probabilidade de multiplicação e manutenção das populações de bicudo na área é reduzida.

Vazio sanitário eficiente

Para o vazio sanitário ser mais eficiente, é necessário que os produtores tenham um bom manejo da fazenda e, principalmente nas áreas de rotação, não permitam a presença de tigueras ou rebrotas de algodão, seja dentro da soja ou do milho ou outro cultivo, pois isso contribui para permanência e proliferação do bicudo. Fazendo um bom manejo na lavoura, a tendência é que haja pouca produção de bicudo e consequentemente poucos indivíduos com potencial de se refugiarem na mata nativa. Com isso, a pressão na safra seguinte será menor, o que facilita o controle químico caso necessário. O período mínimo para um vazio sanitário eficiente é de 60 dias sem algodão na entressafra, o ideal seriam pelo menos 90 dias, mas nem todas as regiões produtoras tem essa janela tão longa.

É importante destacar que o MIP não pode se apoiar em apenas um ou dois métodos, mas no conjunto de métodos e estratégias. O produtores e equipe técnica têm que ter em mente que a ação combinada e o entendimento dos sistemas de cultivo, principalmente sua dinâmica produtiva, são fatores importantes que interferem diretamente na dinâmica dos insetos, sejam pragas ou benéficos, e que dependendo do tipo de intensidade da intervenção poderá haver desequilíbrios que acarretarão em aumento de custos e perda de rentabilidade.

Em resumo, o MIP não se restringe a métodos de controle, mas a gestão de conhecimento para sustentabilidade na agricultura.

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