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Agro brasileiro cresce mesmo em meio à crise

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Convém lembrar que o setor do agronegócio foi gravemente afetado em 1929, pela crise da Quebra da Bolsa de Nova York, que prejudicou os principais países compradores do café brasileiro, derrubando as vendas do produto e arruinando os produtores locais. Em 1980, a Crise da Dívida e da Hiperinflação.

Amanda Araújo, Diretora Executiva da Sociedade Rural Brasileira e Mestre em Direito da Agricultura pela Université Paris 1 Panthéon-Sorbonne

A crise causada pela pandemia da Covid-19 já é considerada como uma das maiores de nossa história. Entretanto, o agronegócio brasileiro ficou posicionado, pela primeira vez ao longo do tempo, do lado positivo da balança de uma crise. Números históricos na produção, abertura de novos mercados e o envio recorde ao exterior de 131,5 milhões de toneladas de produtos agrícolas por 61,2 bilhões de dólares, impulsionado pela valoração do dólar e a demanda asiática. E quais seriam os traços que distinguem as demais crises brasileiras da atual para o setor agropecuário?

Com relação ao passado, convém lembrar que o setor do agronegócio foi gravemente afetado em 1929, pela crise da Quebra da Bolsa de Nova York, que prejudicou os principais países compradores do café brasileiro, derrubando as vendas do produto e arruinando os produtores locais. Em 1980, a Crise da Dívida e da Hiperinflação, na qual aconteceu o aumento significativo da taxa de juros, o disparo da inflação e o aumento do dólar. A crise de financiamento externo da dívida pública e a dificuldade de obter um financiamento interno estável, mergulharam o país em 15 anos de hiperinflação, limitando a transferência de recursos do Estado para o setor produtivo agropecuário. O cenário só foi revertido em 1994, quando o Plano Real finalmente conseguiu estabilizar a economia.

Em contrapartida as crises, o início da transformação do Brasil na maior potência em termos de agricultura tropical “já dava suas caras” desde os anos 70. É fundamental lembrar que, no Governo Médici, deu-se a criação da Embrapa por Cirne Lima, posteriormente dinamizada por Alysson Paulinelli no governo Geisel que resultaria no casamento perfeito entre produção cientifica, inovação, tecnologia e o empreendedorismo do setor rural. Sem esquecer do papel fundamental de Flávio Menezes na defesa da livre iniciativa e da propriedade privada, durante a Constituinte de 1988 no governo José Sarney.

No início da década de 1990, com as demandas crescentes e políticas macroeconômicas de estabilização, como controle da inflação e taxas de câmbio mais realistas, o crescimento do setor agrícola foi impulsionado e passou a ser o principal responsável pelo superávit da balança comercial brasileira. A partir desses anos, com a abertura de mercado proporcionada pelo governo Collor, o emblemático contencioso do algodão na OMC com a brilhante atuação de Pedro de Camargo Neto e a vitória na batalha da transgenia de Roberto Rodrigues, o agronegócio amadureceu e se desenvolveu com base na produtividade e ganhou notório e fundamental papel no comércio exterior.

Entre 1990 e 2020, o Valor da Produção Agropecuária do País aumentou drasticamente, alcançando, neste último ano, R$ 848,6 bilhões, valores que têm contribuído para o equilíbrio das contas externas do país. A organização e o intenso processo de modernização das cadeias produtivas do agronegócio fizeram com que toda a cadeia ligada às atividades agrícolas apresentasse importância cada vez maior no Produto Interno Bruto (PIB). Hoje, além de gerar 19 milhões de empregos, o agronegócio como um todo significa mais de 20% do PIB e 48% do valor das exportações que totalizam US$ 100,81 bilhões, resultado dos esforços diplomáticos e do espetacular desempenho da atual Ministra Teresa Cristina.

 A competitividade do agronegócio prosperou independentemente de subsídios, em contramão ao mundo (hoje, o suporte público à agropecuária é de apenas 1,1% do Valor da Produção, enquanto a média mundial é de 16%). Nossa vocação agropecuária, a abertura ao mercado internacional e a exemplar tecnologia tropical brasileira nos proporcionou, mesmo no cenário da pandemia, nos mantermos como importante dinamizador da nossa economia. Olhar no espelho retrovisor não é apenas nostalgia ou curiosidade histórica: é colocar o presente em perspectiva e aproveitar o tempo para reforçar o senso de ação e o gosto pelo empreendedorismo agrícola.

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